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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Hélder Câmara: Na caixa dos meus trebelhos . . . [soneto]

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Na caixa dos meus trebelhos
Dormitam sonhos de glória
Alguns amargos conselhos
Uma partida, uma história

Ali trinta e dois espelhos
Refletem, viva memória
Anseios gastos, já velhos
De alguma quase vitória

E o meu tabuleiro a um canto
Cheio de poeira e de traços
Conserva-se em mudo espanto

Talvez por ver que ilusões
Depois dos nossos fracassos
Se perdem como peões

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Tabuleiro da vida: O xadrez na história. Histórias do xadrez — Herbert Carvalho, 2004, Editora Senac, São Paulo — SP; Hélder Câmara (1937 2016), cearense de Fortaleza, foi enxadrista, escritor e também poeta; transferindo-se para o Rio de Janeiro, na década de 1950, foi campeão carioca de xadrez e campeão brasileiro; depois, mudando-se para São Paulo, tornou-se campeão brasileiro e paulista; por diversas vezes integrou equipe olímpica brasileira em competições de xadrez no exterior; trabalhou no Jornal dos Sports, Rio, e n’O Estado de São Paulo, escrevendo colunas e crônicas sobre xadrez; bibliografia: Diagonais: crônicas de xadrez (1996), Caíssa (crônicas, 2006), 100 crônicas de xadrez (2014); Hélder Câmara, o enxadrista e poeta, mestre internacional de xadrez, foi perseguido e preso em 1971, em plena ditadura militar, pelo simples fato de ser sobrinho e homônimo do arcebispo Dom Hélder Câmara (1909 1999), defensor dos direitos humanos e um dos fundadores da CNBB Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Cecília Meireles: Xadrez

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Leva-me o tempo para a frente
Certo de sua direção
Pausado passo indiferente
(Peão.)

Que ímpeto me vem de repente
e se esforça por contrariá-lo?
Ó nervosa crina, asa ardente!
(Cavalo.)

Talvez meu poder aumente,
e o tempo invicto alcance e toque...
Como, porém, mudar-lhe a ação?
(Roque.)

Leva-me o tempo para a frente,
dizendo passo a passo: "És minha!"
"Rainha!"

E apenas digo, debilmente
Como quem sonha e se persuade
Tua, apenas tua serei...
"Rei!"

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Tabuleiro da vida: O xadrez na história. Histórias do xadrez — Herbert Carvalho, 2004, Editora Senac, São Paulo — SP; Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901 1964), nascida no Rio de Janeiro RJ, foi poeta, ensaísta, cronista, folclorista, tradutora e educadora; em 1919, publicou Espectro, seu primeiro livro de poesias; depois, vieram Nunca mais... e Poemas dos Poemas (1923), Baladas para El-rei (1925); a partir daí seguiram-se extensíssimas atividades literárias e também ligadas à educação, tanto no Brasil quanto em Portugal, com dezenas de títulos de poesia, e outros, publicados; bibliografia: Viagem (1939), Vaga Música (1942), Mar Absoluto (1945), Elegia (1933 1937), Retrato Natural (1949), Amor em Leonoreta (1952), Doze Noturnos da Holanda & O Aeronauta (1952), Romanceiro da Inconfidência (1953), Pequeno Oratório de Santa Clara (1955), Canções (1956), Romance de Santa Cecília (1957), A Rosa (1957), Metal Rosicler (1960), Poemas Escritos na Índia (1961), Solombra (1963), Antologia Poética (1a. edição, 1963), Ou Isto ou Aquilo (1964) etc.