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Proscrito pelos seus, condenado ao tormento,
Sócrates, pensador, caminha então cativo;
E a populaça atroz, de momento a momento,
Maldiz o velho sábio, indiferente e altivo.
Já morto o coração, tendo o cérebro vivo,
Isento de sofrer e deste mundo isento,
Vê na morte inclemente o doce lenitivo
De quem só vê no mundo engano e sofrimento.
Altaneiro, ele encara a dor e a própria morte,
Pois com o semblante airoso e lúcido e sereno,
Vasa o cálice fatal, sem maldizer a sorte.
Pasma a turma imbecil num meditar profundo,
Vendo o sábio ingerir a taça de veneno,
Com o desdenhoso rir de quem despreza o mundo.
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Café Paris: Os Precursores, por Maria José da Silva Fernandes e Emílio Maciel
Eigenheer, com a colaboração de Felipe Castilho Newman de Queiroz e Raphael Giovanini
Barros Santana, 2014, Editora Novas Ideias, Niterói — RJ; Alcides Figueiredo (1881 — 1972), fluminense de São Gonçalo, estudou no Colégio
Salesiano de Santa Rosa, no Ginásio Nacional (hoje Colégio Pedro II) e na Faculdade
de Medicina do Rio de Janeiro, formou-se médico, trabalhou na área de saúde em
diversos hospitais, clinicas e consultórios, e foi poeta e frequentador da Roda
Literária do Café Paris, em Niterói — RJ, um reduto de intelectuais e boêmios niteroienses, fluminenses
e cariocas; ainda jovem e acadêmico, Alcides Figueiredo participou do jornal O Estudante — órgão literário dos estudantes de Nicteroy, tendo
sido tesoureiro do periódico, além de também ter colaborado intensamente em outros
jornais de Niterói e revistas do Rio de Janeiro; escreveu e publicou Páginas Antigas
(produção poética de 1901 a 1907).