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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Franklin Dória: A namoradeira

Poesia Romantica Antologia 1965
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Qual a mais de uma abelha galante
Abre o cálix sem mácula a flor,
Eu palpito por mais de um amante,
Sei zelar muito mais de um amor.

Onde estou tenho logo um cortejo
De mancebos galhardos, gentis;
Faço a todos arder no desejo
De um olhar, que a paixão sempre diz.

Um olhar... ah não sabem, coitados,
Que um olhar pode às vezes mentir;
Que é preciso, pra ter namorados,
De pequena, avezar-se a fingir.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Minha idéia fagueira e rosada,
Baile ardente, tu foste, tu és:
Nós no Éden perdemos a entrada,
Éden franco do baile se fez.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Fiz um trono da minha janela,
Que se eleva bem alto do chão;
A janela é meu céu, eu estrela
Para aqueles que vêm e que vão.

A janela é o jardim encantado,
Eu a rosa em botão que aí jaz;
O suspiro de meu namorado
É a brisa que amores me traz.

O meu tempo prudente aproveito,
Não no gasto em inútil mister;
Se não toco, nem canto, me enfeito;
Sem enfeites não brilha a mulher.

Curiosa folheio os romances,
Leio-os todos do prólogo ao fim;
E decoro os patéticos lances,
Que me servem de estím'los a mim.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Hoje flores, essências, e galas,
Espetác'los, concertos, festins,
Galanteios, requebros e falas
De ociosos, banais manequins.

Quando venha a sazão dos conselhos,
Porque agora os recebo, se os der,
Enrugada, arrebento os espelhos,
Tomo as contas, beata vou ser.

Franklin Dória – Wikipédia, a enciclopédia livre

Nota do organizadorA poesia ostenta graciosidade que evoca as sinhazinhas imperiais, mais ou menos como a "Menina e Moça" de Machado de Assis. A versão completa possui mais cinco quadras nos lugares pontilhados.
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Poesia Romântica  Antologia, Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos (vários autores), 1965, Edições Melhoramentos, São Paulo  SP; Franklin Américo de Meneses Dória, (1836  1906), baiano de Ilha dos Frades  Itaparica, formado em Direito pela Faculdade de Recife, foi advogado, professor de literatura, político do Império e poeta; escreveu e publicou Enlevos (1859) e Evangelina (tradução do poema de Longfellow, 1874) além de poesias esparsas divulgadas à época; é tido como um precursor de nossa poesia social e pertenceu à Academia Brasileira de Letras.