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quarta-feira, 30 de julho de 2014

José Chagas: Lavoura azul

Resultado de imagem para Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 50
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Trabalho nuvens como quem trabalha
o chão que é seu, mas eu não tenho chão.
Cultivador da natureza falha,
planto no azul o que de azul me dão.

Sobre o campo de nuvens cresce a palha
de sonho e cobre a minha solidão.
E esse abrigo de sonhos me agasalha
contra os falsos azuis que vêm e vão.

Minha roça no ar produz estrelas,
mas eu não tenho mãos para colhê-las,
nesta safra de azul que é nova e antiga.

Sou lavrador do quanto não se lavra
e é preciso que eu ceife na palavra
o maduro do azul e a sua espiga. 

                 Lavoura azul, 1974

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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 50, Seleção e Prefácio de André Seffrin, Direção de Edla van Steen, primeira edição, 2007, Editora Global, São Paulo — SP; José Francisco das Chagas (1924  2014), paraibano de Piancó, foi poeta, escritor, cronista e jornalista; escreveu e publicou Canção da expectativa (1955), O discurso da ponte (1959), Pedra de Assunto (crônicas, 1961), Os telhados (1965), Maré-memória (1973), Lavoura azul (1974), Colégio do vento (1974), Maré de moça (1977), Pão e água (1978), Os canhões do silêncio (1979), A arcada do tempo (1982), Cem anos de infância ou o poeta e o rio (1985), entre outros títulos; teve alguns de seus poemas musicados por cantores da MPB Chico César, Ednardo, Zeca Baleiro, Fagner e outros, no CD A Palavra Acesa de José Chagas (2013).