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[traduzido por Augusto de Campos]
Desde o princípio até a jovem morte
A terrível beleza te espreitava
Como a outros tantos a propícia sorte
Ou a má. Nas auroras te esperava
De Londres, entre as páginas casuais
De um dicionário de mitologia,
Nas mais humildes dádivas do dia,
Em um rosto, uma voz, ou nos mortais
Lábios de Fanny Brawne. Ó sucessivo
E arrebatado Keats, que o tempo cega,
Esse alto rouxinol, essa urna grega
São tua eternidade, ó fugitivo.
Foste o fogo. Na pânica memória
Já não és mais a cinza. És a glória.
[Quase Borges. 20 transpoemas e uma entrevista. Tradução
de Augusto de Campos. São Paulo: Terracota, 2013.]
A John Keats (1795 — 1821)
Desde el principio hasta la joven muerte
La terrible belleza te acechaba
Como a los otros la propicia suerte
O la adversa. En las albas te esperaba
De Londres, en las páginas casuales
De un diccionario de mitología,
En las comunes dádivas del día,
En un rostro, una voz, y en los mortales
Labios de Fanny Brawne. Oh sucesivo
Y arrebatado Keats, que el tiempo ciega,
El alto ruiseñor y la urna griega
Serán tu eternidad, oh fugitivo.
Fuiste el fuego. En la pánica memoria
No eres hoy la ceniza. Eres la gloria.
(El oro de los tigres — 1972)
[Quase Borges. 20 transpoemas e uma
entrevista. Tradução
de Augusto de Campos. São Paulo: Terracota, 2013.]
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Linguaviagem — Augusto de Campos: Ensaios,
Estudos [acerca] de seis poetas selecionados & poemas traduzidos, Breve introdução
e Tradução dos poemas [bilíngue], por Augusto de Campos, 1987, Companhia das Letras,
São Paulo — SP; Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (1899 — 1986), argentino
de Buenos Aires, aprendeu a língua inglesa com a avó paterna antes de falar espanhol,
suas primeiras leituras se deram naquele idioma, foi poeta, contista,
ficcionista, ensaísta, crítico literário, tradutor, professor universitário e
bibliotecário; aos 9 anos de idade escreveu La Visera Fatal, seu primeiro conto
“inspirado em episódio da obra de Dom Quixote”; de 1914 a 1920, já com
alfabetização bilíngue, viveu com a família na Europa, concluiu seus estudos
secundários no Collège de Genève — Suiça, ligou-se ao movimento altruísta
literário de vanguarda na Espanha, de volta à Argentina, na década de 1920,
publicou três livros de poesia e, a partir daí, deu início à publicação de seus
contos, invariavelmente na revista Sur, a qual também editou seus livros de
ficção; lecionou Literatura Inglesa na Universidade de Buenos Aires, trabalhou
na Biblioteca Municipal Miguel Cané e dirigiu a Biblioteca Nacional; em 1956,
já sendo proibido pelos oftalmologistas de ler e escrever, passou a conviver
com a cegueira que, vindo de forma gradativa desde criança, se instalava em sua
vida; suas obras: Fervor de Buenos Aires (poesia, 1923), Luna de enfrente (Lua
defronte, poesia, 1925), Inquisiciones (ensaios, 1925), El idioma de los
argentinos (ensaio, 1928), Cuaderno San Martín (Caderno San Martín, poesia,
1929), Evaristo Carriego (ensaio, 1930), Historia universal de la infamía
(contos, 1935), Historia de la Eternidad (ensaios, 1936), Ficciones (contos, 1944),
Nova refutação do tempo (ensaios, 1947), El Aleph (O Aleph, contos, 1949), A
morte e a bússola (contos, 1951), El hacedor (1960), Para las seis cuerdas
(1967), El oro de los tigres (1972), Elogio de la sombra (1969), Historia de la
noche (1976), todos de poesia, e tantos outros títulos em verso e prosa,
inclusive em traduções para mais de 35 idiomas; na publicação de seus textos,
Jorge Luis Borges também fez uso de vários pseudônimos, entre os quais Alex
Ander, Benjamín Beltrán, Andrés Corthis, Pascual Güida, Bernardo Haedo, José
Tuntar, Honorio Bustos Domecq e Benito Suárez Linch; teve sua obra transferida
para o cinema e a televisão, e também teve textos musicados pelo compositor e
instrumentista Astor Piazzolla (Tangos & Milongas); Borges, mesmo cego, não
deixou de produzir seus escritos, os quais eram ditados para María Kodama, sua
ex-aluna, depois assistente literária e esposa; recebeu inúmeras premiações por
sua obra.

