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Quando o vento das
primaveras anuncia as florações e anuncia os girassóis, os araçás, as
madressilvas, teus versos tuas granadas abrindo as veredas do meu país livre
quando não sei, tu és a lua clara obscura lua clara, as noites que maduram o
coração da terra, os líricos olhos dos touros da saudade, o mar vejo as
estrelas os limões, és tessitura das manhãs, o amado guia no reino no bosque
das vigílias, floresces e perduras onde o amor perdura, é frágil a terra do
esquecimento, os ventos da primavera voltam sempre e as palavras tecem teu
canto e teu corpo e tua viagem, e os híbridos frutos de meu país livre quando
não sei esplendem nos olhos do pássaro teu irmão, para sempre
os cardos os pomos, os
selvagens rosais dos invernos e as novas estações dos povos da coragem, as
embiras as timboranas o vento sul as auroras, abriga-me em tua paisagem onde
tudo se anuncia, tu és o dia tu és o dia, a fava, o fauno, a fala, a festa não
fixa de viver e conviver, o móvel calendário de amar para sempre, tu és a
samambaia nas varandas, o seixo dentro do rio de dentro
o sangue, o fuzil das
guerrilhas interiores, e se nos montes e nos pantanais e nos corações agitas as
ervas e os navios de verdades largas, tu Federico García Lorca, eu te chamo uma
vez só, e isto basta para quem tem antenas e ouvidos e sabe que o mundo está
aqui dentro mas está lá fora do meu país livre quando não sei, tu és o gravatá-do-campo,
a flor verde, a bravura de meu país livre quando não sei, guarida onde me
abrigo, rio dos minérios das minas da manhã, argila das florescências,
espiga dos tempos claros,
fruto aberto no esquema silvestre dos corações, há uma solução na garganta de
meu país livre quando não sei.
(Incorporação: Doze Anos
de Poesia, 1962 a 1973.
São Paulo [SP}, Quíron, 1974. © Rafaela
Hering Bell.)
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Antologia do Poema em Prosa
no Brasil [várias autorias], Seleção e Organização de Fernando Paixão, 2024, Editora
Unicamp e Ateliê Editorial, São Paulo — SP; Lindolf Bell (1938 — 1998), catarinense
de Timbó, filho de lavradores, formado pela Escola de Arte Dramática de São Paulo,
foi poeta, contador, professor e crítico de artes; liderou o Movimento Catequese
Poética, o qual tinha a iniciativa de conduzir poesia às ruas, através de recitais
e cantorias, o que o tornou reconhecido no Brasil e também no exterior; obras: Os
Póstumos e as Profecias (1962), Os Ciclos (1964), Convocação (1965), Curta Primavera
(1966), A Tarefa (1966), Antologia Poética de Lindolf Bell (1967), Antologia da
Catequese Poética (Lindolf Bell e outros poetas, 1968), As Annamárias (1971/1979),
Incorporação (1974), As Vivências Elementares (1980), O Código das Águas (premiado
pela Associação Paulista dos Críticos de Artes — APCA, 1984), Setenário (1985),
Texto e Imagem (1987), Iconographia (1993), Réquiem (1994); o poeta teve textos
editados em Angola — África, além de ter sido traduzido em edições de revistas e
antologias (idiomas italiano, belga, inglês e espanhol).










