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terça-feira, 5 de junho de 2018

Cacaso: Jogos florais

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I

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.

Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho
vira direto vinagre

II

Minha terra tem Palmares
memória cala-te já.
Peço licença poética 
Belém capital Pará.

Bem, meus prezados senhores
dado o avanço da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.

(será mesmo com 2 esses
que se escreve paçarinho?)

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50 poemas de revolta (vários autores), 2017, 1ª edição, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Cacaso, ou Antônio Carlos Ferreira de Brito (1944  1987), mineiro de Uberaba, foi poeta, letrista, ensaísta e professor, tendo sido um dos expoentes representantes da geração mimeógrafo e participante da “poesia marginal” que vieram à luz no mundo literário na década de 70, uma época de censura e de ditadura política; na música foi letrista/parceiro de Elton Medeiros, Mauricio Tapajós, Edu Lobo, Tom Jobim, Sueli Costa, Joyce, Francis Hime, Sivuca, João Donato, entre outros muitos da música popular brasileira; estudou Filosofia e lecionou Teoria Literária na PUCRJ; publicou A palavra cerzida (1967), Grupo escolar (1974), Beijo na boca (1975), Segunda classe (1975), Na corda bamba (1978), Mar de Mineiro (1982) e Beijo na boca e outros poemas (antologia, 1985); teve sua obra poética recolhida postumamente no volume Lero-Lero (2002) e seus artigos reunidos no livro Não quero prosa (1997).