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[traduzido por Amálio Pinheiro]
São portas de sangue,
milênios de ódios,
chuvas de rancores, mares.
O que te fiz, dize-me,
para que os saltes?
Para que teu acre hálito
incendeie todos meus anjos?
Raios e machados
bem pouco me valem.
Noites armadas, nem ventos
leais.
Rompes e me assaltas.
Cativo me trazes
à tua luz, que não é a minha,
para tornear-me.
À tua luz acre, tão acre,
que ninguém a traga.
El ángel rabioso
Son puertas de sangre,
milenios de odios,
lluvias de rencores, mares.
¿Qué te hice, dime,
para que los saltes?
¿Para que con tu agrio aliento
me incendies todos mis ángeles?
Hachas y relámpagos
de poco me valen.
Noches armadas, ni vientos
leales.
Rompes y me
asaltas.
Cautivo me traes
a tu luz, que no es la mía,
para tornearme.
A tu luz agria, tan agria,
que no muerde
nadie.
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Sobre os anjos — Rafael Alberti,
Introdução, Tradução e Notas de Amálio Pinheiro, Coleção Toda Poesia 13, Edição
bilíngue, 1993, Art Editora, São Paulo — SP; Rafael Alberti Merello (1902 — 1999),
espanhol de Puerto de Santa María, Andaluzia, fez seus estudos iniciais no Colégio
San Luis Gonzaga, da Compañia de Jesus, de onde foi expulso e, abandonando os estudos,
passou a se dedicar à pintura e à literatura; poeta, divulgou seus textos nas publicações
literárias e de arte Horizonte, Alfar, Revista de Occidente, Litoral e outros veículos;
conheceu e conviveu com Garcia Lorca, Antonio Machado, Luis Buñuel, Salvador Dali,
Ortega y Gasset e outros; fundou em Madri a revista revolucionária Octubre; obras:
Marinero en tierra (1925), El alba de Alhelí (1928), Cal y Canto (1928), Sobre los
ângeles (1928 — 1929), Sermones y moradas (1929 — 1930), El hombre deshabitado (teatro,
1931), Consignas y Un fantasma (1933), Entre el clavel y la espada, La arboleda
perdida — volume 1 (memórias, 1942), El adefesio (teatro, 1944), Coplas de Juan
Panadero (1949), A la pintura (1950), Fustigada luz (1980), Prosas (1980), Versos
sueltos de cada día (1982), La arboleda perdida — volume 2 (memórias, 1987) e tantos
outros textos; Rafael Alberti, em meio à Guerra Civil Espanhola, iniciou um exílio
de trinta anos, só retornando à Espanha após a morte de Franco, em 1977; pertenceu
ao Partido Comunista espanhol, andejou por diversos países, recebeu premiações por
seus textos.














