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Peruca lisa, cabelo alisado,
cabelo imitando o cabelo
da branca,
cabelo amaciado, ou seja,
cabelo meia-boca próximo
ao cabelo da branca;
cabelo artificial de tranças
longas para bons
trejeitos tipo branca;
cabelos que branca não tem
ou não usa
e exercem o mesmo ritual
do cabelo da branca:
rolam pelo ombro, espaldas
ou bem abrandados deslizam
no pente, escova, dedos
da preta que queria ser
a parda que queria ser
a clara que queria ser
a branca.
(Poemas: antologia — 2009)
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Antologia de Poesia Afro-Brasileira — 150 anos de consciência
negra no Brasil, Prefácio de Eduardo de Assis Duarte, Organização de Zilá Bernd,
Coorganização de Emilene Corrêa Souza e Plínio Carlos Souza Corrêa Junior, 2011,
Mazza Edições, Belo Horizonte — MG; Oliveira Ferreira da Silveira (1941 — 2009),
gaúcho de Touro Passo, distrito de Rosário do Sul, formado em Letras — Português
e Francês — na Universidade Federal do Rio Grande do Sul — UFRGS, foi professor,
poeta, pesquisador e militante do Movimento Negro; como ativista, atuou
através da revista Tição e do Grupo Semba; obras: Germinou (1962), Poemas
regionais (1968), Banzo, saudade negra (1970), Décima do negro peão (1974), Praça
da palavra (1976), Pelo escuro (1977), Roteiro dos tantãs (1981), Poema sobre Palmares
(1987), Poemas: antologia (2009), além de ensaios em diversas publicações; participou
ainda dos Cadernos negros 3, 11 e os melhores poemas (1980, 1988 e 1998), Axé: antologia
contemporânea da poesia negra brasileira (1982), Cadernos literários 19: poetas
negros do Brasil (1983), A razão da chama: antologia de poetas negros brasileiros
(1986), Schwarze Poesie — Poesia negra (1988), Antologia da Poesia negra brasileira:
o negro em versos (2005) e outros títulos; na década de 70, no Grupo Palmares, foi
um dos intelectuais afro-descendentes a propor a criação de um Dia Nacional da Consciência
Negra, 20 de novembro.

