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(Folha Bancária n ° 3.266 — sexta e segunda-feira, 23 e 26 de dezembro de 1994 — Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região — CUT)
CRÔNICA DE UM BANCÁRIO
Sr. Presidente,
A propósito das matérias e adesivos com o título acima, devo considerar que fiquei horrorizado com tal escândalo. Então, não é que os banqueiros andaram metendo a mão no peru dos bancários! Conversei com alguns amigos e amigas e eles ponderaram que não devia ser verdade.
Consideravam que era muita sacanagem e que os banqueiros não iriam querer ficar falados nas bocas. Eu, de minha parte, argumentei que conhecia o pessoal do Sindicato e o pessoal da imprensa e que, se o fato não tivesse ocorrido, de maneira alguma eles iriam inventar tal notícia. Se publicaram é porque o fato ocorreu.
Convencido disso sai a campo para verificar a repercussão do assunto na sociedade.
Uma senhora de Santana (o bairro, não o carro), brandindo a Folha Bancária, dizia ser aquilo uma obscenidade que não se fazia nem entre quatro paredes e às escuras. Com as faces ruborizadas afirmou que não via tal depravação nem na novela das oito. Disse que ia consultar sua comunidade e propor uma Marcha dos Bancários Contra a Libertinagem.
Num furo de pesquisa consegui localizar um dos bancários, vítima do escândalo. Ele relatou que estava bastante chateado com o que chamou de incidente, logo agora que iria visitar a família no interior. Na certa, a fofoca já corria o mundo.
Pra disfarçar, disse que iria comprar um panetone e um torrone ou qualquer outra coisa para qual seu décimo-terceiro minguado desse.
Mário Vargas Llosa, de passagem pela paulicéia, não entendeu nada. Mas comentou: "Los banqueros meten las manos en todo lugar. En la Argentina, en la Bolivia, en lo Uruguai, en la Xiririca de la Sierra e también en lo Peru. Pero esto no es novedade!"
Bancários do Sogeral, por sua vez, gritavam sem parar: "Habemus peru! Habemus peru!". Não entendiam a razão de tanta manchete sobre o assunto se o banqueiro já tinha soltado o peru deles.
Bancários de outros rincões retrucavam: "O nosso ainda não!!!"
Sr. Presidente, eu poderia desfiar outro rosário de parágrafos com impressões de mais segmentos sociais. Creio porém que o acima descrito já demonstra o quanto o assunto vem tocando os mais diversos cidadãos e cidadãs deste país real.
Para finalizar, aproveito a oportunidade pra fazer coro com a grita geral dos bancários: — Banqueiro, tire a mão do meu peru!
Atenciosamente,
Natalino da Silva
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Folha Bancária n° 3.266, de 23 e 26 de dezembro de 1994 — Fez-se e divulgou-se esta crônica no calor de uma campanha sindical contra os banqueiros que, no fim-de-ano, calculavam a correção monetária das antecipações do 13° salário, embolsavam-na e a publicava em seus balanços. Para os bancários e para o Sindicato, tratava-se de receber, em dezembro, o 13° cheio.
Natalino da Silva e Genésio dos Santos são a mesma pessoa.