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[traduzido por Álvaro Reis]
— Toc,
toc, toc, toc... Crava os pregos bem cravados
Bom armador, carpinteiro dos finados...
Bom armador, oh bondoso carpinteiro,
Seja de cedro, carvalho ou de pinheiro,
Faze um caixão muito grande, bem pesado,
Para deitar meu amor, pobre finado...
— Toc,
toc, toc, toc... Crava os pregos bem cravados,
Bom armador, carpinteiro dos finados...
Forra o caixão de cetins alvinitentes
Como os seus dentes, como os seus nevados dentes,
Orna-o também as fitas mais azuis
Como os seus olhos tão lindos e tafuis.
— Toc,
toc, toc, toc... Crava os pregos bem cravados,
Bom armador, carpinteiro dos finados...
Lá embaixo, além, junto a um fresco ribeiro,
Sob os olmeiros, sob um pequeno olmeiro,
Na hora em que o cuco, cedinho alça o trinado,
Outro a beijou no pescoço, apaixonado...
— Toc,
toc, toc, toc... Crava os pregos bem cravados,
Bom armador, carpinteiro dos finados...
Bom armador, oh bondoso carpinteiro,
Seja de cedro, carvalho ou de pinheiro,
Talha um caixão, muito grande, e bem pesado,
Para enterrar meu amor, hoje, finado...
Nocturne
Wisst ihr warum der Sarg
wohl
So gross und schwer mag
sein?
Ich legt’ auch meine Liebe
Und meinen Schmerz hinein.
Heinrich Heine.
I
Toc, toc toc toc, — il
cloue à coups pressés;
Toc, toc, — le menuisier
des trépassés.
«Bon menuisier, bon
menuisier,
Dans le sapin, dans le
noyer,
Taille un cercueil très
grand, très lourd,
Pour que j’y couche mon
amour.»
II
Toc toc, toc toc, —
il cloue à coups pressés,
Toc toc, — le menuisier
des trépassés.
«Qu’il soit tendu de satin
blanc
Comme ses dents, comme ses
dents;
Et mets aussi des rubans
bleus
Comme ses yeux, comme ses
yeux.»
III
Toc toc, toc toc, —
il cloue à coups pressés.
Toc toc, — le menuisier
des trépassés.
«Là-bas, là-bas près du
ruisseau,
Sous les ormeaux, sous les
ormeaux,
À l’heure où chante le
coucou,
Un autre l’a baisée au
cou.»
IV
Toc toc, toc toc, —
il cloue à coups pressés,
Toc, toc, — le menuisier
des trépassés.
«Bon menuisier, bon
menuisier,
Dans le sapin, dans le
noyer,
Taille un cercueil très
grand, très lourd,
Pour que j’y couche mon
amour.»
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Antologia de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro
de Ouro da Poesia da França [111 autorias e vários tradutores], Organização, Seleção
e Prefácio por R. Magalhães Jr., e Texto à Guisa de Introdução por Michel Simon,
Clássicos de bolso Ediouro nº 12126, sem data, [1985?], Editora Tecnoprint S. A.,
Rio de Janeiro — RJ; Ioannis A. Papadiamantopoulos, conhecido
no meio literário pelo pseudônimo Jean Moréas (1856 — 1910), grego e ateniense,
viveu em Paris — França, estudou Direito, foi poeta, romancista, ensaísta e crítico
literário; em sua juventude, Moréas passou em Marselha, depois viajou à Suiça, Alemanha
e Itália, por fim se fixou em Paris; teve seus poemas publicados nas revistas Lutèce
e Le Chat Noir, e, em 1886, no Prefácio de sua obra Les Cantilènes, Moréas se anunciou
simbolista; ainda em 1886, com a apresentação do Manifesto do Simbolismo (Le Symbolisme),
de sua autoria e divulgado no suplemento literário do Le Figaro, o poeta passou
a ser reconhecido como o iniciador daquele movimento que surgia na França e que
até então não tinha nome; foi cofundador da revista Le Symboliste, com Paul Adam
e Gustave Kahn; suas obras: Les Syrtes (Os Sirtes, primeira coletânea de versos,
1884), Les Cantilènes (As Cantilenas, 1886), Le Pélerin passioné (O Peregrino apaixonado,
1891), Autant en emporte le vent (1893), Stances
(Estâncias, série poética, 1899/1901), Iphigénie — tragédie en cinq actes (peça
teatral, 1904) e outros títulos.



