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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Judas Isgorogota: Divina mentira

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Pobrezinha da mãe que teve um filho poeta
E o viu cedo partir para as bandas do mar…
Nunca mais que ele volte à mansão predileta,
Nunca mais que ela deixe, um dia, de chorar…

É como a água de um lago, inteiramente quieta,
A alma de toda mãe que vive a meditar:
O mais leve sussurro é-lhe um toque de seta,
A mais leve impressão basta para a assustar…

Eu, por sabê-la assim, quando lhe escrevo, digo:
 Minha querida mãe, não se aflija comigo.
Eu vou passando bem… Jesus vela por mim…

É que assim, ela  a humana expressão da bondade 
Contente por saber que vou sem novidade,
Jamais há de pensar que eu vá mentir-lhe assim…

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Seleção e Organização de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Agnelo Rodrigues de Melo, conhecido pelo pseudônimo Judas Isgorogota (1901  1979), alagoense de Lagoa da Canoa, foi jornalista e poeta; fez seus estudos primário e secundário em sua cidade natal e em Maceió, escreveu seus primeiros sonetos para o jornalzinho humorístico O Bacurau, ainda em Maceió, sob o pseudônimo de Judas Isgorogota; mudando-se para São Paulo, trabalhou em gráfica, editora e na Revista do Brasil, todas de propriedade de  Monteiro Lobato, depois, trabalhou no Jornal do Comércio e n’A Gazeta, onde permaneceu por quatro décadas, redigiu a Página Literária e foi um dos redatores da Gazeta Infantil, primeiro jornal destinado à infância, criação de Cásper Líbero; bibliografia: Caretas (1918), Um Pirralho na Arca de Noé (1927), Divina Mentira (1927), A Fada Negra (1928), O Violino Mágico (1928), Recompensa (1936), O Bandeirante Fernão (1937), Desencanto (1938), Fascinação (1940), Os que vêm de longe (1946), Poesias Musicadas (1946), Pela Mão das Estrelas (1947), Interlúdio (1950), Música Proibida (1952), Versos da Idade de Ouro (1954), Sapatinhos de Prata (1954); Judas Isgorogota, antes de adotar definitivamente este nome literário, também fez uso dos pseudônimos Pinto Seth, Paulo Aaron e Papá Noé com os quais assinava seus textos nos jornais onde colaborava; recebeu premiações por sua obra e teve parte de sua obra poética vertida para os idiomas francês, alemão, espanhol, italiano, húngaro, árabe, tcheco e lituano; o poeta publicou 15 livros de poesias, uma novela e 5 livros de poesias infantis, além de outros textos que não foram editados.