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sexta-feira, 24 de abril de 2026

joaquim da silva: nanocontos 15, 28, 37, 52, 55 & 63

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15.
noite vinda
multidão de pirilampos reagem em cadeia
começam a piscar
sombras se vão

28.
recolheu-se
peso da idade lhe ia às costas
caramujo era caramujo ficou
tinha uma casa ao menos

37.
idoso caipira já não se acocorava
garimpou tripeça no antiquário
descartou divã

52.
escritor de autoajuda não enganava ninguém:
escrevia e lucrava muito

55.
grave erro não foi desdenhar futuro
querer voltar ao passado foi sua brutal falha

63.
quis rever o ferroviário Sales e seu gramofone
na Turma 29 do Bacelar buscou retrato na parede

[são paulo, jan/fev/mar de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

joaquim da silva: nanocontos 17, 18, 19, 20, 21 & 25

 
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17.
obsessivo observador de plantão
não olha pro próprio umbigo:
convive com uma hérnia que salta aos olhos
[gsf – sp, 09/2024]

18.
humorista não quis mais brincar com o humor
levava tudo a sério
perdeu a graça

19.
tantã não agia como biruta de aeroporto:
cata-vento em giro contrário viraria suástica

20.
vivia nas nuvens atrás de códigos-fonte
teórico de TI fuçava bannon musk
pentágono & cia

21.
morava no gúgol
cuca fundida arfante usava IA
esboçava minitextos sem inteligência criativa
respirava

25.
perseguia o passado
viciado em nomear tudo chamou isso saudade

[são paulo, fevereiro de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

joaquim da silva: nanocontos 6, 7, 8, 9 & 10

 
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6.
oriundo das trevas olimbo quis viver na sombra aluz lhe ofuscava
notempo quem sabe um dia se acostumasse à claridade
apesquisa porém foi peremptória: viver para olimbo nunca foi utopia

7.
agulha já havia encontrado
faltava o camelo escondido no monte de feno

8.
médico de plantão verte antídoto em mercado doentio
avia placebo pra males sem remédio

9.
assou castanhas na brasa
usou camaleão pra pinçá-las do fogo
ronron andava fugido

10.
em tom amarelo tomatinho quis virar vermelho consumiu muito adubo e foi devorado por ativista ecovegano

[são paulo, janeiro de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

joaquim da silva: nanocontos 1, 2, 3, 4 & 5

 
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1.
preguiçoso queria escrever
treinou nos aforismos apreciou façanha se sentiu um bamba

2.
fez imersão nos livros
pra retomar fôlego emergiu com textículo grudado no vão da unha

3.
nónagarganta achava difícil engolir
papou farelo de palavras

4.
avesso a rococós
curtoegrosso coseu texto em linha reta e o disse a conta-gotas

5.
pingo é letra e ponto final

[são paulo, janeiro de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Dalton Trevisan: Candinho se apresenta para a mulher de João: . . .


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[conto 134]

          Candinho se apresenta para a mulher de João:
           Minha senhora, venho me queixar do seu marido, que me roubou o Edu. Cuidei como de um filho, hoje estou velho. Ninguém por mim senão ele. Seu marido, moço e bonito, pode ter todos os homens e mulheres. Só peço que me deixe o único amor.
          Ao chegar o marido, ela exige explicação.
           É verdade ele diz.
           Então escolha. Eu ou esse aí.
           Já escolhi.
          Mesma hora João sai de casa, abandonando a mulher e os dois filhos.
          João e Edu ficam anos juntos. Um dia, mais uma vez, os dois brigam e João o expulsa de casa. Em desespero, Edu se queixa à mãe de João:
           Madame, sou um perdido e um desgraçado. Só a senhora pode me salvar. Conto com a sua piedade e o seu socorro. O João quer me abandonar. Já de cabelo branco, não sei ganhar a vida. Aprendi apenas a agradá-lo, que me acostumou com o melhor. Quando enjoa de mim, saio pela rua atrás de moço bonito para ele. Agora me expulsa por amor de outro, instalado no meu quarto. Como hei de viver, sem uma pensão? Se ele não me acode, só me resta morrer.
          Procurado pela velhinha, João nem pisca:
           Esse aí? Fala de morte. Só que não morre.
          Ah, é? Dia seguinte, Edu abre o gás, toma veneno, corta o pulso. Enquanto agoniza, escreve ao pérfido João o último bilhete. Com sangue desenha trêmulo ADEUS sobre o coração varado sem dó pelo teu punhal gotejante de mel.
          João rasga-o em pedacinhos:
           Morreu, a Dudu Louca? Bem feito. Muito feliz com o meu novo amor.

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Pico na Veia: Dalton Trevisan, 2002, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; suas obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Dalton Trevisan: Loira, magra, pálida. Olhinho verde. . . .

 
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Conto 54

          Loira, magra, pálida. Olhinho verde. Faz o curso de normalista em Curitiba, pronto adoece do peito. Volta para casa se tratar com repouso e comida farta. De noite à janela, almofada no peitoril, se distrai com o movimento na praça.
          João começa a subir e descer a rua. Ela não sai da janela. Na quinta ou sexta noite, ele ganha coragem: “Boa noite.” Ela acena de leve. Na volta, ele para. Assim inicia o namoro. Com aprovação da mãe que se afasta quando ele surge na esquina.
          Grande vexame a avozinha caduca, guardada longe das visitas. De repente salta a cabecinha branca na janela do sótão e berra o palavrão medonho. Os dois pretendem não ouvir. A moça olha fixamente as luzes piscantes na porta do cinema.
          Um mês de namoro sob a janela. Depois ele entra na sala. É quando o tio médico o aborda na praça:
           João, sabe a doença que ela tem, não é? Ela se apaixona por você, e daí? Você compromete a moça, que não pode casar. Serão os dois infelizes.
          Perturbado, roído de culpa, se despede da namorada. Já lhe devolvendo os presentes: um retratinho 3x4, outro colorido, tamanho postal. Mais a fitinha rósea de cabelo. Motivo: uma longa viagem de estudo.
          Arrependidíssimo volta para casa, chutando pomba na calçada e se chamando rato piolhento com gravatinha-borboleta e tudo.
          Nove da noite, ao cruzar a praça, dá com a moça à janela. Amor, pena e remorso, aproxima-se. ela, voz chorosa:
           Veio me dizer o que esqueceu ontem?
          No peito sete agulhas fininhas de gelo.
           Não. vim dizer que te amo. E não quero te perder. Você me perdoa?
          Eis a cabecinha branca da velhota na janela do sótão:
           Pu-ta-que-me-pa-riu!
          Reconciliados, os dois riem com gosto.
          Conselho médico, ela deve passar toda manhã respirando o ar puro do campo — ele ao seu lado, mãos dadas. Lívida e linda, na face uma pétala de carmim de febre, tossicando no lencinho rendado. Convencidos, ele mais que ela, que para tão grande amor tão pouca é a tísica.
          Sem aviso a família decide mudar para Curitiba. Eles passam a se cartear: “Quando me deixou, ai João... pensei de ir para a cama... nunca mais levantar... agora deitada ficarei... me levem de volta para você...”
          Mal sabe a pobre que desta vez. Na carta seguinte, a última, um anel de cabelo: seria loiro? ai não, branco seria?
          Tão saudoso, com tamanha aflição, deitada lá longe, ele salta correndo no primeiro trem. Na tarde florida de sol, à sombra de uma árvore, espia a casa de veneziana verde. Pra lá pra cá, por duas horas, na louca esperança de uma luva de crochê acenando da janela.
           Por que não bateu?
           Não tinha liberdade para isso.
          Dia seguinte a notícia da morte no sono. Meses depois, a mãe vai à casa de João pedir de volta cartas e retratos. Ele remexe no bauzinho e entrega o seu tesouro mais precioso.
           Mas não devolvi todas. Uma eu guardo até hoje.

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

sexta-feira, 27 de maio de 2022

Dalton Trevisan: picos na veia [nanocontos IV]

 
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Conto 132:

O marido para o melhor amigo e amante da mulher:
Nunca se case, meu velho. Olha pra mim. Já viu alguém mais infeliz?
E o amante, ressabiado: Epa, será que ele sabe?

Conto 141:

A mulher do velho poeta:
 Em vez de ganhar dinheiro, você fica aí sentado cantando o mesmo versinho!

Conto 147:

Melhora muito o convívio de Sócrates e Xantipa assim que um deles bebe cicuta.

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Dalton Trevisan: picos na veia [nanocontos III]

 
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Conto 37:
 
Na farmácia, a mocinha com o bebê no colo, apagando a voz:
 Uma caixa de pílula e um batom bem vermelho.
 
Conto 85:
 
A mulher para a mocinha:
 Mas ele te bate?
 Não. Isso, não.
 Então? Está reclamando do quê?
 
Conto 135:
 
O velhote, bem tristonho:
Ainda fica duro, o carinha. Só que não trava.
 
Conto 201:
 
O solitário, abrindo a porta da casa deserta:
 Ei, minha gente, cheguei!
Juntos alegremente respondem o irmão caruncho e a irmã baratinha.

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

quarta-feira, 30 de março de 2022

Dalton Trevisan: picos na veia [nanocontos II]

 
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Conto 21:

Assim o cãozinho quer pegar no chão a sombra do vôo rasante do pássaro, você persegue no tempo a lembrança em fuga dos teus mortos queridos.

Conto 36:

O menino para a mãe:
 A vovó buliu no meu pintinho. Ela diz pra não contar.
Essa não, meu Deus, pensa a nora, iluminada. O grande segredo do filho dela. Porque ele é assim... tão...

Conto 42:

 Ai, querido, você não deve me censurar. Eu não volto sempre para você? E sempre mais experiente, mais segura de mim. Não fossem os outros, me diga, saberia eu comparar? Cada um deles só me faz reconhecer que você é o grande, o único, o eterno amor de minha vida.

Conto 123:

No balcão da lanchonete, o senhor de terno e gravata, duramente:
 Uma cerveja preta e dois sonhos.

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

quinta-feira, 17 de março de 2022

Dalton Trevisan: picos na veia [nanocontos V]

 
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Conto 73

          Dia das Mães: quantos crimes literários, ai, mãe, são cometidos em teu nome!

Conto 105

          O pai, aos gritos:
          Não me responda. Cala a boca, piá!
          Ele responde, sim: um silêncio só de palavrões.

Conto 162

          Meu marido me chamou de lazarenta. Ah, é? Tomo 40 comprimidos e um copo de vinho doce.
           . . .
           Corto o punho esquerdo.
           . . .
           Enfio na cabeça um saco plástico.
           Pô, e daí?
           Ele me deixa no pronto-socorro e vai embora.

Conto 166

          Ontem, na festinha do primeiro ano de nosso filho, a mulher estava muito calada. Fria, distante. Ficamos sós e perguntei o que era. Sabe o que respondeu?
           . . .
           Está apaixonada por outro, que aceita o meu filho. E daqui a três dias ela vai me deixar.

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

domingo, 13 de março de 2022

Dalton Trevisan: O meu café da manhã é uma pedra. Se estou na pior, um baseado. . . .

 
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Conto 2

           O meu café da manhã é uma pedra. Se estou na pior, um baseado. Aí me dá uma fominha desgracida. Vou chegando bem doidona: "Ei, tô com fome. Ei, galera, tô com fome". Até descolar um rango.
          Ali no ponto de ônibus: "Ô tio, só pra inteirar a passagem? Valeu. Tem condição, ô tia? Valeu". Quando você vê, tá riquinha de moeda. Esse golpe é fatal.
          Já se encosta no carrão das bacanas. Troca uma idéia e tal pra liberarem uma grana. Completar a passagem pra lugar nenhum. Isso não é roubo, é viração.
          Tava com fome, pedi um trocadinho. A tia gritou. Aí peguei a bolsa e corri. Se lutasse eu furava ela. Fatal. Não gosto de pedir. É muita humilhação. Então saio pra roubar.
          Minha família é a rua. A zoada. Só ando sozinha. Amigo não tenho. Ninguém tem amigo no mundo, não. Na rua desde os seis anos. Fumando pedra, zanzando, roubando.
          De bode, não consigo comer. Falo sozinha, não sei onde estou. Fico dez dias sem dormir. Só converso comigo e penso maldade. Muita vez faço sem querer. Meto a faca num pivete. Seja ele, orra, não eu.
          Comecei com cigarro, benzina, maconha, cola, éter. Depois pedra. Se dá, pico na veia. Foi por safadeza mesmo e pra vingar do puto do pai. Só queria fazer sacanagem. A pedra não é o mal. O mal é as pessoas mesmo.
          Alguma vez tiro cadeia só pra engordar. Tomara fique bastante tempo. Daí paro um pouco na pedra. Chapada, quase me enforquei no casarão.
          Ai, tossinha fodida. Sou é viciada mesmo. Fumo adoidada o que tiver. Tudo de uma vez, um montão de pedra. Quando tenho, também dou. Pode que um dia precise. Aí fumo e apago.
          Compro lá na boca. Pra ter dinheiro eu roubo. Hoje foi uma tia, ela se assustou, quis gritar. Só falei: "Sai que eu te corto". Valeu.
          Tem dia que tô muito louca. Fumo e fico pirada. Aí não posso olhar pra pessoa. Acho que tão querendo me bater, me matar. Saio de perto pra não dar confusão.
          Ô cara, que que eu tô fazendo aqui? Eu não sei viver. Penso de morrer pra ver como que é. Tô tossindo por causa da pedra. Dói muito aqui no peito.
          Entrei nessa de babaca. Se quisesse, tava numa boa. A rua não tá com nada. É muita matança. Fui eu que ferrei com minha vida. Acho que a pedra me comeu a cabeça.
          Só fumo sozinha. Todo mundo é muito sozinho. Pô, tem vez que fumo com o negão, no mocozinho. Daí a gente dormimo junto. Fatal.

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Dalton Trevisan: Primeira lembrança da infância: ela apanhando do pai bêbado. . . .

 
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Conto 127

          Primeira lembrança da infância: ela apanhando do pai bêbado.
           O mundo é dos maus. Tem de aprender desde cedo.
          Sem dó batia com o rebenque. Na próxima surra:
           O que fiz de errado, pai?
           Se não fez é pelo que vai fazer.
          E com mais força batia. Aos 14 anos, para fugir do pai, ela casa. E passa a apanhar do marido. Mesmo grávida, continua levando soco e pontapé. Assim teve quatro filhos. Eles cresceram e, revoltados, deram para beber, cheirar pó, roubar. O mais velho casou. Um dia ela foi visitá-lo, a polícia tinha levado. Embora triste, sabia que era dele a culpa. Aí o segundo filho, achando que a mãe os ferrou, nela acerta uma pedrada:
           Velha cagüeta!
          Moravam na meia-água e alugavam o puxado nos fundos a um servente de pedreiro. Esse pagava direitinho o aluguel. Em troca recebia um prato de comida. O marido de Maria foi preso por bandidagem, ela sem dinheiro nem nada. O servente entrou na cozinha:
           Dona, se a gente fosse tomar uma cervejinha lá no bar?
           Como é que posso, João? Se nem leite eu tenho pros meus filhos.
          O servente saiu e voltou com uma sacola. Ela fez o almoço. E pediu que não trouxesse mais. O que os vizinhos iam pensar? O marido preso e outro homem traz o mantimento.
           O trato era de receber um prato de feijão. Se a senhora não cozinha, onde é que eu almoço?
          Passou o tempo, os filhos se foram para onde, meu Deus? Os dois ficaram amigos. E depois íntimos. Ela, 45 anos, negrinha, nanica, banguela. Ele, parrudo, 20 anos mais novo, loiro cacheado. Antes que voltasse o bandidão, o casal foge. Achando trabalho longe numa fazenda. Três meses, lado a lado, na foice e na enxada, o dia inteirinho, sol e chuva. Só que o patrão nada de pagar. Uma noite, ele mais o capataz vieram ao barraco:
           Já tenho outro pro teu lugar. Podem fazer a trouxa.
           Tá bem. A gente sai de manhã.
           Não. É agora.
          Lá se vão os dois, perdidos no escuro. Ele, com a trouxinha. Ela, atrás. Mais pesada, de cinco meses.

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.