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quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Hilda Hilst: Cançãozinha triste

 
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X

E fiz de tudo...
Fui autêntica, durante algum tempo.
Fui inquietude e fragilidade.
Brilhei em roda de amigos.
Pratiquei o esporte com violência
e uma vez (trágica melancolia!)
nadei com aparente desenvoltura
(peito arfante e dilacerado)
mil metros na butterfly...
Fui amante, amiga, irmã,
sorri quando ele me disse coisas amargas...

E nada o comove.
Nada o espanta.
E ele mente
e mente amor
como as crianças mentem.

Balada do festival — 1955

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Hilda Hilst: Ah, ternura dos dias . . .

 
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XVIII

Ah, ternura dos dias
que prometiam alguma cousa.
Ah, noites que esperavam vida.

Disseste que o mundo
dificulta o caminho dos bons
e que pesa tanto nos teus ombros
o estandarte do amor.

Tua vida consumiu-se
num sonho adolescente.
Teus olhos há muito
não dizem nada
e simulam mistério
quando sorris.

Sabes alguma cousa
além dos homens.

Soubesses ao menos
a eterna escuridão
dos que procuram luz.

Presságio — 1950

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Hilda Hilst: O poema se desfaz. Bem sei. . . .

 
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XVII

a Luiz Hilst

O poema se desfaz. Bem sei.
E aos poucos morre.
Se o gênio do poeta conseguisse
a palavra com sabor de eternidade.
Dizer da amiga que se foi
e abria os olhos noturnos sem vontade.
Dizer do amante alguma coisa a mais
além da espera.
Dizer da mãe, ó amadíssima,
tudo o que a boca não diz
e que se perde.

Tão sós estão os homens e a palavra.
Por que não haverá um outro mundo
sem ruído nem boca,
mudo, esplendidamente mudo?

Balada do festival — 1955

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Hilda Hilst: As coisas não existem. . . .

 
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XVI

O que nós vemos das coisas são as coisas.
(Fernando Pessoa)

As coisas não existem.
O que existe é a idéia
melancólica e suave

que fazemos das coisas.

A mesa de escrever é feita de amor
e de submissão.
No entanto
ninguém a vê
como eu a vejo.
Para os homens
é feita de madeira
e coberta de tinta.
Para mim também
mas a madeira
somente lhe protege o interior
e o interior é humano.

Os livros são criaturas.
Cada página um ano de vida,
cada leitura um pouco de alegria
e esta alegria
é igual ao consolo dos homens
quando permanecemos inquietos
em resposta às suas inquietudes.

As coisas não existem.
A idéia, sim.

A idéia é infinita
igual ao sonho das crianças.

Balada de Alzira — 1951

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Hilda Hilst: Existe sempre o mar sepultando pássaros . . .

 
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XIII

Existe sempre o mar
sepultando pássaros
renovando soluços
rompendo gestos.

Existe sempre uma partida
começando em ti
tomando forma
e sumindo contigo.

Existe sempre um amigo perdido
um encontro desfeito
e ameaços de pranto na retina.

Existe um canto de glória
iniciado nunca
mas guardado no meu peito
dissolvendo a memória.

E além da canção incontida
do teu amor ausente
além da irrevelada amargura

desta espera
existe sempre a terra
desfazendo
as vontades primeiras de Existir.

Balada de Alzira — 1951

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Hilda Hilst: Tenho pena . . .

 
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XI

Tenho pena
das mulheres que riem com os braços
e choram de mentira para os homens.
E descobrem o seio antes do convite
e morrem no prazer... olhos fechados.

Tenho pena
do poeta feito para só ser pai... e ser poeta.
E daqueles que dormem sobre o papel
à espera do vocábulo
e dos que fazem filhos por acaso
e dos doidos e do cão que passa

e de mim... que espero a morte
na confusão e no medo.

Balada do Festival — 1955

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

domingo, 4 de abril de 2021

Hilda Hilst: Naquele momento o riso acabou . . . & Ah, se ao menos em ti eu não me dissolvesse.

 
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III

Naquele momento
o riso acabou
e veio o espanto
e do meu choro
o desentendimento
e das mãos unidas
veio o tremor dos dedos
e da vontade de vida
veio o medo.
Naquele momento
veio de ti o silêncio
e o pranto de todos os homens
brotou nos teus olhos translúcidos
e os meus se afastaram dos teus
e dos braços compridos
veio o curto adeus.

Naquele momento
o mundo parou
e das distâncias
vieram águas
e o barulho do mar.
E do amor
veio o grande sofrimento.

E nada restou
das infinitas coisas pressentidas
das promessas em chama.
Nada.

IV

Ah! Se ao menos em ti
eu não me dissolvesse.
E se ao menos contigo
ficar pouco de mim
lembrança de algum dia
ou meu nome guardar
um momento de sol...

Se ao menos existisse
em nós a eternidade.

(Balada de Alzira — 1951)

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

domingo, 21 de março de 2021

Hilda Hilst: O que ficou de mim . . .

 

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II

De tudo que ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco
(Carlos Drummond de Andrade)

O que ficou de mim
além de eu mesma
não o sei.
Nem o digas às crianças
porque no que ficou
a palavra de amor
está partida

imperceptível sombra
de flor no ramo frágil.

Nem o digas aos homens
Era o rio
e antes do rio havia areia.
Era praia
e depois da praia havia o mar.
Era amigo
ah! e se tivesse existido
quem sabe ficava eterno.

Nada ficou de mim
além de eu mesma.
Tênue vontade de poesia
e mesmo isso

imperceptível sombra
de flor no ramo frágil.

Balada de Alzira — 1951

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

domingo, 7 de março de 2021

Hilda Hilst: Amargura no dia . . .

 
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V

Amargura no dia
amargura nas horas
amargura no céu
depois da chuva,
amargura nas tuas mãos

amargura em todos os teus gestos.

Só não existe amargura
onde não existe ser.

Estão sendo atropelados
em seus caminhos,
os que nada mais têm a encontrar.
Os que sentiram amargura de fel
escorrendo da boca,
os que tiveram os lábios
macerados de amor.
Estão terrivelmente sozinhos
os doidos, os tristes, os poetas.

Só não morro de amargura
porque nem mais morrer eu sei.

Presságio — 1950

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Hilda Hilst: O poema não vem. E quando vem é falho, impreciso. . . .

 
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VIII

O poema não vem.
E quando vem é falho,
impreciso.
Este canto sem nome
é um apelo
aos homens à escuta
e às mulheres.

Há tempos que sua ausência
ronda os caminhos do sono
envolve-se igual à rede
no mistério de minha vida.

Boiavam antes os peixes
à tona do pensamento.

Havia estrelas do mar
no fundo dos castiçais.

II

Manhã raiada ou soluço
perdido na madrugada,
transformado em folha, fruto,
brotando igual à palmeira
em terra sem tradição
mesmo assim,
tragam esta poesia
que é preciso falar
da amiga que se indo embora
demora até voltar.
E deste amor de pensá-la
sem revê-la
nascerá o meu canto
mais sentido
que o cantar dos amantes
satisfeitos.

III

Homens distantes do mundo
sucumbidos pelo sonho,
dia virá em que as naus
estarão sem nenhum porto
e as velas sem direção.
Nem haverá uma estrela
buscando o brilho de outrora
e sem ela algum poeta
fazendo um último apelo:

Procurem o poema virgem.
Manhã raiada ou soluço
perdido na madrugada...

(Balada de Alzira — 1951)

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Hilda Hilst: Eu cantarei os humildes . . .

 
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I

Eu cantarei os humildes
os de língua travada
e olhos cegos
aqueles a quem o amor
feriu sem derrubar.

Cantarei o gesto
dos que pedem e não alcançam
a resignação dos santos
o sorriso velado e inútil
dos homens conformados.

Eu cantarei os humildes
o homem sem amigos
o amante sem esperança
de retorno.

Cantarei o grito
de escuta universal
e de mistério nunca desvendado.
Serei o caminho
a boca aberta
os braços em cruz
a forma.

Para mim
virão os homens desconhecidos.

Balada de Alzira — 1951

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Hilda Hilst: Balada do festival

 
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XIV

Na verdade apareceu
vindo de terras distantes
um homem quase poeta
que me amou e que se deu
a mim e a outras também.
E dizia ao telefone
coisas tão ternas, tão tudo
que só de ouvi-lo e esperá-lo
muita mulher se perdeu.
Muita mulher… também eu.
Amei-o naquela pressa
de horas marcadas e hotéis…
dentro de mim a promessa
de amá-lo ainda que fosse
na velha China, nos mares,
dentro de algum avião.
E quando ele me chamava
eu toda vagotonia
ia e vinha e pressentia
o homem que me fugia
de passaporte na mão.
Agora estou cansada
perdi-me na confusão
de ser amante e amada.
Se ainda vou procurá-lo
Em Paris ou Viena
não me perguntem, amigos,
que eu faço um olhar tão triste
tão triste de fazer pena…
Na verdade apareceu
vindo de terras distantes
um homem asas e Orfeu.

Balada do Festival — 1955

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Baladas — Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo, São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 — 2004), paulista de Jaú, formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga; escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980), Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos (1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002) entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em 1965, em Campinas SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.