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Eu vou pela avenida ampla
e longa, e iluminada,
em que há palácios e torres,
e cúpulas1 de ouro
erguidas
como as de velha estampa
da infância iluminada,
como as de velha estampa
que tanto me fez sonhar!
Eu vou pela avenida longa,
mas vou indiferente...
Porque no êxtase dos meus olhos,
como numa água morta,
uma beleza mágica
outrora se refletiu...
Outra mais linda imagem
outrora se refletiu...
Oh, não foi assim como esta
uma ampla avenida cheia
de palácios, torres, cúpulas.
Mas uma rua da aldeia
com a luz de um lampião morrente...
—
Que são estas luzes vivas
da avenida esplandecente2
perto daquele lampião,
que iluminava até o fundo
o grande abismo profundo
da minha imaginação?!...
E a minha ruela humilde
era mais longa... ia além...
Quando a noite se adensava
perdia-se ela na sombra,
uma sombra longa, infinita,
muito longe, para além,
... de onde eu, trêmulo, esperava
as coisas que nunca vêm...
Notas da edição:
1. Cúpulas — Parte superior côncava de alguns edifícios;
2. Esplandecente — Resplandecente, brilhante.
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Poesia Brasileira
para a Infância (diversas autorias), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de
Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista,
1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Tasso Azevedo da Silveira (1895 — 1968), paranaense
e curitibano, fez o estudo secundário no Colégio D. Pedro II, formou-se em Ciências
Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito
da UFRJ), ambos no Rio, foi poeta ‘representante da ala espiritualista’ do modernismo,
ensaísta e professor universitário, dedicou-se “principalmente à literatura e ao
ensino de literatura”, e trabalhou como diretor de propaganda em “empresa de aviação”;
foi cofundador da revista curitibana Fanal, periódico literário do Novo Cenáculo,
e participou da Revista Festa, Rio de Janeiro, da qual também foi um dos fundadores;
colaborou em várias revistas literárias do Rio e de São Paulo e na luso-brasileira
Atlântico; foi professor de Literatura portuguesa na Universidade Católica e na
Faculdade Santa Úrsula, ambas no Rio; publicações: em poesia: Fio d’Água (1918),
A Alma Heróica dos Homens (1924), Alegorias do Homem Novo (1926), As Imagens Acesas
(1928), Cântico do Cristo do Corcovado (1931), Discurso ao Povo Infiel (1933), Puro
Canto (1956), em prosa: A Igreja Silenciosa (ensaios, 1922), Alegria Criadora, Definição
do Modernismo Brasileiro (crítica literária, 1932), Caminhos do Espírito (ensaios,
1937), Sombras no Caos (romance, 1959), e outros títulos em verso e prosa; em 1957,
recebeu o Prêmio Machado de Assis — ABL, pelo conjunto da obra.






