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(pequenos burgueses)
O perfume que ganhamos,
guardamos para o futuro:
quem sabe conheceremos alguém especial...
Os cantos e esconderijos da casa estão cheios de objetos,
são presentes de aniversário, Natal ou casamento.
Aguardam um futuro para saírem de suas embalagens...
até que a família é pega de surpresa pela morte,
Amém.
Os espaços obstruídos impedem a dança.
Os objetos que obstruem são para o futuro,
assim como a dança.
Quando esses objetos cumprirem seu papel,
vamos poder dançar a nossa música.
Enquanto isso, eles pertencem ao futuro,
como a nossa morte.
Mas tais objetos não nos defenderão da morte.
Ao contrário,
esperam ansiosamente por ela,
pois sabem que só assim
livrar-se-ão
de nós.
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Antologia de Poetas Vermelhos,
Apresentação de Antonio Rodrigues Belon, Prefácio de Celso Alencar
e Organização de Jorge Breogan, 2015, Editora Sundermann, Selo
Literário Outra Margem, São Paulo — SP; sobre Fahtma Dias, a autora
do poema, o livro não nos traz notícia; esta antologia é resultado do Concurso
Literário Sandra e Icauã, assim batizado em homenagem à militante Sandra Lúcia
Fernandes e seu filho Icauã Rodrigues, assassinados em fevereiro de 2014 em Olinda — PE;
o concurso literário também foi em homenagem aos 20 anos de fundação
do Partido Socialista dos Trabalhadores
Unificados — PSTU (fundação: 5 de junho de 1994); a quem trouxer
notícia biográfica de Fahtma Dias, este Verso e Conversa agradece.