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Antônio
Cândido ou
Antônio
lúcido, límpido,
que
conhece e pratica a força imponderável da intuição?
Que
funda o juízo crítico no gosto,
— o
gosto que em vão se tenta anular, e permanece,
mesmo
negado e ignorado, sal da percepção?
Antônio
que não cinge a malha de gelo do formalismo
e, com
movimentos livres e lépidos,
sente a
pulsação culta da obra,
num
enlace de simpatia literária?
Antônio
a vislumbrar no poema
para além das palavras uma conquista do inexprimível
que
elas não contêm
e
diante da qual devem capitular?
Antônio
atento às áreas de silêncio entre as palavras,
nelas
distinguindo a misteriosa ressonância
do
inexprimível afinal expressado,
fora do
poema, pelo seu rastro?
Antônio
a perceber no leitor consciente
um vaso novo, em que os cantos do poeta irão combinar-se
de um modo especial e quase único?
Arguto,
sutil Antônio
a
captar nos livros
a inteligência e o sentimento das aventuras do espírito,
ao
mesmo tempo em que, no dia brasileiro,
desdenha
provar os frutos da árvore da opressão
e,
fugindo ao séquito dos poderosos do mundo,
acusa a
transfiguração do homem em servil objeto do homem.
Assim é
Antônio Cândido, na altiva, discreta pureza
dos
sessent’anos.
Amar se aprende amando — 1985
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Amar Se Aprende Amando,
poesia de convívio e de humor — Carlos Drummond de Andrade, 6ª edição, 1986,
Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Carlos
Drummond de Andrade (1902 — 1987), mineiro de Itabira, poeta, contista e cronista,
viveu intensamente o seu tempo e nos ofereceu como legado incontáveis obras em verso
e prosa publicadas em livros, jornais e revistas pelo país afora e no resto do mundo;
suas obras: Alguma Poesia (1930); Brejo das Almas (1934); Sentimento do Mundo (1940);
José (1942); Confissões de Minas, crônicas e artigos (1944); A Rosa do Povo (1945);
Novos Poemas; Claro Enigma (1951); Contos de Aprendiz (1951); Viola de Bolso (1952);
Passeios na Ilha, crônicas e artigos (1952); Fazendeiro do Ar (1954); Fala, Amendoeira,
crônicas (1957); A Bolsa & A Vida, crônicas (1962); A Vida Passada a Limpo;
Lição de Coisas (1962); Cadeira de Balanço, crônicas (1966); Versiprosa (1967);
Boitempo (1968); A Falta que Ama (1968); Caminhos de João Brandão, crônicas (1970);
O Poder Ultrajovem, crônicas (1972); As Impurezas do Branco (1973); Menino Antigo
— Boitempo II (1973); De Notícias & Não Notícias faz-se a Crônica (1974); Discurso
de Primavera, e algumas sombras (1977); Contos Plausíveis (1981); Boca de Luar,
crônicas (1984); Amar Se Aprende Amando (1985); O Avesso das Coisas, aforismos (1988);
Farewell (1996) e outros textos...











