terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Carlos Felipe Moisés: O que é poesia? — Entrevista

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          Pergunta: O que é poesia para você?
          Carlos Felipe Moisés: No começo, aos 13-14 anos, era só uma brincadeira. No colégio onde estudei, poesia era praticamente sinônimo de "rima", e havia uma tal de "métrica", esse negócio de contar as sílabas, umas fortes, outras fracas, e por aí vai (ou melhor, ia). Então achei divertidíssimo brincar de procurar rimas, contar as sílabas nos dedos, para ver se eu tinha um decassílabo, um alexandrino ou um redondilho. Achei, desde o começo, que isso era tão divertido quanto fazer palavras cruzadas, colecionar figurinhas, jogar bola na rua, empinar papagaio, chocar traseira de caminhão, paquerar as meninas etc. Não era nada que eu levasse a sério. E ainda bem... Nessa idade, não acho saudável levar a sério seja lá o que for. Aconteceu que, lá pelos 16-17, eu li por acaso uns poetas modernos, quer dizer, do início do século XX, e de repente descobri que a poesia é a expressão mais apurada, mais densa, mais inquietante e mais verdadeira que o ser humano é capaz de dar ao seu "sentimento do mundo", como diz Carlos Drummond de Andrade. Passei a encarar a poesia como uma espécie de síntese superior de tudo quanto você for capaz de pensar e sentir, sobre a vida, a natureza, o amor e a morte, o destino, a amizade, e assim por diante. Desde essa época, a poesia me acompanha, como uma espécie de cúmplice imprescindível. Escrever os meus poemas tem-me ajudado a ir filtrando aquilo que vale a pena ser lembrado, tem me ajudado a ir deixando no papel umas imagens, umas cenas, umas impressões, que me dão a certeza de algo afinal tão banal, que é simplesmente estar vivo. Mas estar vivo como alguém que vai deixando o seu testemunho, e não como alguém que apenas sobrevive e vê o tempo passar. O que é a poesia para mim? Começou como brincadeira, depois foi-se tornando a representação simbólica do sentido (possível) da minha existência, aquela atividade sem a qual a (minha) vida não teria sentido. E, pensando bem, nunca deixou de ser, de um modo ou de outro, uma espécie de brincadeira, embora eu nunca mais me preocupasse com as rimas e com a sílabas contadas nas pontas dos dedos.
          
          P: O que um iniciante no fazer poético deve perseguir e de que maneira?
          CFM: Apesar dos vários livros publicados, alguns premiados, ou justamente por isso, não me sinto em condições de dar conselho a ninguém. Ainda que seja um "iniciante"? Ainda assim. Iniciante, na verdade, é exatamente como eu próprio me sinto, com toda a suposta "experiência" acumulada em tantos anos. Cada livro, cada poema, é aquela mesma angústia, aquela mesma dúvida dos primeiros: será que vou ser capaz? Será que que vale a pena tentar escrever sobre isto? E, depois de escrito: será que funcionou, será que acertei a mão? É sempre como se eu estivesse começando tudo de novo. Com o iniciante não é assim mesmo? Conselhos recebi muitos, e sou grato a todos: os que acatei e deram certo, os que acatei e não deram certo, os que rejeitei e poderiam ter dado certo (mas não tenho mais como saber) e os que rejeitei porque eram pura besteira. O que o iniciante deve perseguir? A sua verdade. Se ainda não tem uma, vá atrás dela. Ainda que não a encontre, valerá a pena procurar. E não acredite em nenhum conselho que lhe diga (em matéria de poesia ou outra matéria qualquer): aqui está a verdade. Mais conselhos (só para confirmar que sou mesmo contraditório): não acredite muito em elogios, prefira sempre ficar com as críticas, se eles forem inteligentes e honestas. Com os elogios excessivos, a sua busca da verdade se interrompe, você dá um suspiro de alívio e fica achando, bestamente, que já chegou lá. Com as críticas, as boas, você cresce, você se supera, e segue em frente. Como distinguir as boas das más críticas? Ah! Só você vai ser capaz de distinguir. Por fim, por melhor que seja o poema que você acabou de escrever (na sua opinião e na de "todo mundo"), ache, sempre, que você pode escrever outro ainda melhor.

          P: Cite-nos 3 poetas e 3 textos referenciais para seu trabalho poético. Por que estas escolhas? 
          CFM: Retomando o que já comentei na primeira pergunta, os poetas modernos (não foram só três, mas vou ficar com "os três mais") que me marcaram para sempre, que me ajudaram a encontrar o que talvez seja uma vocação, que me revelaram o que há de verdadeiramente humano na poesia foram: Mário de Andrade, Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade. Quando li esses poetas pela primeira vez, lá pelos 15 anos, a sensação foi uma só: eu tinha acabado de levar uma descomunal porrada, ao mesmo tempo na boca do estômago, no meio da cara e no fundo da alma. Minha vida, minha visão de mundo, nunca mais foram as mesmas. Então decidi: um dia vou escrever um poema, um só, do jeito deles, quem sabe misturando um pouco do jeito de cada um. Ainda não consegui, mas continuo tentando. Naquela idade, e depois, não tive pejo nenhum: vou imitar esses poetas. E imitei mesmo, e segui imitando, embora sempre tentando disfarçar, isto é, acrescentando à imitação alguma coisa própria. E acho (sinto) que deu mais ou menos certo: hoje não imito mais, mas não saberia dizer a partir de que momento o disfarce passou a prevalecer. Bem, os três poetas são esses, embora eu pudesse acrescentar mais alguns. Agora, três poemas? Quer dizer, um de cada? Aí já fica mais difícil. Mas posso tentar: do Mário, a Paulicéia desvairada, inteira, especialmente a série com o título "Paisagem" e a "Ode ao burguês"; do Pessoa, a dificuldade aumenta, mas digamos que o Alberto Caeiro e o Álvaro de Campos, inteiros, especialmente o "Há metafísica bastante em não pensar em nada", do primeiro, e a "Tabacaria", do segundo; do Drummond, a dificuldade é a mesma, mas vou destacar o Sentimento do mundo, A rosa do povo e o Claro enigma, inteiros, especialmente, na ordem, "Mãos dadas", "Procura da poesia" e "A máquina do mundo". Escolhas? A impressão que tenho, tantos anos depois, tanto tempo de convívio, é que eu não os escolhi, eles é que me escolheram. Ou o acaso se incumbiu de tudo.


 
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O que é poesia? (Organização: Edson Cruz), 2009, Confraria do Vento e Editora Calibán, Rio de Janeiro — RJ; no livro, Carlos Felipe Moisés e outros 44 poetas brasileiros, portugueses e hispano-americanos em atuação respondem a três proposições acerca do "fazer poético"; Carlos Felipe Moisés, nascido em 1942, paulista e paulistano, graduado em Letras Clássicas pela USP  Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado em Literatura Portuguesa também pela USP, é poeta, crítico literário, professor e tradutor, com extensa obra e publicações em jornais e revistas; obra poética: Carta de marear (1966), Poemas reunidos (1974), Círculo imperfeito (1978), Subsolo (1989), Lição de casa & poemas anteriores (1998)...

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Alphonsus de Guimaraens: O Poeta e a Arte

    
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 "Vamos, trabalha!" disse-lhe a voz da arte,
"Os versos de oiro pelo mundo espalha.
Dos teus ombros sacode essa mortalha,
E exsurge ao sol para divinizar-te!

Vê: há beijos de amor em toda parte;
Deus um sorriso em cada flor entalha.
A cor, a luz, o som tecem a malha
Para a redoiça em que hás de baloiçar-te."

Responde o poeta:  "Se ninguém me escuta,
Que val cantar? O véu do templo cerra
Desde o zênite às plagas do nadir...

Aspiro à eterna paz branca, impoluta:
De mãos postas em cruz, olhando a terra,
A morte esperarei como um faquir!



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Alphonsus de Guimaraens — Poesia, Coleção Nossos Clássicos Volume 19 — Livraria Editora Agir, 1963, Rio de Janeiro,  RJ: Alphonsus de Guimaraens (1870  1921), pseudônimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães, mineiro de Ouro Preto, foi poeta e escritor, cursou Direito e foi Juiz e Promotor de Justiça; principais obras publicadas, algumas postumamente: Setenário das Dores de Nossa Senhora (1899), Câmara Ardente (1899), Dona Mística (1899), Kyriale (1902), Pauvre Lyre (1921), Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte (1923), Mendigos (prosa, 1920), Pulvis (1938).

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Paulo Setúbal: Só Tu


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Dos lábios que me beijaram,
Dos braços que me abraçaram,
Já não me lembro, nem sei...
São tantas as que me amaram!
São tantas as que eu amei!

Mas tu  que rude contraste! 
Tu, que jamais me beijaste,
Tu, que jamais abracei,
Só tu, nest'alma, ficaste,
De todas as que eu amei...

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Alma Cabocla, poesias, Saraiva S/A Livreiros Editores, sétima edição, 1954, São Paulo  SP; Paulo Setúbal (1893  1937), paulista de Tatuí, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP  Largo São Francisco), foi advogado, jornalista, ensaísta, poeta e romancista; escreveu e publicou: Alma Cabocla, poesias (1920); A Marquesa de Santos, romance histórico (1926); O Príncipe de Nassau, romance histórico (1926); As maluquices do imperador, contos históricos (1927); Um Sarau no Paço de São Cristóvão (1936); e outros.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Raul de Leoni: Ingratidão

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Nunca mais me esqueci! ... Eu era criança
E em meu velho quintal, ao sol-nascente,
Plantei, com a minha mão ingênua e mansa,
Uma linda amendoeira adolescente.

Era a mais rútila e íntima esperança...
Cresceu... cresceu... e aos poucos, suavemente,
Pendeu os ramos sobre um muro em frente
E
foi frutificar na vizinhança...

Daí por diante, pela vida inteira,
Todas as grandes árvores que em minhas
Terras
, num sonho esplêndido semeio,

Como aquela magnífica amendoeira,
E florescem nas chácaras vizinhas
E vão dar frutos no pomar alheio...

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Antologia da Literatura Mundial — Antologia de Poetas Brasileiros, Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, Quarta edição, 1961, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo  SP; Raul de Leoni (1895  1926), nascido em Petrópolis  RJ, formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Livre de Direito do Rio de Janeiro; diplomata e poeta, desde 1914 colaborou com revistas (Fon-Fon e Para Todos) e jornais cariocas (Jornal do Brasil, Jornal do Comércio, O Jornal e O Dia); publicou Ode a Um Poeta Morto (1919) e Luz Mediterrânea (1922).

Alphonsus de Guimaraens: Soneto XLIV (Segues para a velhice tão contente)

  
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Segues para a velhice tão contente,
Como se caminhasses para um trono.
A tua alma, como um solar sem dono,
Vive de sonhos no teu corpo doente.

Ah! Bem sabes que o sol está no poente,
Que o roseiral murchece no abandono...
Que importa a primavera? Veio o outono
Bendizer-te as tristezas de vidente.

Cerra os olhos suavíssimos e mira
Os dias que se foram, no letargo
Que de ti se aproxima em vôos lentos...

Feliz de quem na paz eterna expira...
Solta as velas à nave. Eis o mar largo.
Eis a bonança. Levem-te bons ventos!


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Alphonsus de Guimaraens — Poesia, Coleção Nossos Clássicos Volume 19 — Livraria Editora Agir, 1963, Rio de Janeiro  RJ; Alphonsus de Guimaraens (1870  1921), pseudônimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães, mineiro de Ouro Preto, foi poeta e escritor, cursou Direito e foi Juiz e Promotor de Justiça; principais obras publicadas, algumas postumamente: Setenário das Dores de Nossa Senhora (1899), Câmara Ardente (1899), Dona Mística (1899), Kyriale (1902), Pauvre Lyre (1921), Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte (1923), Mendigos (prosa, 1920), Pulvis (1938).

sábado, 11 de janeiro de 2014

Manoel Cerqueira Leite: Poema Xucro


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Amo tudo o que é xucro na Vida!

O macho que levanta polvadeira,
e bate com o peão na poeira.

O pássaro que morre, na gaiola, sem um canto,
na gaiola forrada de alpiste.

O gavião que voa alto e guincha,
olhar e bico em riste.

O sagüi, jogando terrão nos homens,
fazendo careta, rindo,
dentalhada branca...

O vento, nunca sabendo pra onde vai,
mas indo!

E o sol, sempre sabendo pra onde vai,
mesmo que o estrondo da tempestade
sacuda o mundo!

Ó liberdade humana,
acomodada, calculada,
como és risível, diante da enorme xucreza da Vida!


São Paulo, 21-5-46


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Fonte Na Serra , poemas  Carta-prefácio de Jaime Bruna, 1959, Editora Brasiliense Ltda., São Paulo — SP; Manoel Cerqueira Leite (1916 1975), paulista de Sarapuí, formado pela USP — Universidade de São Paulo foi poeta, crítico literário, professor de literatura brasileira (USP e UNESP) e colaborou com jornais da capital e do interior paulista; escreveu e publicou: Água na Cuia, sonetilhos; Rumo; Fonte na Serra, poemas; Terra Verde  Antologia: Conto e Poesia; Poesias; A Crítica Funcional I, II, III e IV (crítica literária); Literatura Brasileira.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Nhô Bentico (Abílio Victor): Rosinha

Foi lá pelos fim de Maio,
na Fazenda do Páu d'Aio,
na limpa dos cafezêro,
que conhecí nhá Rosinha,
u'a linda cabocrinha,
fiáda do fazendêro!

Aqueles zóio indiabrado
me dexô invenenado,
me fêiz ficá prisionêro;
i eu fiquei cunvencido
que dêxa a gente perdido
uns zóio tão fiticêro...

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I pr'acabá o sufrimento,
pensano no casamento,
fui falá c'o fazendêro.

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O véio, sem coração,
que desconhece a paxão,
me respondeu sombrancêro:
 Se qué inxergá rializado
esse seu sonho incantado,
arranje a vida premêro!

Fiquei devéra maguado,
sintí meu peito varado
co aquele gorpe traiçuêro.
Fui cumbersá co'a Rosinha,
contei as tristeza minha,
contei o meu desespêro.

Rosinha chorô bastante:
daqueles zóio briante,
as lágrima aparecêro;
i disse, bateno o pé:
 Mecê num perda sua fé,
Deus é muito justicêro!

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Aquela noite, pra mim,
parece, num tinha fim,
tinha espinho o trabecêro...

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De madrugada, sartei;
peguei as rôpa, imbruei;
peguei a pena, o tintêro,
i escreví pra Rosinha
que só vortava, só vinha,
quano ranjasse dinhêro!

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O tempo se foi passano
i eu cum fé fui luitano
que nem sordado guerrêro!

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

De Rosa, nada sabia: 
o coroné purivía
de sabê meu paradêro;
i eu sódoso vivia,
bem longe, nas sertania,
teno Deus por cumpanhêro.

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Seis zâno de sufrimento!
Passei os maió tormento,
no mais triste cativêro...

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Quano foi um belo dia,
tudo cheio de alegria
peguei meu bão pareiêro,
i sintia que a sôdade
qu'era grande de verdade,
mexia pro corpo intêro!

Cinco dia, cinco noite,
andano num bruto afoite,
um ano me parecêro;
mais, pra quem a gente adora,
o sangue se bóta fóra,
inté o pingo derradêro!

Bem lá no fim do estradão,
apareceu o manguerão,
a casa i os cafezêro;
i eu sintí num sei quê,
o corpo me estremecê
meus zóio se escurecêro...

Quano cheguei no portão,
impurrei o tar co'a mão,
pramórde ganhá o terrêro,
i vi u'a rêde istirada,
cheia de frôr, infeitada,
no meio de uns cavalêro...

Parei num choque danado,
meu corpo ficô gelado,
magine, que desespêro!
Rosinha tinha morrido,
num me esperô pra marido.
era o gorpe derradêro!

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I hoje, sem tê parada,
vivo durmino pra estrada,
pensano in Deus justicêro...
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Folhas do Mato — versos caipiras, Prefácio de Manuel Cerqueira Leite (datado de 06 de dezembro de 1938), 2ª edição aumentada, 1940, Gráfica Sorocabana, Sorocaba  SP; Nhô Bentico e Abílio Soares Víctor (1899 1952) foram uma só pessoa, um só poeta, caipira, gráfico e radialista itapetiningano; pioneiro dos reclames rimados para o comércio, Abílio Víctor, poeta dialetal, escreveu e publicou Folhas do Mato, Versos Humorísticos, Favas de Ingá e Poemas Sertanejos.