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[traduzido por Nelson Ascher]
Minh’alma tem sete dons
raros
e, em número maior que as
obras-
primas, micróbios, aos
milhares,
tornam-me campo de
manobras.
Ora, o sufrágio
universal!
Que chicaneia e clama
insultos,
Cada instante, ao menor
sinal,
Entre meus mil órgãos
ocultos!…
Quisera viver com
sucesso,
segundo um clássico
programa,
associando-me, em
congresso,
a alguma clássica
madama.
Pode-se cogitar, na
pauta,
em tirar exemplares,
para
si, de si mesmo, quando falta,
porém, uma ideia, mais clara?…
(Revista Código nº 8, 1983, Salvador
— BA)
Cas
rédhibitoire (Mariage)
Ah! mon âme a sept
facultés!
Plus autant qui ‘il de
chefs-d’oeuvre,
Plus mille microbes
ratés
Qui m’ont pris pour champ de
manoeuvre.
Oh! le suffrage universel
Qui se bouscule et se
chicane,
À chaque instant, au moindre
appel,
Dans mes mille occultes
organes!…
J’aurais voulu vivre à grands
traits,
Le long d’un classique
programme
Et m’associant en un
congrès
Avec quelque classique
femme.
Mais peut-il être
question
D’aller tirer des
exemplaires
De son individu si on
N’en a pas une idée plus
claire?…
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Litanias da lua: Jules Laforgue
— Organização, Nota Introdutória, Notícia Biográfica
e Tradução de Régis Bonvicino, edição bilíngue + Ensaios de Laforgue: Notas
sobre Baudelaire (traduzido por Heloisa Braz de Oliveira Prieto e Régis
Bonvicino), Um estudo sobre Corbière, Fragmento sobre Rimbaud e Fragmento sobre
Mallarmé (os três, pela tradução de Heloisa B. O. Prieto) e Ensaios sobre
Laforgue: Jules Laforgue, uma figura uruguaia (de Lisa Block de Bear, traduzido
por Heloisa Prieto), Sob o Signo da Lua (de Nelson Ascher) e Anarquia, Verso
Livre (de Régis Bonvicino), 1989, Iluminuras, São Paulo — SP; Julio Laforgue ou Jules Laforgue (1860 — 1887), nascido em Montevidéu — Uruguai,
mas desde os seis anos de idade residindo na França, terra de seus pais, fez os
estudos iniciais em Tarbes, no Lycée Théophile Gautier, concluindo-os em Paris no
Lycée Fontanes (atual Lycée Condorcet), depois passou pela École des beaux-arts
(Escola de Belas Artes) também em Paris, foi poeta, romancista, ensaísta, contista
e tradutor; o poeta franco-uruguaio teve sua vida literária associada ao Decadentismo
e ao Simbolismo francês; em 1879, produziu resenhas, críticas e desenhos
legendados em sete edições da revista La Guêpe, em Toulouse, editada por
ex-alunos de Tarbes, também contribuiu para a primeira edição da L’Enfer
[revue], de curta duração; em 1880 publicou seus três primeiros poemas na revue
La Vie moderne; em 1881 escreveu Stéphane Vassiliew, uma novela; consta de sua biografia
ter escrito cerca de duas centenas de poemas, além de prosa criativa e prosa crítica,
e que sua poética influenciou fortemente T. S. Eliot, Ezra Pound e Marcel Duchamp;
traduziu Walt Whitman; Laforgue foi um dos primeiros poetas franceses a
escrever em versos livres, sendo o primeiro a fazê-lo sistematicamente; suas
obras: publicou em vida apenas quatro livros, Les Complaintes (1885),
L’Imitation de Notre Dame de la Lune, Le Concile Féerique (ambos em 1886) e
Moralités légendaires (1887); em Paris, teve artigos publicados no Le Figaro e na
Revue Indépendante; postumamente, editaram-se os livros Derniers Vers (1890), Mélanges
Posthumes (1903), Stéphane Vassiliew (novela escrita em 1881 e publicada em 1943)
...; a maior parte de sua obra só veio à luz após a morte do autor; na fase
final de sua curta vida, desde 1881, Jules Laforgue exerceu ofício em Berlim,
Alemanha — foi ledor/professor da Imperatriz Augusta [von
Sachsen-Weimar-Eisenach], casada com Guilherme I, “lia, em francês, páginas de
romances franceses e artigos de jornais como os da Revue des deux Mondes“;
durante o período em Berlim, escreveu textos sobre a cidade e a corte imperial
os quais foram publicados na Gazette des Beaux-Arts e na revista Lutèce,
francesas; adoecido, o poeta deixou o cargo de professor em 1886; no Brasil,
sua poética “fertilizou” Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade; morreu
aos 27 anos, de tuberculose.