____________________
— "Esse barco, que corta
velozmente
do claro Tejo a veia cristalina,
ó doce mãe do Amor, bela Ericina,
todo o meu bem me leva cruelmente.
Mas já que é tão feliz, Deusa,
exprimente
de tua estrela a proteção divina:
de alegres auras viração benina
ao doce porto o leve
felizmente".
Isto dizia Elpino, acompanhando
com os tristes olhos um batel
ligeiro,
que quase no horizonte se ocultava.
Turva se foi a noite então
cerrando,
e o pastor, entre o denso nevoeiro,
os olhos pelas ondas alongava...
____________________
O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco
de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987,
Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Dinis da Cruz e Silva (1731 — 1799), português coimbrense,
formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi magistrado e poeta fundador
da Arcádia Lusitana; no Arcadismo usava o pseudônimo de Elpino Nonacriense; consta
que coexistia entre os Árcades o lema de muito pouco ou mesmo nada de suas obras
serem publicadas em vida, com o poeta isso também se deu: publicou apenas quatro
"hinos", três "idílios", duas "odes" e um "ditirambo";
postumamente vieram Odes Pindáricas (1801), O Hissope (1802), Poesias (seis volumes,
1807 — 1817, incluindo a comédia O Falso Heroísmo).

