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quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Antônio Dinis da Cruz e Silva: — "Esse barco, que corta velozmente . . . [soneto]


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"Esse barco, que corta velozmente
do claro Tejo a veia cristalina,
ó doce mãe do Amor, bela Ericina,
todo o meu bem me leva cruelmente.

Mas já que é tão feliz, Deusa, exprimente
de tua estrela a proteção divina:
de alegres auras viração benina
ao doce porto o leve felizmente".

Isto dizia Elpino, acompanhando
com os tristes olhos um batel ligeiro,
que quase no horizonte se ocultava.

Turva se foi a noite então cerrando,
e o pastor, entre o denso nevoeiro,
os olhos pelas ondas alongava...

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Antônio Dinis da Cruz e Silva (1731 1799), português coimbrense, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi magistrado e poeta fundador da Arcádia Lusitana; no Arcadismo usava o pseudônimo de Elpino Nonacriense; consta que coexistia entre os Árcades o lema de muito pouco ou mesmo nada de suas obras serem publicadas em vida, com o poeta isso também se deu: publicou apenas quatro "hinos", três "idílios", duas "odes" e um "ditirambo"; postumamente vieram Odes Pindáricas (1801), O Hissope (1802), Poesias (seis volumes, 1807 1817, incluindo a comédia O Falso Heroísmo).

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Antônio Dinis da Cruz e Silva: Aqui sentado neste mole assento, . . . [soneto]

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Aqui sentado neste mole assento,
Que formam as ervinhas deste prado,
Enquanto a verde relva pasce o gado,
Quero ver se divirto o meu tormento.

Que fresca a tarde está! que brando o vento
Move as águas do rio sossegado!
E como neste choupo levantado
Se queixa a triste rola em doce acento!

As flores com suavíssimas fragrância,
As aves com docíssima harmonia
Fazem mais alegre esta fresca estância:

Mas nada os meus pesares alivia;
Que da minha saudade a cruel ânsia
Me não deixa um instante de alegria.

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Presença da Literatura Portuguesa II — Era Clássica, por Antonio Soares Amora, 1974, Difusão Européia do Livro, São Paulo — SP; Antônio Dinis da Cruz e Silva (1731 1799), português coimbrense, estudou Latim e Filosofia no Colégio dos Oratianos, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, foi magistrado e poeta fundador da Arcádia Lusitana; no Arcadismo usava o pseudônimo de Elpino Nonacriense; consta que coexistia entre os Árcades o lema de muito pouco ou mesmo nada de suas obras serem publicadas em vida, com o poeta isso também se deu: publicou apenas quatro "hinos", três "idílios", duas "odes" e um "ditirambo"; postumamente vieram Odes Pindáricas (1801), O Hissope (1802), Poesias (seis volumes, 1807 1817, incluindo a comédia O Falso Heroísmo).

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Antônio Dinis da Cruz e Silva: Ai triste! O oitavo lustro é já passado . . . [soneto]

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Ai triste! O oitavo lustro é já passado
De minha amarga descontente vida,
Sem que nesta carreira tão comprida
Um sincero prazer tenha gostado.

Sempre de densas nuvens rodeado
Me trouxe o Sol a luz apetecida;
E o campo, que pisei na amarga lida,
De abrolhos achei sempre semeado.

Se o bem sucede ao mal, se com presteza
A boa ou má fortuna corre e passa,
Constante na inconstância e ligeireza:

Como só em meus males tem firmeza!
Mas ah! para alongar minha desgraça
Comigo tem mudado a natureza.

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Presença da Literatura Portuguesa II — Era Clássica, por Antonio Soares Amora, 1974, Difusão Européia do Livro, São Paulo — SP; Antônio Dinis da Cruz e Silva (1731  1799), português coimbrense, estudou Latim e Filosofia no Colégio dos Oratianos, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, foi magistrado e poeta fundador da Arcádia Lusitana; no Arcadismo usava o pseudônimo de Elpino Nonacriense; consta que coexistia entre os Árcades o lema de muito pouco ou mesmo nada de suas obras serem publicadas em vida, com o poeta isso também se deu: publicou apenas quatro "hinos", três "idílios", duas "odes" e um "ditirambo"; postumamente vieram Odes Pindáricas (1801), O Hissope (1802), Poesias (seis volumes, 1807 1817, incluindo a comédia O Falso Heroísmo).