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[traduzidos por André Vallias]
Li
Tai Po domina setenta idiomas . . .
Li Tai Po domina setenta idiomas.
Setenta demônios não vão seduzi-lo.
Li Tai Po diz rezas em setenta
idiomas.
Em setenta idiomas pragueja no exílio.
— o —
Aos
pósteros [Den Nachgeborenen]
Confesso: eu
Não tenho esperança.
Cegos falam de uma escapatória. Eu
Enxergo.
Quando os erros já se esgotaram
Senta-se (derradeira companhia)
O nada à nossa frente.
— o —
O faminto . . .
O faminto que leva
Teu último pão tu vês como inimigo
Mas no pescoço do ladrão que nunca
Passou fome tu não pulas.
Litaipee kann in siebzig Sprachen reden. . .
.
Litaipee kann in siebzig Sprachen reden.
Siebzig Teufel der Hölle können ihn nicht versuchen.
Litaipee kann in siebzig Sprachen beten.
In siebzig Sprachen kann Litaipee fluchen.
[1918]
— o —
Den Nachgeborenen
Ich gestehe es: ich
Habe keine Hoffnung.
Die Blinden reden von einem
Ausweg. Ich
Sehe.
Wenn die Irrtümer verbraucht
sind
Sitzt als letzter
Gesellschafter
Uns das Nichts gegenüber.
[c. 1920]
—
o —
Den
Hungernden, . . .
Den Hungernden, der dir
Das letzte Brot wegnimmt,
siehst du als Feind an.
Aber dem Dieb, der nie
gehungert hat
Springst du nicht an die Gurgel.
[c. 1934]
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Bertolt Brecht — Poesia, bilíngue, Introdução e Tradução de André Vallias,
1ª edição, 2019, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Eugen Berthold Friedrich Brecht
(1898 — 1956), alemão de Augsburg — Baviera, estudou na Escola Real de Augsburg,
formou-se em 1917 e iniciou curso de Medicina, em Munique, abandonando-o para trabalhar
em direção teatral e dramaturgia, foi poeta, dramaturgo, encenador, enfermeiro em
Hospital Militar; ainda estudante, deu início à produção de textos literários; ao
ser convocado pelo exército, na Primeira Guerra, serviu como enfermeiro em hospital
militar; desde 1921 dirigiu e se envolveu em dramaturgia em Munique e, a partir
de 1924, em Berlim; em 1933, com a ascensão de Hitler, deixou a Alemanha, exilando-se
primeiro na Dinamarca, depois nos Estados Unidos e na Suiça; em 1948, de volta à
Alemanha, fundou a companhia teatral Berliner Ensemble; Brecht, atuante na poesia
e na arte dramática, deixou-nos extensa produção: em arte dramática, Baal (texto
de 1918/produção em 1923), Trommein in der Nacht (Tambores na Noite, 1919/1922),
Mann is Mann (Um Homem é um Homem, 1924-26/1926), Die Dreigroschenoper (A Ópera
dos Três Vinténs, 1928/1928), Die Kleinbürgerhochzeit (O Casamento do Pequeno Burguês,
1919/1926), Die Ausnahme und die Regel (A Exceção e a Regra, 1930/1938), em poesia:
Psalmen (Salmos, texto de 1926, publicado em 1960), Bertolt Brechts Hauspostille
(Breviário Doméstico de Bertolt Brecht, 1916-25/1926), Die Augsburger Sonette (Os
Sonetos de Augsburgo, 1925-27/1982), Sonette (Sonetos, 1932-34/1951), Englische
Sonette (Sonetos Ingleses, 1934), Lieder Gedichte Chöre (Canções, poemas, coros,
1918-33/1934), Chinesische Gedichte (Poemas chineses, 1938-1949), Svendborger Gedichte
(Poemas de Svendborger, 1934-38/1939), Gedichte im Exil (Poemas no Exílio, 1936-44/1988),
Deutsche Satiren — zweiter Teil (Sátiras alemãs — parte dois, 1945/1988), Gedichte
über die Liebe (Poemas sobre o amor, 1917-56/1982), Hundert Gedichte: 1918 bis 1950
(Cem Poemas: 1918 a 1950, 1958) e tantos outros textos em verso e prosa, escritos
e produzidos para o teatro; sua poesia não se dissocia da arte dramática, havendo
em seus poemas o mesmo sentido épico e didático de suas peças teatrais.