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[traduzido por Rodrigo
Garcia Lopes]
Conceber a morte como morte,
É dificuldade conseguida facilmente,
Brancura se precipitando entre
Imagens de entendimento,
A morte essa mão fria e veloz
Sobre a testa quente de suicídio.
Assim é conseguida facilmente
Por um instante só. Fornalhas, outra vez,
Rugem nas orelhas, de novo o inferno revolve-se,
E o olho elástico detém o paraíso
A uma visível distância da cegueira,
E atordoado o corpo ecoa
“Assim, assim, como nada mais.”
Como nada — uma similaridade
Sem semelhança. O olho profético,
Que se fecha à dificuldade,
Se abre se comparado,
Dividindo a realidade
Como um presente simples demais, para a qual
Gratidão não tem linguagem,
Nem previsão tem visão.
Death as death
To conceive death as death
Is difficulty come by easily,
A blankness fallen among
Images of understanding,
Death like a quick cold hand
On the hot slow head of suicide.
So is it come by easily
For one instant. Then again furnaces
Roar in the ears, then again hell revolves,
And the elastic eye holds paradise
At visible length from blindness,
And dazedly the body echoes
‘Like this, like this, like nothing else.’
Like nothing — a similarity
Without resemblance. The prophetic eye,
Closing upon difficulty,
Opens upon comparison,
Halving the actuality
As a gift too plain, for which
Gratitude has no language,
Foresight no vision.
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Mindscapes Poemas — Laura Riding,
Seleção, Tradução e Introdução de Rodrigo Garcia Lopes, edição bilíngue [mais a
seção 'Laura Riding: um fórum', seleção de textos diversos referentes à autora poeta],
2004, Editora Iluminuras Ltda., São Paulo — SP; Laura Riding Jackson (1901 —
1991) ou Laura Reichenthal, estadunidense e nova-iorquina, estudou línguas e
literatura na Universidade de Cornell, Ítaca, estado de Nova Iorque, foi poeta
do modernismo norte-americano, pensadora, ensaísta e crítica; esteve na linha
de frente da poesia contemporânea e, nos anos 20 e 30 do século XX, recebeu a
saudação do poeta W. H. Auden como “a única poeta-filósofa viva”; em 1923
abandonou os estudos, passou a publicar poemas nas revistas literárias
Contemporary Verse e Poetry; suas obras: The Close Chaplet (1926), A Survey of
Modernist Poetry (em coautoria com Robert Graves, 1927), Anarchism Is Not
Enough (1928), Love as Love: Death as Death (1928), Twenty Poems Less e Poems A
Joking Word (ambos em 1930), Collected Poems (coletânea de 181 poemas
selecionados, 1938), Lives of Wives (1939), Selected Poems: In Five Sets (1973)
e outros títulos em verso e prosa; de 1939
a 1970, Laura Riding se afastou da vida literária e não publicou nenhuma
obra, retornando à cena após três décadas, com o nome Laura (Riding) Jackson;
nos anos 80 escreveu em profusão (não poesia) e publicou frequentemente em
revistas; por sua obra, em 1991 foi laureada com o Prêmio Bollingen de Poesia.