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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Belmiro Braga: Nossa Vida é Uma Balança . . .

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Nossa vida é uma balança
Com duas conchas iguais:
Numa a alegria descansa,
Noutra descansam os ais.

Como são afortunadas
As almas que podem ter
Nas conchas equilibradas
Igual dor, igual prazer.

Minhas conchas em porfia
Não se equilibram jamais:
Sempre a dos risos vazia
E sempre cheia a dos ais.

[Rosas, 1917, 3ª edição, Dias Cardoso & Cia.,
 Juiz de Fora, 1917, sem numeração de páginas.]

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Rio de Janeiro — RJ; Belmiro Belarmino de Barros Braga (1872  1937), mineiro de Vargem Grande, atual município de Belmiro Braga, à época distrito de Juiz de Fora, exerceu diversos ofícios (caixeiro de secos e molhados, empregado de padaria, comerciante, tabelião), foi poeta  escreveu quadras, sonetos humorísticos e peças teatrais,  e declarou uma vez: "Aos sete anos, na ânsia de saber tudo, apelidaram-me o Confessor; aos onze, quando no colégio, pelo desejo de aprender sobressaía nos estudos, fui retirado dele; aos treze, em vez de ir para um meio culto, fui conviver com analfabetos e, assim, tudo me tem corrido pela vida fora..."; publicou Montezinas (1902), Cantos e Contos (1906), Rosas (1911), Contas do Meu Rosário (1918), A Moda (1918), Tarde Florida (1918), Redondilhas (1934), Dias Idos e Vividos (memórias, 1936), e deixou também numerosa produção poética esparsa em jornais e revistas; pertenceu à Academia Mineira de Letras.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Belmiro Braga: Balas de Estalo

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Eu morro por Filomena,
Filomena por Joaquim,
o Joaquim por Madalena
e Madalena por mim.*

                 

Vi teus braços... que ventura!
teu colo... as pernas... que gosto!
Agora, tira a pintura,
que eu quero ver o teu rosto.

                  

Teu coração é morada
que não me atrai, felizmente;
 Quem nele arranja pousada
encontra a cama ainda quente.

                  

Do berço à tumba há um caminho
que todos têm de transpor:
De passo a passo  um espinho,
De légua em légua  uma flor.

                  

Calúnia, à falta de assuntos,
porque na cama nos viu,
diz que nós dormimos juntos,
mas nenhum de nós dormiu...

                  

Quantos mortos trago vivos
no fundo do coração
e dentro em mim quanto vivos
há muito mortos estão!...

(Redondilhas, 1934,
 Renato Americano — Editor,
Rio, págs. 91 a 105.)


Nota do Organizador:
* Aproxima-se essa quadra da 'Quadrilha', de Carlos Drummond de Andrade (Fazendeiro do Ar & Poesia até Agora, José Olympio, 1955, pág 52): João amava Teresa que amava Raimundo / que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili / que não amava ninguém / João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, / Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, / Joaquim suicidou-se e Lili casou-se com J. Pinto Fernandes / que não tinha entrado na história.
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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro RJ; Belmiro Belarmino de Barros Braga (1872 1937), mineiro de Vargem Grande, atual município de Belmiro Braga, à época distrito de Juiz de Fora, exerceu diversos ofícios (caixeiro de secos e molhados, empregado de padaria, comerciante, tabelião), foi poeta, escreveu quadras, sonetos humorísticos e peças teatrais, e declarou uma vez: "Aos sete anos, na ânsia de saber tudo, apelidaram-me o Confessor; aos onze, quando no colégio, pelo desejo de aprender sobressaía nos estudos, fui retirado dele; aos treze, em vez de ir para um meio culto, fui conviver com analfabetos e, assim, tudo me tem corrido pela vida fora..."; publicou Montezinas (1902), Cantos e Contos(1906), Rosas (1911), Contas do Meu Rosário (1918), A Moda (1918), Tarde Florida (1918), Redondilhas (1934), Dias Idos e Vividos (memórias, 1936), além de numerosa produção poética esparsa em jornais e revistas; pertenceu à Academia Mineira de Letras.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Belmiro Braga: Olhando o rio

A Alencar Duarte
Nas noites claras de luar, costumo
Ir das águas ouvir o vão lamento;
E, após o ouvi-las, cauteloso e atento
Que o rio também sofre, eis que presumo.

Nesse que leva tortuoso rumo,
Que fado triste e por demais cruento:
Vai deslizando agora doce e lento
E agora desce encachoeirado e a prumo.

O dorso aqui lhe encrespa leve brisa,
Ali o deslizar calhau lhe veda;
Além, de novo, sem fragor, desliza...

És como o rio, coração tristonho:
Se ele vive a chorar de queda em queda,
Vives tu a gemer de sonho em sonho...

Brazilian poet and journalist. Nasceu o poeta na Fazenda da Reserva, antigo Distrito de Vargem Grande (hoje Município com o seu nome), perto de Juiz de Fora, a 7 de Janeiro de 1872, e morreu em Juiz de Fora, a 31 de Março de 1937. Foi comerciante e tabelião em Juiz de Fora. Escrevia artigos no jornal de Juiz de Fora O Farol, chegando até escrever um livro de versos-Rosa e Liros. Membro Fundador da cadeira 8 na Academia Mineira de Letras. Em sua homenagem, seu local de nascimento recebeu seu nome após ser elevado à categoria de município, passando a ser chamado Belmiro Braga.
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Os Mais Belos Sonetos Brasileiros — Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de Letras — Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª  edição, 1947, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Belmiro Belarmino de Barros Braga (1872 1937), mineiro de Vargem Grande, atual município de Belmiro Braga, à época distrito de Juiz de Fora, exerceu diversos ofícios (caixeiro de secos e molhados, empregado de padaria, comerciante, tabelião), foi poeta escreveu quadras, sonetos humorísticos e peças teatrais, e declarou uma vez: "Aos sete anos, na ânsia de saber tudo, apelidaram-me o Confessor; aos onze, quando no colégio, pelo desejo de aprender sobressaía nos estudos, fui retirado dele; aos treze, em vez de ir para um meio culto, fui conviver com analfabetos e, assim, tudo me tem corrido pela vida fora..."; publicou Montezinas (1902), Cantos e Contos (1906), Rosas (1911), A Moda (1918), Contas do Meu Rosário (1919), Tarde Florida (1923), Redondilhas (1934), Dias Idos e Vividos (memórias, 1936), Na Roça, Na Cidade, O Divórcio, Que Trindade (teatro) e deixou também numerosa produção poética esparsa em jornais e revistas; pertenceu à Academia Mineira de Letras.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Belmiro Braga: Diálogo Sinistro

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Quanta vez junto a um jazigo
alguém murmura de leve:
 Adeus para sempre, amigo!
E diz-lhe o morto:  "Até breve!"

 Descansa em paz! a alegria
no céu imenso é que existe...
Diz-lhe o morto:  É tão sombria
a cova que me abriste...

 Uma vida excelsa e nova
vais ter na mansão celeste...
E diz-lhe o morto:  e uma cova
tão pequenina me deste...

 Ascende às regiões jocundas
dos céus onde a paz se encerra.
 Ascende aos céus... e me afundas
no seio escuro da Terra.

 Teu nome puro, garanto,
jamais o tempo consome...
 Amanhã, (talvez, nem tanto!...)
ninguém saberá meu nome.

 Tua memória perdura
dos teus filhos na lembrança...
 Ah! minha memória dura
enquanto durar a herança...

 A Justiça ser-te-á justa,
que ela é do Direito filha...
 A esta hora, quem sabe? ajusta
com meus filhos a partilha...

(Contas do Meu Rosário, Edição da
 Companhia de Seguros de Vida
 "Cruzeiro do Sul" [Rio], 1918)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume V  Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Rio de Janeiro RJ; Belmiro Belarmino de Barros Braga (1872 1937), mineiro de Vargem Grande, atual município de Belmiro Braga, à época distrito de Juiz de Fora, exerceu diversos ofícios (caixeiro de secos e molhados, empregado de padaria, comerciante, tabelião), foi poeta  escreveu quadras, sonetos humorísticos e peças teatrais, e declarou uma vez: "Aos sete anos, na ânsia de saber tudo, apelidaram-me o Confessor; aos onze, quando no colégio, pelo desejo de aprender sobressaía nos estudos, fui retirado dele; aos treze, em vez de ir para um meio culto, fui conviver com analfabetos e, assim, tudo me tem corrido pela vida fora..."; publicou Montezinas (1902), Cantos e Contos (1906), Rosas (1911), Contas do Meu Rosário (1918), A Moda (1918), Tarde Florida (1923), Redondilhas (1934), Dias Idos e Vividos (memórias, 1936), e deixou também numerosa produção poética esparsa em jornais e revistas; pertenceu à Academia Mineira de Letras.