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quinta-feira, 14 de maio de 2015

Pedro Rabelo: Mangueira velha

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Foi aqui. Neste tronco hirsuto, certo dia,
Viemos a data abrir das primeiras promessas...
Para no-las dourar, sobre nossas cabeças,
Do alto o sol através das árvores descia.

Contemplamo-nos. Tu cujo rosto sorria,
"Não me esqueças", disseste, e eu disse: "não me esqueças!"
E afastamo-nos, pois que de tua casa, às pressas,
Vinham todos os teus procurar-te, Maria.

Esqueceste-me. O sol que as nuvens avermelha,
Não nos viu nunca mais namorados e ufanos...
Breves anos o nosso eterno amor findaram...

Seja sempre abençoada esta mangueira velha!
Esta que inda o conserva através de dez anos,
Mais do que nossos dois corações o guardaram.

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Páginas de Ouro da Poesia Brasileira (vários autores) — Seleção e Prefácio de Alberto de Oliveira, H. Garnier, Livreiro Editor, 1911, Rio de Janeiro — RJ; Pedro Carlos da Silva Rabelo (1868 1905), nascido no Rio de Janeiro RJ, foi jornalista, contista e poeta; iniciou-se ainda muito jovem na imprensa e colaborou em inúmeros jornais da época; escreveu e publicou Ópera Lírica, poesia (1894), Alma Alheia, contos (1895), Filhotadas, versos humorísticos (1898) e Casos alegres: histórias para gente sorumbáticas (1905); foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras.