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terça-feira, 6 de outubro de 2020

Paulino Cabral: A filosofia e os... imponderáveis

 
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Às vezes se não durmo, o pensamento
deixando o corpo sobre a cama quente,
me leva mais ousado, que prudente,
dos astros a medir o movimento.

Peso, calculo, meço e observo atento,
quantos globos encerra o céu luzente:
contemplo os turbilhões, e finalmente
me transporto até sobre o firmamento.

Descartes lá descubro: e nesse espaço,
que existência só tem na fantasia,
também meus orbes risco, e mundo faço.

E eis que vem com mais certa geometria
uma pulga, e me morde no cachaço;
vou-me arranhar; e adeus filosofia.

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Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; também conhecido como Abade de Jazente, Paulino António Cabral de Vasconcelos (1719 1789), português de Amarante, formado em Direito Canônico pela Universidade de Coimbra, foi poeta satírico, além de padre; entre os antigos poetas da língua portuguesa, é tido como um dos melhores satíricos ao lado de Bocage, Tolentino e Gregório de Matos; bibliografia: Poesias de Paulino Cabral de Vasconcelos, volume I (1786) e Poesias de Paulino António Cabral, volume II (1787).