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[traduzido por Trajano Vieira]
Eu vos esc [ . . . ]
E o vosso surto assume vestes quadrúpedes.
Com a mão apoiada sobre entulho de carvalho.
Ofereceis a unidade entre o móvel serpentiforme
Da coluna cósmica e a canga-dança,
Além do aval de seculamentar como os dentes
De um gargalhar relâmpago.
Minhas pupilas abrem-se videntes,
Saber o que Eu será, quando seu dividendo uni-
Ficar.
[suplemento dominical de cultura] Folhetim*, 11.10.81]
ЧИСЛА
Я
всматриваюсь в вас, о, числа,
И вы мне
видитесь одетыми в звери, в их шкурах,
Рукой
опирающимися на вырванные дубы.
Вы даруете
единство между змееобразным движением
Хребта
вселенной и пляской коромысла,
Вы
позволяете понимать века, как быстрого хохота зубы.
Мои сейчас
вещеобразно разверзлися зеницы
Узнать,
что будет [Я], когда делимое его единица.
[1912]
* Nota do blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz
de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento
dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por
Tarso de Castro (1941 — 1991), trazia como objetivo inicial ser um “caderno de
leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificadas através do
tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um
dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas
traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson
Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São
Paulo — SP; Viktor Vladimirovitch Khlébnikov, ou Velímir Khlébnikov (1885
— 1922), russo nascido em Tundutov, então Império Russo, estudou Física e Matemática
na Universidade de Kazan e, depois, Ciências Naturais, Sânscrito e Eslavística na
Universidade de São Petersburgo, foi poeta, prosador, pensador, matemático, ornitólogo,
pintor, figura expoente e um dos mais originais da arte vanguardista-futurista russa;
após ter sido expulso da faculdade por falta de pagamento, passou a dedicar-se à
poesia, literatura e pesquisas matemático-filosóficas; teve participação no círculo
de poetas de São Petersburgo, conheceu escritores, filósofos, pintores, músicos
e artistas, e se aproximou, por um período, dos simbolistas e acmeístas [movimento
literário modernista russo]; conheceu um grupo de jovens pintores e poetas, aos
quais posteriormente se juntaram Maiakóvski e outros, o que resultou na formação
do Grupo Guileia (1910 — 1914) e daí se transformando no movimento dos cubo-futuristas
(o cubo-futurismo é considerado o resultado da interação entre poetas-futuristas
e pintores-cubistas), com apresentação inicial na imprensa através da publicação
do almanaque poético Viveiro dos Juízes (Садок судей — 1910); apoiou a Revolução
Russa de outubro de 1917, foi conferencista no quartel-general do exército revolucionário
e vigia noturno; o poeta escreveu muito, adorava quando o publicavam, mas não fazia
nenhum esforço para isso; a maior parte de seus textos só se tornou conhecida postumamente:
em 1923, editou-se um seu livro de versos; em 1925, veio a edição d’O Caderno de
Notas de Velímir Khlébnikov; somente em 1928, publicou-se uma edição de suas obras,
em cinco volumes, que seria completada com inéditos em 1940; em 1936, foi publicado
o livro Versos Escolhidos; de seus primeiros trabalhos poéticos, praticamente nada
é conhecido; Khlébnikov teve uma vida na pobreza, foi solitário, fechado e pouco
prático para o cotidiano do viver.