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[traduzido por Regina
Przybycien]
Não eram muitos os que
passavam dos trinta.
A velhice era privilégio das
pedras e das árvores.
A infância durava tanto quanto
a dos filhotes dos lobos.
Era preciso se apressar, dar
conta da vida
antes que o sol se pusesse,
antes que a primeira neve
caísse.
Meninas de treze anos gerando
filhos,
meninos de quatro rastreando
ninhos de pássaros na moita,
jovens de vinte servindo de
guias nas caçadas —
ainda há pouco não existiam,
já não existem.
Os fins da infinitude rápido
se juntavam.
As bruxas ruminavam maldições
ainda com todos os dentes da
mocidade.
Sob os olhos do pai o filho se
tornava homem.
Sob as órbitas do avô nascia o
neto.
De todo modo, não contavam os
anos.
Contavam as redes, os tachos,
os ranchos, os machados.
O tempo, tão generoso para
qualquer estrela no céu,
estendia-lhes a mão quase
vazia
e a retirava rápido, como se
tivesse pena.
Mais um passo, mais dois
ao longo de um rio brilhante,
que da treva emerge e na treva
some.
Não havia nem um instante a
perder,
perguntas a postergar e
iluminações tardias
a não ser as que tivessem sido
antes experimentadas.
A sabedoria não podia esperar
os cabelos brancos.
Tinha que ver claro, antes que
a claridade chegasse,
e ouvir toda voz, antes que
ela se propagasse.
O bem e o mal —
dele sabiam pouco, porém tudo:
quando o mal triunfa, o bem se
esconde;
quando o bem aparece, o mal
fica de tocaia.
Nem um nem outro se pode
vencer
nem colocar a uma distância
sem volta.
Por isso se há alegria, é com
um misto de aflição,
se há desespero, nunca é sem
um fio de esperança.
A vida, mesmo se longa, sempre
será curta.
Curta demais para se
acrescentar algo.
(Gente na ponte — 1986)
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| Wisława Szymborska |
Króthie
źycie naszych przodków
Niewielu dożywało lat
trzydziestu.
Starość to był przywilej
kamieni i drzew.
Dzieciństwo trwało tyle co
szczenięctwo wilków.
Należało się śpieszyć, zdążyć
z życiem
nim słońce zajdzie,
nim pierwszy śnieg spadnie.
Trzynastoletnie rodzicielki
dzieci,
czteroletni tropiciele ptasich
gniazd w sitowiu,
dwudziestoletni przewodnicy
łowów —
dopiero ich nie było, już ich
nie ma.
Końce nieskończoności zrastały
się szybko.
Wiedźmy żuły zaklęcia
wszystkimi jeszcze zębami
młodości.
Pod okiem ojca mężniał syn.
Pod oczodołem dziadka wnuk się
rodził.
A zresztą nie liczyli sobie
lat.
Liczyli sieci, garnki,
szałasy, topory.
Czas, taki hojny dla byle
gwiazdy na niebie,
wyciągał do nich rękę prawie
pustą
i szybko cofał się, jakby mu
było szkoda.
Jeszcze krok, jeszcze dwa
wzdłuż połyskliwej rzeki,
co z ciemności wypływa i w
ciemności znika.
Nie było ani chwili do
stracenia,
pytań do odłożenia i późnych
objawień,
o ile nie zostały zawczasu
doznane.
Mądrość nie mogła czekać
siwych włosów.
Musiała widzieć jasno, nim
stanie się jasność,
i wszelki głos usłyszeć, zanim
się rozlegnie.
Dobro i zło —
wiedzieli o nim mało, ale
wszystko:
kiedy zło tryumfuje, dobro się
utaja;
gdy dobro się objawia, zło
czeka w ukryciu.
Jedno i drugie nie do pokonania
ani do odsunięcia na
bezpowrotną odległość.
Dlatego jeśli radość, to z
domieszką trwogi,
jeśli rozpacz, to nigdy bez
cichej nadziei.
Życie, choćby i długie, zawsze
będzie krótkie.
Zbyt krótkie, żeby do tego coś
dodać.
(Ludzie na moście
— 1986)
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Wisława Szymborska [poemas],
Seleção, Tradução e Prefácio por Regina Przybycien, edição bilíngue, 2ª
reimpressão, 2012, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Maria Wisława Anna
Szymborska (1923 — 2012), polonesa de Kórnik,
fez seus estudos escolares iniciais em Toruń, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, prosseguiu nos estudos de
forma clandestina e passou a trabalhar em uma ferrovia, o que a livrou de ser
deportada para território nazista, ora ocupado pelo Terceiro Reich, foi poeta,
crítica literária e tradutora; assim, Wisława deu início a seu processo
criativo: fez suas primeiras ilustrações para livros (um manual para estudar
inglês) e iniciou-se na literatura, com alguns contos e poemas; em 1945, com o
fim da guerra, já em Cracóvia, a poeta foi parte importante na vida literária
local, participou do grupo literário Ao Contrário, deu início ao curso de
Filologia Polaca na Universidade Jaguelônica, depois mudou para Sociologia,
desistiu dos estudos, casou, divorciou, colaborou com a revista Kultura (de
literatura e política, publicada em Paris por emigrantes polacos), foi membro
do Partido Comunista; suas obras: Wolanie do Yeti (Chamando pelo Yeti, 1957),
Sól (Sal, 1962), Sto pociech (Muito divertido, 1967), Wszelki wypadek (Todo o
caso, 1972), Wielka liczba (Um grande número, 1976), Ludzie na moście
(Gente na ponte, 1986), Koniec i początek (Fim e começo, 1993), Chwila
(Instante, 2002), Rymowanki dla dużych dzieci (Riminhas para crianças grandes, 2005),
Dwukropek (Dois pontos, 2006), Tutaj (Aqui, 2009), Wystarczy (Chega, 2012) ...;
seus livros foram
traduzidos para 36 línguas, sendo a poeta polonesa que mais recebeu traduções
no exterior; premiações: Prêmio Goethe (1991), Prêmio Nobel de Literatura
(1996) e Prêmio Niki de Literatura (2006).