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Nossa vida é uma balança
Com duas conchas iguais:
Numa a alegria descansa,
Noutra descansam os ais.
Como são afortunadas
As almas que podem ter
Nas conchas equilibradas
Igual dor, igual prazer.
Minhas conchas em porfia
Não se equilibram jamais:
Sempre a dos risos vazia
E sempre cheia a dos ais.
[Rosas, 1917, 3ª edição, Dias Cardoso & Cia.,
Juiz de Fora, 1917, sem numeração de páginas.]
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Panorama da Poesia Brasileira,
Volume V — Pré-Modernismo, por Fernando Góes, 1960, Rio de Janeiro — RJ; Belmiro Belarmino
de Barros Braga (1872 — 1937), mineiro de Vargem Grande,
atual município de Belmiro Braga, à época distrito de Juiz de
Fora, exerceu diversos ofícios (caixeiro de secos e molhados, empregado de
padaria, comerciante, tabelião), foi poeta — escreveu quadras,
sonetos humorísticos e peças teatrais, e declarou uma vez: "Aos sete
anos, na ânsia de saber tudo, apelidaram-me o Confessor; aos onze, quando
no colégio, pelo desejo de aprender sobressaía nos estudos, fui retirado dele;
aos treze, em vez de ir para um meio culto, fui conviver com analfabetos e,
assim, tudo me tem corrido pela vida fora...";
publicou Montezinas (1902), Cantos e Contos (1906), Rosas (1911), Contas
do Meu Rosário (1918), A Moda (1918), Tarde
Florida (1918), Redondilhas (1934), Dias Idos e
Vividos (memórias, 1936), e deixou também numerosa produção
poética esparsa em jornais e revistas; pertenceu à Academia Mineira de
Letras.


