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De onde vêm as lágrimas justas, o cansaço
de Wang Hai-jung durante as reuniões de domingo?
A guerra gera as coisas boas,
a pura paz espera os soldados.
As lágrimas caem do céu? Não.
Quando acaba a contradição entram em casa a morte,
as flores, as lágrimas das mulheres.
Aquele que morreu não o saberá nunca.
A morte é propriedade dos vivos,
aquele que morreu já não vive nem está morto.
O processo antigo está terminado e inicia-se o novo:
movimento mecânico, som, luz, calor, electricidade, decomposição,
combinação, etc.
9 de setembro de 1976
Slim da Silva [heterônimo do poeta]
(Aquele
que quer morrer — 1978)
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Manuel António Pina: O coração
pronto para o roubo — poemas escolhidos, Seleção, Organização e Posfácio de Leonardo
Gandolfi e Apresentação [orelha da capa] de Tarso de Melo, 1ª edição, 2018, Editora
34, São Paulo — SP; Manuel António Pina (1943 — 2012), português de Sabugal, formou-se
em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, foi advogado, jornalista,
dramaturgo, poeta, cronista e autor de livros infantis; trabalhou por três décadas
no Jornal de Notícias, no Porto, cidade onde viveu desde a idade de dezessete anos;
também colaborou com o Jornal de Música e com a revista Notícias Magazine; suas
obras: em poesia, Ainda não é o fim nem o princípio do mundo calmo é apenas um pouco
tarde (1974), Aquele que quer morrer (1978), A lâmpada do quarto? A criança? (1981),
O pássaro da cabeça (1983), Nenhum sítio (1984), O caminho de casa (1989), Um sítio
onde pousar a cabeça (1991), Farewell happy fields (1993), Cuidados intensivos (1994),
Nenhuma palavra e nenhuma lembrança (1999), Atropelamento e fuga (2001), Os livros
(2003), Como se desenha uma casa (2011) etc., em prosa, Os papéis de K (novela,
2003), O anacronista (crônicas, 1994), Porto, modo de dizer (crônicas, 2002), Dito
em voz alta (coletânea de entrevistas concedidas pelo poeta, 2007), Por outras palavras
& mais crônicas de jornal (2010), Crónica, saudade da literatura (antologia,
publicação póstuma, 2013), para teatro e literatura infantil, O país das pessoas
de pernas para o ar (1973), Gigões & Anantes (1974), O inventão (1987), entre
outros textos em verso e prosa; teve sua obra difundida em diversos países e idiomas:
França (francês e corso), Estados Unidos, Espanha (espanhol, galego e catalão),
Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Rússia, Croácia e Bulgária; foi premiado diversas
vezes, tendo sido laureado, em 2011, com o Prêmio Camões, a maior honraria para
autores em língua portuguesa.

