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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Glauco Mattoso: Soneto da vida dura (#17) & Soneto da boa vida (#16)

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Soneto da vida dura (#17)

Você não passa fome, mas é pobre:
dindim de aposentado é mixaria!
E, como me sustenta, deveria
pedir esmola, pra que algum me sobre!

Agora que seu teto também cobre
o cara que lhe zomba da agonia,
você vai, desde já, durante o dia,
pra esquina do metrô! Não acha nobre?

E nada de queixar-se a algum estranho,
tá ouvindo? Eu que te pegue! A quem pergunta,
sou seu irmão mais novo e te acompanho!

De tarde, um bom trocado você junta
e eu pego! Tá pensando que me acanho?
Papai sumiu! Mamãe já tá defunta!

Soneto da boa vida (#16)

Emprego? Isso eu não tenho nem procuro!
Me viro é mais no bico e no trambique!
E quando pinta chance pra que eu fique
à toa, não sou trouxa de dar duro!

O trouxa é só você, que tá no escuro,
pra sempre! Justo agora dou um clique
e ligo essa tevê, que não é chique
mas custa no seu bolso, a prazo, o juro!

Assisto meus programas, puxo fumo
e deixo aí você, chupando o dedo
do pé! Do meu pezão! Sou foda e assumo!

Eu fico no sofá. Você, eu concedo
que arraste-se no chão: assim arrumo
um teto, um prato, um judas e um brinquedo!

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Faca cega e outras pelejas sujas — Glauco Mattoso (com Danilo Cymrot e Leo Pinto), Série Mattosiana, Volume 1, 1ª edição: agosto de 2007, (Coleção Dix Editorial), 2007, Editora Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Glauco Mattoso: Sonnetto do decoro parlamentar

 
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O illustre senador é um sem-vergonha!
O quê?! Vossa Excellencia é que é saphado!
E os dois parlamentares, no Senado,
disputam palavrão que descomponha.

Um grita que o collega usa maconha.
Responde este que aquelle outro é veado.
Até que alguém apparte, em alto brado
anima-se a sessão que era enfadonha.

Inútil tentativa, a da bancada,
de a tempo separar o par briguento:
aos tapas, se engalfinham por um nada.

Imagem sem pudor do Parlamento,
são ambos mais sinceros que quem brada:
Da pecha de larappio me innocento!

(Poética na política, 2004 —
poema revisto para esta antologia)

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Revolta e protesto na poesia brasileira — 142 poemas sobre o Brasil [diversas autorias], Organização e Apresentação de André Seffrin, 2021, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Glauco Mattoso: Soneto para o batismo dos filhos

 
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1808

No terceiro-mundismo brasileiro
ninguém se chama Pedro nem José:
a gente se depara, o tempo inteiro,
com nome que vernáculo não é...

Sempre um “son”, sempre um “ton”, é o que primeiro
a um pai na idéia vem... À mãe até
ocorre um “ley” ou “ney” alvissareiro
que ao filho no futuro traga fé...

Pedrilson, Josezilton, Pedriney,
Joseley... Meu nominho? Já nem sei
mais como ficaria a escrita disso...

Se eu fosse um jogador de futebol,
então, alguma coisa mais de escol
seria: Pedrizélysson, Zezylsson...

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Glauco Mattoso: Soneto da morte de Moniz Barreto

 
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1868

Exímio glosador, foi pioneiro
do gênero, e deu aulas a Laurindo*.
Ninguém é fescenino o tempo inteiro,
mas nele o verso chulo foi subindo...

“Mulata, quando fode...” tem o cheiro
daquilo que, em Moniz, mostra-se infindo
a título de mote: esse celeiro
tão farto , inesgotável, e tão lindo...

Enquanto na Bahia, houve repente
precoce, oitocentista, indiferente
mostrava-se, na Corte, a classe barda...

Depois do cordelismo, bem mais tarde,
a veia glosadora já covarde
não é, que Sesyom** a vir não tarda...


Notas do atrevido aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa:
* Laurindo: trata-se de Laurindo Rabelo, (1826 — 1864), poeta do Rio de Janeiro — RJ;
** Sesyom: trata-se de Moysés Lopes Sesyom, (1883 — 1932), poeta, nascido em Caicó — RN.
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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

domingo, 13 de junho de 2021

Glauco Mattoso: Soneto da morte de Bocage

 
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1805

Adeus às putas deu nosso poeta
bem antes de pedir que lhe rasgasse
os versos quem os lera: sua meta,
então, era foder algum rapace...

Garotos enrabou quando da reta
as putas lhe fugiram? Ou a classe
das putas não é coisa que lhe afeta
mais e não lhe dá tesão que as cace?

Difícil é saber. Mas o que importa
é ver que, sob a escada, atrás da porta,
o nosso Manuel* foi como sou...

É pena que os sonetos nada dizem,
por mais que os gays, curiosos, os pesquisem,
se foi ele chupado ou só enrabou...


* Nota do atrevido aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765 — 1805), português de Setúbal, poeta do arcadismo lusitano, escreveu e publicou Rimas (mais de uma edição) e outras obras.
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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Glauco Mattoso: Soneto para os inutensílios

 
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1893

Agora a esferográfica vigora,
mas caneta-tinteiro é o que se usava,
além do eterno lápis. Sua hora
tem tudo, desde a espada à “forte clava”...

Máquina de escrever hoje decora
os museus e antiquários. Quem gostava
do disco de vinil faz, sem demora,
a cópia digital e em cedê grava...

Também as embalagens mudam: leite
já vem numa caixinha, e há quem o aceite
até num saco plástico nojento...

Apenas o soneto nunca muda:
dinâmico, assimila, testa, estuda,
mas continua sempre à forma atento...

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

sábado, 15 de maio de 2021

Glauco Mattoso: Soneto do réu confesso

 
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808

"Morreu a poesia? Não fui eu!"
gozou Zé Paulo Paes*. Agora alguém
sustenta que a matou e que fez bem:
"Matei não só a Marília: até o Dirceu!"

Pergunto: quem dirá que um verso meu
despacha uma mosquinha para o Além?
No máximo um político o desdém,
abaixo do cocô, me mereceu!

Eu próprio quis matar a poesia
mais de uma vez, tocando fogo nela
ou "abolindo o verso" e a pondo fria.

Não deu: a desgraçada se rebela,
renasce, ressuscita, desafia,
e bobo faz de quem lhe acende vela.


* Nota do atrevido aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: Zé Paulo Paes: José Paulo Paes (1926 — 1998), paulista de Taquaritinga, poeta, tradutor, ensaísta e crítico literário, escreveu A Poesia está morta mas juro que não fui eu (poemas, 1988) e muitas outras obras.
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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

Glauco Mattoso: Soneto da morte de Laurindo Rabelo

 
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1864

Chamei-o “cabeludo” se Rabelo
e, se Rebelo, o chamo “rebelado”.
Os dois termos definem, mas revê-lo
permite esclarecê-lo com cuidado:

O verso fescenino fez, e fê-lo
levado por Moniz. Já revoltado
foi sempre esse crioulo, e seu apelo
ao chulo, em tal contexto, está explicado.

Glosou e sonetou diverso mote,
da lúbrica mulata ao molecote
fanchono, mais adulto que menino...

Romântico, deixaram-lhe de fora
as obras pornográficas que, agora,
resgato e pela rede dissemino...

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, Glauco Mattoso, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecetera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Glauco Mattoso: CD "Melopéia: Sonetos Musicados" Álbum completo

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01 Arnaldo Antunes "confessional" (0:00)
02 Humberto Gessinger "revista" (4:05)
03 Edvaldo Santana "Bélico" (7:50)
04 Guedes & Stefani "pacifista" (11:46)
05 Elefunk "virtual" (16:05)
06 Wander Wildner "ensaístico" (20:20)
07 365 "desertado"(23:13)
08 Ayrton Mugnaini Jr. "Flatulento"(26:20)
09 Billy Brothers "escatologico" (29:15)
10 Devotos "Dercy Gonçalves" (31:33)
11 DJ Kraneo "inescrupuloso" (34:51)
12 Falcão & Eriberto Leão "Precípuo" (35:20)
13 Elefunk "virtual" (39:07)
14 Alexandre Nero "manifesto obsoleto" (43:35)
15 Laranja Mecânica "confessional" (45:09)
16 DJ Kraneo "inescrupuloso" (48:08)
17 Madan "ao maior" (48:38)
18 Itamar Assumpção & Renata Mattar "Amélia & Emília" (52:22)
19 Claudia Wonder & Edson Cordeiro "virtual" (55:20)
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CD Melopéia: Sonetos Musicados (por diversos compositores e intérpretes), compact-disc, 2001, Rotten Records, São Paulo — SP); Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Glauco Mattoso: Soneto do consenso no contrassenso [1495]

Resultado de imagem para Glauco Mattoso As mil e uma línguas
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Estava inspiradíssimo e falava
o Lula de improviso: lembra o rato,
a enchente, a merda, a fedentina brava
que enfrenta o miserável... Mundo ingrato!

Repete o termo “merda”: não achava
sinônimo mais culto. Mas o fato
de estar perante um público sem trava
na língua lhe autoriza o desacato...

Anima-se a platéia. Um mais bandalho
concorda: “Mas que merda, meu! Caralho!
Tá certo o presidente, mesmo, porra!”

Os outros fazem coro. “Porra, meu!
Que merda! Pobre sempre se fodeu!”
Que bom que ao mesmo termo se recorra!

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia — Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é: Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

sábado, 4 de março de 2017

Glauco Mattoso: Soneto transubstancial [1223]

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Rimbaud quer que a vogal tenha uma cor,
mas vejo, na cegueira, que o lugar
das vocalizações é o paladar
e busco, se as degusto, seu sabor.

Também as consoantes podem pôr
tempero na palavra e alimentar
matizes nesse molho elementar
que não tem só papel decorador.

“A” lembra “sal”, e o “L” lambe o lábio
“E” sabe a “mel”, e o “M” mela a mão.
“I” vê na “lima” o amargo, e a língua sabe-o.

“O” tem sabor azedo, qual “limão”,
“U” prova que o poeta, como um sábio,
faz uva virar vinho, e verso, pão.

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP  São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia  Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo  SP), O que é: Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Glauco Mattoso: Soneto da Imortalidade [787]

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O cara, se é político, o poder
cobiça, é claro. Além, porém, da grana,
fascina alguns aquilo que na humana
vaidade faz cosquinha: alguém os ler.

A esses, escritor não basta: crer
a si mesmo “imortal” é o que os ufana.
Entrar pra Academia acham bacana:
que sexo usar fardão dá mais prazer.

Não falta puxa-saco que os eleja:
qualquer discurso vale como “a obra”,
e o chá lhes é servido de bandeja.

Se a crítica o talento a um deles cobra,
medíocre poesia o autor despeja
da mão dalgum “fantasma” que se dobra.

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As Mil e Uma Línguas — Série Mattosiana, Volume 3, 2008, Dix Editorial — Annablume, São Paulo — SP; Glauco Mattoso, ou Pedro José Ferreira da Silva, nascido em 1951, paulista e paulistano, é poeta, ensaísta, ficcionista e articulista em diversas mídias; seu pseudônimo e nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); cursou Biblioteconomia (Escola de Sociologia e Política, São Paulo) e Letras Vernáculas, na USP São Paulo; tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil — de 1977 a 1981 (compilado em um único volume pela Iluminuras, São Paulo SP, em 2001), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, 1982, completa o Jornal Dobrábil), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, 1982, Edições Trote, Rio de Janeiro RJ), Línguas na Papa (poemas, 1982, Edições Pindaíba, São Paulo SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (1999, Ciência do Acidente, São Paulo SP), Panacéia  Sonetos Colaterais (2000, Nankin Editorial, São Paulo SP), Melopéia: Sonetos Musicados (2001, compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, Rotten Records, São Paulo SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, 1981, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O que é: Tortura (ensaio, 1984, Editora Brasiliense, São Paulo SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, 1985, EMW Editores, São Paulo SP) etc etc etc, e bota etecétera nisso; colaborou em vários jornais e revistas da imprensa alternativa e em diversos periódicos literários, e ainda colabora; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil; é sonetista inveterado.