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Minha única certeza é minha morte.
Virá festiva, com pendões vermelhos,
Provocadora com seu riso forte.
Mas me verá de pé, não de joelhos.
Pode vir de mansinho a forasteira
Ou numa orgia de ossos e fanfarras,
Com dois laços de fita na caveira
E o ágil chacoalhar das finas garras.
Eu que os mares amei, e o sol tirânico,
Os flavos grauçás de dorso enxuto,
As moças de maiô e o vento atlântico,
Sereno hei de esperá-la em meu reduto,
E assim ao ver-me, sem sinal de pânico,
A própria morte se porá de luto.
Provocadora com seu riso forte.
Mas me verá de pé, não de joelhos.
Pode vir de mansinho a forasteira
Ou numa orgia de ossos e fanfarras,
Com dois laços de fita na caveira
E o ágil chacoalhar das finas garras.
Eu que os mares amei, e o sol tirânico,
Os flavos grauçás de dorso enxuto,
As moças de maiô e o vento atlântico,
Sereno hei de esperá-la em meu reduto,
E assim ao ver-me, sem sinal de pânico,
A própria morte se porá de luto.
O Domador de Gafanhotos (1976)

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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 70, Seleção e Prefácio de Afonso Henriques Neto, Direção de Edla van Steen, Editora Global, 2009, São Paulo — SP; João Carlos Teixeira Gomes, baiano de Salvador, nascido em 1936, é poeta, ensaísta, jornalista e professor da Universidade Federal da Bahia; publicou Ciclo Imaginário (1975, Edições Arpoador, Salvador — BA), O Domador de Gafanhotos (1976, Fundação Cultural do Estado da Bahia, Salvador — BA), A Esfinge Contemplada — e outros poemas (1988, Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ), entre outros ensaios e memória política.