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Com minhas próprias mãos abro esta porta
Que dá para o jardim do esquecimento,
Onde vejo a cisterna e vejo a horta
De água e fruto inválidos. Movimento
De asas infinitas os ares corta,
E fecha o meu aberto pensamento
No ponto essencial da linha torta,
Que do ser é limite e acabamento.
Com minhas próprias mãos cultivo a terra
Da morte: a terra ex-terra, a finis terra,
E o adubo da Imemória manuseio.
O gesto de lançar uma semente
É como um gesto de adeus; só e ausente,
Neste jardim, eu próprio me semeio.
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De uma noite de festa — bumba-meu-boi, Joaquim Cardozo, sem data de edição, Círculo do Livro S.A., São Paulo — SP; Joaquim Cardozo (1897 — 1978), ou Joaquim Maria Moreira Cardozo, pernambucano de Recife, formado engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Recife, foi poeta, contista, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor universitário e editor; na imprensa, fez charges para o Diário de Pernambuco, colaborou nas Revista do Norte (foi diretor), Revista do Patrimônio Histórico, Para Todos e Módulo; foi professor de Teoria e Filosofia da Arquitetura na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco; bibliografia: Poemas (1947), Signo estrelado (1960), Coronel de Macambira (1963), De uma noite de festa (bumba-meu-boi, 1971), Poesias Completas (1971), Os anjos e os demônios de Deus (1973), O capataz de Salema, Antonio Conselheiro, Marechal, boi de carro (1975), O interior da matéria (1976), Um livro aceso e nove canções sombrias (póstumo, 1981); como engenheiro civil, participou dos cálculos de projetos de obras monumentais de Oscar Niemeyer, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Minas Gerais, e do Palácio da Alvorada, Catedral Metropolitana, Cúpula do Congresso Nacional, Palácio Itamarati, todos em Brasília — DF, além de outros trabalhos.
Com minhas próprias mãos abro esta porta
Que dá para o jardim do esquecimento,
Onde vejo a cisterna e vejo a horta
De água e fruto inválidos. Movimento
De asas infinitas os ares corta,
E fecha o meu aberto pensamento
No ponto essencial da linha torta,
Que do ser é limite e acabamento.
Com minhas próprias mãos cultivo a terra
Da morte: a terra ex-terra, a finis terra,
E o adubo da Imemória manuseio.
O gesto de lançar uma semente
É como um gesto de adeus; só e ausente,
Neste jardim, eu próprio me semeio.

De uma noite de festa — bumba-meu-boi, Joaquim Cardozo, sem data de edição, Círculo do Livro S.A., São Paulo — SP; Joaquim Cardozo (1897 — 1978), ou Joaquim Maria Moreira Cardozo, pernambucano de Recife, formado engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Recife, foi poeta, contista, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor universitário e editor; na imprensa, fez charges para o Diário de Pernambuco, colaborou nas Revista do Norte (foi diretor), Revista do Patrimônio Histórico, Para Todos e Módulo; foi professor de Teoria e Filosofia da Arquitetura na antiga Escola de Belas Artes de Pernambuco; bibliografia: Poemas (1947), Signo estrelado (1960), Coronel de Macambira (1963), De uma noite de festa (bumba-meu-boi, 1971), Poesias Completas (1971), Os anjos e os demônios de Deus (1973), O capataz de Salema, Antonio Conselheiro, Marechal, boi de carro (1975), O interior da matéria (1976), Um livro aceso e nove canções sombrias (póstumo, 1981); como engenheiro civil, participou dos cálculos de projetos de obras monumentais de Oscar Niemeyer, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Minas Gerais, e do Palácio da Alvorada, Catedral Metropolitana, Cúpula do Congresso Nacional, Palácio Itamarati, todos em Brasília — DF, além de outros trabalhos.







