
____________________
Quero ouvir
a linguagem
da fraternidade
universal.
Quero auroras
de bonança
e manhãs de
paz embalando
a
comunhão de todas as raças.
O mundo deve
ser uma família só,
uma grande
família feita só de irmãos
onde
todos se completem
no
trabalho bom e fecundo
como uma
árvore carregada de frutos
— frutos
que devem ser divididos entre
todos os
seres da terra.
É mister
que saibamos
encarar as
desigualdades físicas.
Como um
plano de justiça que a natureza
oferece
aos homens.
Nem a cor
nem a
desigualdade social
devem ser
pretexto
para que
os homens se atirem contra os homens.
Saibamos afastar
as fronteiras,
as possessões,
os passaportes,
as
diferenças idiomáticas
o câmbio,
o ouro
que
tornaram o mundo mesquinho e insuportável.
A terra é
farta
e vasta
como um firmamento.
Nela há
lugar para todos viverem
satisfeitos
e tranquilos.
Devemos ser
a todo transe
uma atitude
de amor e
compreensão
atuando acima
das
dissenções
do
utilitarismo sem entranhas
que tanto
infelicitam a humanidade.
____________________
Banzo — poesias:
Eduardo de Oliveira, Apresentação e Prefácio [Duas palavras] de Roberto de Paula
Leite e Paulo Bomfim, 2ª edição melhorada, 1965, Editora Obelisco, São Paulo — SP;
Eduardo de Oliveira (1926 — 2012), paulista e paulistano, foi advogado, jornalista,
professor, poeta e ativista do Movimento Negro; participou de edições dos Cadernos
negros (primeiro número em 1978) e organizou a obra Quem é quem na negritude brasileira
(1998); obras: Além do pó (1958), Ancoradouro — sonetos (1960), O Ébano
(1961), Banzo (1962), Gestas líricas da negritude (1967), Evangelho da solidão:
dez anos de poesia 1958 — 1968 (1970), Túnica de Ébano — sonetos e trovas (1980),
A cólera dos generosos: retrato da luta do negro para o negro (1988), Carrossel
de sonetos (1994); o poeta, autor da letra
e música do Hino treze de maio — cântico da Abolição, oficializado pelo Congresso
Nacional, foi vereador na capital paulista, membro da Associação Cultural do Negro,
da Casa de Cultura Afro-Brasileira e da União Brasileira dos Escritores.






