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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Manuel Bandeira: Belo belo

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Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.

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Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século — seleção de Ítalo Moriconi, 2001, Editora Objetiva, Rio de Janeiro — RJ; Manuel Bandeira (1886 1968), pernambucano de Recife, foi poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e antologista; seu legado literário é extenso, deixou-nos muitas obras em verso e prosa e também organizou e publicou antologias de diversas autores e épocas; obra poética: A Cinza das Horas (Edição do Autor, 1917, Jornal do Comércio, Rio de Janeiro RJ), Carnaval (Edição do Autor, 1919, Rio de Janeiro), Poesias, acrescida de O Ritmo Dissoluto (1924, Rio de Janeiro), Libertinagem (1930, Edição do Autor, Rio de Janeiro), Estrela da Manhã (1936, Edição do Autor, Rio de Janeiro), Poesias Completas, acrescida de Lira dos Cinquent'Anos (Edição do Autor, Rio de Janeiro), Poemas Traduzidos (1945, Rio de Janeiro), Opus 10 (1952, Niterói RJ), Alumbramentos (1960, Rio de Janeiro), Estrela da Tarde (1960, Rio de Janeiro) e outros; obra em prosa: Crônicas da Província do Brasil (1936, Rio de Janeiro), Guia de Ouro Preto (1938, Rio de Janeiro), Noções de História das Literaturas (1940, Rio de Janeiro), Autoria das Cartas Chilenas (1940, Rio de Janeiro), Apresentação da Poesia Brasileira (1946, Rio de Janeiro), Literatura Hispano-Americana (1949, Rio de Janeiro), Gonçalves Dias, Biografia (1952, Rio de Janeiro), De Poetas e de Poesia (1954, Rio de Janeiro), A Flauta de Papel (1957, Rio de Janeiro), Andorinha, Andorinha (1966, José Olympio, Rio de Janeiro), Itinerário de Pasárgada (1966, Editora do Autor, Rio de Janeiro), Colóquio Unilateralmente Sentimental (1968, Editora Record, Rio de Janeiro), Berimbau e Outros Poemas (Nova Fronteira, Rio de Janeiro) e outros; antologias:  Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica, da Fase Parnasiana, da Fase Moderna — Volume 1, da Fase Moderna — Volume 2 (todas editadas pela Nova Fronteira, Rio de Janeiro), Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos (Nova Fronteira, Rio de Janeiro), Antologia dos Poetas Brasileiros — Poesia Simbolista (Nova Fronteira, Rio de Janeiro), Antologia Poética (1961, Editora do Autor, Rio de Janeiro), Poesia do Brasil (1963, Editora do Autor, Rio de Janeiro) e outros; além disso, selecionou e organizou obras de outros autores e traduziu textos de Schiler, Shakespeare, Jean Cocteau, Zorrilla, Fréderic Mistral, Brecht, Morris West, John Ford e outros.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

João Cabral de Melo Neto: Antiode (contra a poesia dita profunda)

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             A

Poesia, te escrevia:
flor! conhecendo
que és fezes. Fezes
como qualquer,

gerando cogumelos
(raros, fragéis, cogu-
melos) no úmido
calor de nossa boca.

Delicado, escrevia:
flor! (Cogumelos
serão flor? Espécie
estranha, espécie

extinta de flor, flor
não de todo flor,
mas flor, bolha
aberta no maduro)

Delicado, evitava
o estrume do poema,
seu caule, seu ovário,
suas intestinações.

Esperava as puras,
transparentes florações,
nascidas do ar, no ar,
como as brisas.


             B

Depois, eu descobriria
que era lícito
te chamar: flor!
(Pelas vossas iguais

circunstâncias? Vossas
gentis substâncias? Vossas
doces carnações? Pelos
virtuosos vergéis

de vossas evocações?
Pelo pudor do verso
— pudor de flor —
por seu tão delicado

pudor de flor,
que só se abre
quando a esquece o
sono do jardineiro?)

Depois eu descobriria
que era lícito
te chamar: flor!
(flor, imagem de

duas pontas, como
uma corda). Depois
eu descobriria
as duas pontas

da flor: as duas
bocas da imagem
da flor: a boca
que come o defunto

e a boca que orna
o defunto com outro
defunto, com flores,
— cristais de vômito.


             C

Como não invocar o
vício da poesia: o
corpo que entorpece
ao ar de versos?

(Ao ar de águas
mortas, injetando
na carne do dia
a infecção da noite).

Fome de vida? Fome
de morte, frequentação
da morte, como de
algum cinema.

O dia? Árido.
Venha, então, a noite,
o sono. Venha,
por isso, a flor.

Venha, mais fácil e
portátil na memória,
o poema, flor no
colete da lembrança.

Como não invocar,
sobretudo, o exercício
do poema, sua prática,
sua lânguida horti-

cultura? Pois estações
há, do poema, como
da flor, ou como
no amor dos cães;

e mil mornos
enxertos, mil maneiras
de excitar negros
êxtases, e a morna

espera de que se
apodreça em poema,
prévia exalação
de alma defunta.


             D

Poesia, não será esse
o sentido em que
ainda te escrevo:
flor! (Te escrevo:

flor! Não uma
flor, nem aquela
flor-virtude — em
disfarçados urinóis.).

Flor é a palavra
flor, verso inscrito
no verso, como as
manhãs no tempo.

Flor é o salto
da ave para o vôo;
o salto fora do sono
quando seu tecido

se rompe; é uma explosão
posta a funcionar,
como uma máquina,
uma jarra de flores.


             E

Poesia, te escrevo
agora: fezes, as
fezes vivas que és.
Sei que outras

palavras és, palavras
impossíveis de poema.
Te escrevo, por isso,
fezes, palavra leve,

contando com sua
breve. Te escrevo
cuspe, cuspe, não
mais; tão cuspe

como a terceira
(como usá-la num
poema?) a terceira
das virtudes teologais.

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Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século — seleção de Ítalo Moriconi, 2001, Editora Objetiva, Rio de Janeiro — RJ; João Cabral de Melo Neto (1920  1999), pernambucano de Recife, serviu na carreira diplomática em vários países, foi poeta, e considerado como um dos maiores autores de poesia brasileira; obra poética: Pedra do sono (1942), O engenheiro (1945), Psicologia da Composição com a Fábula de Anfion e Antiode (1947), O cão sem plumas (1950), O rio (1954), Quaderna (1960), A educação pela pedra (1966), Morte e vida severina e outros poemas em voz alta (1966), Museu de tudo (1975), A escola das facas (1980), Auto do frade (1986), Crime na Calle Relator (1987), Sevilla andando (1989) etc.; em prosa, publicou O Brasil no arquivo das Índias de Sevilha, uma pesquisa histórico-documental, editado pelo Ministério das Relações Exteriores, Considerações sobre o poeta dormindo (1941), Juan Miró (1952), e outros títulos; por diversas vezes recebeu prêmios literários no Brasil e no exterior.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Antonio Cicero: Guardar

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Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Guardar – Poemas Escolhidos
 (1996, Record, Rio de Janeiro – RJ)

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Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século — seleção de Ítalo Moriconi, 2001, Editora Objetiva, Rio de Janeiro — RJ; Antonio Cicero Correia Lima, carioca, nascido em 1945, compositor, poeta, ensaísta e filósofo, iniciou seu curso de filosofia no Rio de Janeiro (PUC e UFRJ), vindo a conclui-lo na Inglaterra (Universidade de Londres); é pós-graduado pela Georgetown University, nos EUA, onde estudou Grego e Latim; é autor de O Mundo desde o Fim, ensaio filosófico (1995, Francisco Alves, Rio de Janeiro — RJ), Guardar, poemas (1996, Record, Rio de Janeiro — RJ), A cidade e os livros, poemas (2002, Record, Rio de Janeiro — RJ), Finalidades sem fim, ensaio filosófico (2005, Companhia das Letras, São Paulo — SP), Porventura, poemas (2012, Record, Rio de Janeiro — RJ), Poesia e filosofia, ensaio filosófico (2012, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ), entre outros títulos, além de ter publicações em coletâneas e em parceria de diversas obras — reflexões filosóficas, poéticas e artísticas...

domingo, 26 de agosto de 2012

Manuel Bandeira: Vou-me embora pra Pasárgada

Da série: Poemas considerados clássicos nos meios acadêmicos e literários da língua portuguesa.

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Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água.
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


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Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século  seleção de Ítalo Moriconi, 2001, Editora Objetiva, Rio de Janeiro  RJ; Manuel Bandeira (1886 1968), pernambucano de Recife, foi poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e antologista; seu legado literário é extenso, deixou-nos muitas obras em verso e prosa e também organizou e publicou antologias de diversas autores e épocas; obra poética: A Cinza das Horas (Edição do Autor, 1917, Jornal do Comércio, Rio de Janeiro  RJ), Carnaval (Edição do Autor, 1919, Rio de Janeiro), Poesias, acrescida de O Ritmo Dissoluto (1924, Rio de Janeiro), Libertinagem (Edição do Autor, 1930, Rio de Janeiro), Estrela da Manhã (Edição do Autor, 1936, Rio de Janeiro), Poesias Completas, acrescida de Lira dos Cinquent'Anos (Edição do Autor, Rio de Janeiro), Poemas Traduzidos (1945, Rio de Janeiro), Opus 10 (1952, Niterói  RJ), Alumbramentos (1960, Rio de Janeiro), Estrela da Tarde (1960, Rio de Janeiro) e outros; obra em prosa: Crônicas da Província do Brasil (1936, Rio de Janeiro), Guia de Ouro Preto (1938, Rio de Janeiro), Noções de História das Literaturas (1940, Rio de Janeiro), Autoria das Cartas Chilenas (1940, Rio de Janeiro), Apresentação da Poesia Brasileira (1946, Rio de Janeiro), Literatura Hispano-Americana (1949, Rio de Janeiro), Gonçalves Dias, Biografia (1952, Rio de Janeiro), De Poetas e de Poesia (1954, Rio de Janeiro), A Flauta de Papel (1957, Rio de Janeiro), Andorinha, Andorinha (1966, José Olympio, Rio de Janeiro), Itinerário de Pasárgada (1966, Editora do Autor, Rio de Janeiro), Colóquio Unilateralmente Sentimental (1968, Editora Record, Rio de Janeiro), Berimbau e Outros Poemas (Nova Fronteira, Rio de Janeiro) e outros; antologias: Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica, da Fase Parnasiana, da Fase Moderna Volume 1, da Fase Moderna  Volume 2 (todas editadas pela Nova Fronteira, Rio de Janeiro), Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos (Nova Fronteira, Rio de Janeiro), Antologia dos Poetas Brasileiros  Poesia Simbolista (Nova Fronteira, Rio de Janeiro), Antologia Poética (1961, Editora do Autor, Rio de Janeiro), Poesia do Brasil (1963, Editora do Autor, Rio de Janeiro) e outros; além disso, selecionou e organizou obras de outros autores e traduziu textos de Schiler, Shakespeare, Jean Cocteau, Zorrilla, Fréderic Mistral, Brecht, Morris West, John Ford e outros.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Um naquinho de prosa: mês de março, mulheres, poesia

 
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Minas e manos,

Desde o início deste mês de março venho postando, privilegiadamente, textos de autoria feminina  a grande maioria, textos poéticos. Já são mais de 30 postagens. O evidente objetivo é/foi, através da poesia, render tributo às mulheres no seu dia/mês internacional, tributo este remissivo a 8 de março de 1917.

E é neste mês também que, por coincidência, o texto poético é reverenciado duplamente: no dia 14, comemoramos o dia nacional da poesia — data do nascimento do poeta Castro Alves (1847 
 1871) e, no dia 21, os poemas têm/tiveram o seu dia mundial. Eis as razões explícitas para a empreitada poética deste Verso e Conversa neste mês.

Aqui pra nós, confesso ter sido bem gratificante ler e reler poemas, e também crônicas e outros textos, elaborados por inúmeras gerações femininas e selecionar alguns para serem postados. Dos registros que encontrei, manuseando 22 volumes 
 8 antologias, coletâneas e roteiros, quase que absolutamente adquiridos em sebos, nos últimos anos , constatei que, quanto mais se voltava no tempo, retornando até meados do século XIX, mais difícil foi garimpar textos de autoria feminina. Os registros que estiveram ao meu alcance são/foram bem poucos. De épocas anteriores, então, a tarefa me pareceu algo impossível.

Se não, vejamos:

  • Manuel Bandeira, em Apresentação da Poesia Brasileira (1946, Editora Casa do Estudante do Brasil, Rio de Janeiro  RJ), nos apresenta 103 poemas de 40 poetas  de meados do século XVII (com Gregório de Matos) até a primeira metade do século XX  dos quais é feito registro de apenas uma mulher, Cecília Meireles (1901  1964), com 4 poemas;
  • Edgard Rezende, por sua vez, em Os Mais Belos Sonetos Brasileiros (1947, Casa Editora Vecchi, Rio de Janeiro RJ), seleciona 324 sonetos de igual número de poetas, também do século XVII até o século XX. Ali, se registram 23 sonetos escritos por 23 mulheres poetas. Eis os quatro registros mais antigos: Emiliana Delminda (1865 1963), Úrsula Garcia (1865  1905), Júlia Cortines (1868  1948), Ibrantina Cardona (1872  1956 ?);
  • Ainda Edgard Rezende, em Os Cem Melhores Sonetos Brasileiros (1950, Livraria Freitas Bastos, Rio de Janeiro RJ), selecionando trabalhos de 43 poetas já mortos à época, abrangidos da 2ª metade do século XIX até os anos 30 do século XX, nos apresenta uma só poeta mulher, Carmen Cinira (1905 1933), com um soneto;
  • Já Sergio Faraco, organizador do Livro dos Sonetos: 1500 1900, poetas portugueses e brasileiros (1999, L&PM, Porto Alegre  RS), o qual nos apresenta 84 sonetistas e 99 sonetos  desde o português Sá de Miranda (1481 1558) até o brasileiro Raul de Leoni (1895 1926), seleciona e nos presenteia com 7 poetisas e 10 sonetos de autoria delas. Eis os três registros mais antigos: Violante do Céu (1602 1693), portuguesa, com dois sonetos; Marquesa de Alorna (1750 1839), outra portuguesa, com um soneto; e Júlia Cortines (1868 1948), brasileira, também com um soneto;
  • Ítalo Moriconi, por sua vez, em Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século (2001, Editora Objetiva, Rio de Janeiro RJ), seleciona textos poéticos de 59 autores do Século XX, dos quais registra 20 poemas de 12 poetisas. Seguem os três registros mais antigos: Gilka Machado (1893 1980), um poema; Cecília Meireles (1901 1964), seis poemas; e Maria Ângela Alvim (1926 1959), um poema;
  • Em Antologia de Antologias — 101 poetas brasileiros "revisitados" (2004, Musa Editora, São Paulo  SP), Magaly Trindade Gonçalves, Zélia Maria Thomaz de Aquino e Zina Bellodi Silva registram 297 poemas de um período compreendido entre a década de 50 do século XVI e meados do século XX, todos já constantes de antologias editadas anteriormente por diversos estudiosos. Nesta revisitação, somos presenteados com 9 textos de 3 poetisas: Francisca Júlia (1871  1920), com três poemas; Auta de Souza (1876  1901), com um poema; e Cecília Meireles (1901 1964), com cinco poemas;
  • As mesmas autoras/pesquisadoras acima, em Antologia de Antologias  prosadores brasileiros "revisitados" (1996, Musa Editora, São Paulo  SP), de 221 textos em prosa selecionados de 120 escritores e poetas do século XVI à primeira metade do século XX, e também constantes de antologias editadas anteriormente, nos põe em contato com duas escritoras, Raquel de Queiroz (1910  2003), com dois textos, e Clarice Lispector (1920  1977), com um texto;
  • Em Roteiro da Poesia Brasileira 15 volumes, de "Raízes" aos "Anos 2000" (edições de 2006 a 2011, Global Editora, São Paulo SP), com seleção de diversos literatos e estudiosos, nos deparamos com o seguinte quadro nos períodos literários mais antigos: em dois volumes, "Raízes" e "Arcadismo", com 8 e 7 poetas respectivamente, não há nenhum registro de autoria feminina; em "Romantismo" foram selecionados 20 poetas dos quais apenas 1 registro feminino, Narcisa Amália (1852 1924), com 2 poemas; em "Parnasianismo" constam 19 poetas, sendo duas mulheres, Francisca Júlia (1871 1920), com 8 sonetos, e Júlia Cortines (1868 1948), com 5 poemas; em "Simbolismo", entre 24 poetas, só um registro feminino, Auta de Souza (1876 1901), com 3 poemas; em "Pré-Modernismo", de 14 poetas, uma só é mulher, Gilka Machado (1893 1980), com 10 poemas registrados;
Ufa! Isso foi 99% do que manuseei e li nesta minha empreitada. Contudo e apesar de tudo, agora vocês estão sabendo, entreguei a "encomenda" autoprometida no início do mês: a postagem de poemas (e outros textos) de autoras de diversas gerações. Espero que tenham gostado. 

Parabéns, poetisas, cronistas, contistas e escritoras!
Parabéns, mulheres!
Parabéns, leitoras... e leitores, claro!
Genésio dos Santos,
aprendiz de blogueiro
 e pesquisador-aprendiz
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