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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Glauco Mattoso: Soneto para o Pão do Espírito [2275]

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Um livro, avisa Murphy, sempre pede
extrema paciência a seu autor.
Forçoso lhe será que não arrede
em nada e nunca ceda ao revisor.

Coitado do poeta se ele cede!
Achando que lhe faz algum favor,
o cara altera as tônicas e impede
que o “se” se torne enclítico... É um censor!

Maior erro é mandar originais
sem erros, impecáveis, para os tais
boçais da revisão, que vivem disso...

Melhor é cometer um erro crasso,
grosseiro, de propósito: é o que faço,
deixando o babacão mostrar serviço...

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A Letra da Ley — Série Mattosiana, Volume 4, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ficcionista, ensaísta e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico, trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil (de 1977 a 1981, compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é: Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Glauco Mattoso: Soneto da Cacofonia Eletrônica [1422]

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Qual música, qual nada! O som se iguala
à máquina da fábrica, que bate
na peça, feito estaca, até torná-la
monótono compasso, sem quilate...
                              
Mecânico, sem vida, isso que embala
as noites de quem dança em nenhum vate
provoca impulsos de valsar na sala
nem pôr-lhe a letra que de amores trate...

Chamou-se “discoteca” a porcaria;
agora é só “balada”, que varia
bem menos que um martelo sobre o prego...

E, cada vez que escuto isso na rua,
concluo nada haver que substitua
o cravo, quando o ouvinte ficou cego...

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A Letra da Ley — Série Mattosiana, Volume 4, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ficcionista, ensaísta e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico, trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas na USP  São Paulo;  tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil (de 1977 a 1981, compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é: Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos períodicos literários; é sonetista inveterado; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil.

Glauco Mattoso: Soneto do Réu Confesso [808]

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"Morreu a poesia? Não fui eu!"
gozou Zé Paulo Paes. Agora alguém
sustenta que a matou e que fez bem:
"Matei não só a Marília: até o Dirceu!"

Pergunto: quem dirá que um verso meu
despacha uma mosquinha para o Além?
No máximo um político o desdém,
abaixo do cocô, me mereceu!

Eu próprio quis matar a poesia
mais de uma vez, tocando fogo nela
ou "abolindo o verso" e a pondo fria.

Não deu: a desgraçada se rebela,
renasce, ressuscita, desafia,
e bobo faz de quem lhe acende vela.

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As Mil e Uma Línguas  Série Mattosiana, Volume 3, 2008, Dix Editorial Annablume, São Paulo SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ficcionista, ensaísta e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico, trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas na USP  São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil (de 1977 a 1981, compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo — SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é: Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversas periódicos literárias; é sonetista inveterado; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O Estilhaço: Editoriaço

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ABRIL/1996  O ESTILHAÇO É UM JORNALECO DE FUNCIONÁRIOS DA AG.TESOURO BB, UMA AGÊNCIA ESTILHAÇADA. TEM PEDAÇO PRA TUDO QUANTO É LADO DE SÃO PAULO.

EDITORIAÇO

          Nossa Agência já tem dez meses de vida! E haja ânimo pra integrar o que já nasceu desintegrado!
          Não bastasse o caótico trânsito a atravancar a nossa imensa vontade de integração, ainda temos que conviver, nesta época do ano, com as enchentes que contribuem sobremaneira para um maior isolamento de algumas seções como a EMBRA, nas cercanias de Osasco, a COLUM, quase na divisa com São Caetano do Sul e a PETRO/Diproc, no caminho de Itapecerica da Serra.
          Diz um chavão que na vida a gente se acostuma até com o câncer, etc. Absolutamente! Não concordamos com isso. Ou fazemos uma enorme força pra não concordar. Até que provem o contrário, respiramos e estamos bem vivos. E precisamos nos comunicar!
          As três seções acima citadas são apenas exemplos extremados do nosso distanciamento. Nossa Agência tem 230 funcionários e é formada por duas dezenas de seções localizadas em todo o chamado centro expandido desta megalópole. Através deste veículo informativo, pretendemos juntar nossos cacos jogados nesta paulicéia esparramada.
          Temos consciência de que a tarefa é difícil e nada confortável! Ruas esburacadas, vielas, becos sem saída, sinais quebrados no vermelho, alguns atalhos, uns tantos desvios e, que ninguém nos ouça, até arriscamos uma ou outra contramão. Mas, tudo pela comunicação.
          Vale a pena tentar! Estamos nos propondo a isso!
A Redação
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O Estilhaço — suplemento do devezenquandário Na Moita — abril/1996 — editores interinhos: P. Cunha e P. da Silva; jornaleco distribuído na Agência Centro do Banco do Brasil (e adjacências!), em São Paulo, na década de 90 do século e milênio passados; P. Cunha, P. da Silva, Degas, Satélio, Jorge Nagao e Genésio dos Santos, ativistas da palavra e bancários aposentados do BB, são no máximo duas só pessoas.