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domingo, 13 de outubro de 2019

Alcides Figueiredo: A morte de Sócrates

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Proscrito pelos seus, condenado ao tormento,
Sócrates, pensador, caminha então cativo;
E a populaça atroz, de momento a momento,
Maldiz o velho sábio, indiferente e altivo.

Já morto o coração, tendo o cérebro vivo,
Isento de sofrer e deste mundo isento,
Vê na morte inclemente o doce lenitivo
De quem só vê no mundo engano e sofrimento.

Altaneiro, ele encara a dor e a própria morte,
Pois com o semblante airoso e lúcido e sereno,
Vasa o cálice fatal, sem maldizer a sorte.

Pasma a turma imbecil num meditar profundo,
Vendo o sábio ingerir a taça de veneno,
Com o desdenhoso rir de quem despreza o mundo.
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Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói RJ; Alcides Figueiredo (1881 1972), fluminense de São Gonçalo, estudou no Colégio Salesiano de Santa Rosa, no Ginásio Nacional (hoje Colégio Pedro II) e na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, formou-se médico, trabalhou na área de saúde em diversos hospitais, clinicas e consultórios, e foi poeta e frequentador da Roda Literária do Café Paris, em Niterói RJ, um reduto de intelectuais e boêmios niteroienses, fluminenses e cariocas; ainda jovem e acadêmico, Alcides Figueiredo participou do jornal O Estudante órgão literário dos estudantes de Nicteroy, tendo sido tesoureiro do periódico, além de também ter colaborado intensamente em outros jornais de Niterói e revistas do Rio de Janeiro; escreveu e publicou Páginas Antigas (produção poética de 1901 a 1907).