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E fiz de tudo...
Fui autêntica, durante algum tempo.
Fui inquietude e fragilidade.
Brilhei em roda de amigos.
Pratiquei o esporte com violência
e uma vez (trágica melancolia!)
nadei com aparente desenvoltura
(peito arfante e dilacerado)
mil metros na butterfly...
Fui amante, amiga, irmã,
sorri quando ele me disse coisas amargas...
E nada o comove.
Nada o espanta.
E ele mente
e mente amor
como as crianças mentem.
Balada do festival — 1955
Baladas —
Hilda Hilst, Organização e plano de edição de Alcir Pécora, 2003, Editora Globo,
São Paulo — SP; Hilda de Almeida Prado Hilst (1930 — 2004), paulista de Jaú,
formada em Direito pela Universidade de São Paulo, foi poeta, ficcionista e dramaturga;
escreveu e publicou: em poesia, Presságio (1950), Balada de Alzira (1951), Balada
do Festival (1955), Roteiro do Silêncio (1959), Trovas de muito amor para um amado
senhor (1960), Ode Fragmentária (1961), Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962),
Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão (1974), Da Morte. Odes Mínimas (1980),
Cantares de Perda e Predileção (1983), Poemas Malditos, Gozosos e Devotos
(1984), Amavisse (1989), Alcoólicas (1990), Bufólicas (1992), Exercícios (2002)
entre outros títulos; ficção: Fluxofloema (1970), Qadós (1973), Tu não te moves
de ti (1980), A Obscena Senhora D (1982), Contos d'escárnio (1992), Cartas de um
sedutor (1991) etc.; dramaturgia: Teatro Reunido, volume I (2000); Hilda Hilst teve
seu trabalho reconhecido nos meios literários, foi detentora de muitas premiações
e teve obras traduzidas para o francês, italiano, espanhol, inglês e alemão; em
1965, em Campinas — SP, construiu a Casa do Sol, ali passou a residir, e dali passou
a produzir seus textos; hoje, a Casa do Sol é a sede do Instituto Hilda Hilst, o
qual objetiva preservar a sua obra e o local onde a autora trabalhou.























