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segunda-feira, 27 de março de 2023

Heine: Ela dança. E como gira o corpo! . . .

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[traduzido por André Vallias]

Ela dança. E como gira o corpo!
Cada membro se contorce solto!
Esvoaça o que será que a impele
Desejar se desprender da pele?

Ela dança. E quando se revira
Num pé só, e para, e enfim respira,
Braços estirados para o chão
Protegei, ó Deus, minha razão!

Ela dança. A tal coreografia
Que teria a filha de Herodias
Feito para o rei judeu Herodes,
Tanto ardeu nos olhos dela a morte.

Ela dança. Eu fico alucinado!
O que queres em sinal de agrado?
Tu sorris? Soldados, em revista!
Tragam-me a cabeça do Batista!

[Romanzero, 1851]

Heinrich Heine

Sie tanzt. Wie sie das Leibchen wiege!
Wie jedes Glied sich zierlich biegt!
Das ist ein Flattern und ein Schwingen,
Um wahrlich aus der Haut zu springen.

Sie tanzt. Wenn sie sich wirbelnd dreht
Auf einem Fuß, und stillesteht
Am End’ mit ausgestreckten Armen.
Mag Gott sich meiner Vernunft erbarmen!

Sie tanzt. Derselbe Tanz ist das,
Den einst die Tochter Herodias’
Getanzt vor dem Judenkönig Herodes.
Ihr Auge sprüht wie Blitze des Todes.

Sie tanzt mich rasend ich werde toll
Sprich, Weib, was ich dir schenken soll?
Du lächelst? Heda! Trabanten! Läufer!
Man schlage ab das Haupt dem Täufer!

[1844–1845]

[Romanzero, 1851]
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Heine, hein?: poeta dos contrários — Introdução, Traduções e Notas de André Vallias, 2011, 1ª edição e 1ª reimpressão, Editora Perspectiva, São Paulo — SP; Christian Johann Heinrich Heine (1797 1856), alemão de Dusseldorf, formado em Direito, foi poeta, ensaísta, jornalista e crítico literário; teve boa parte de sua obra lírico-poética musicada por vários compositores de sua época (Franz Schubert, Robert Schumann, Felix Mendelssohn, Brahms, Hugo Wolf, Richard Wagner), e, já no século XX, por José Maria Rocha Ferreira, Hans Werner Henze e Lord Berners; escreveu e publicou Gedichte (Poesias, 1821), Buch der Lieder (Livro das Canções, poesias, 1827), Neue Gedichte (Novos Versos, 1844), Atta Troll — Ein Sommermachtstraum (Atta Troll — sonho de uma noite de verão, 1847), Romanzero (Romanceiro, poesias, 1851), Der Doktor Faust — Ein Tanzpoem (Doutor Fausto — um poema-dança, 1851), Die Götter im Exil (Os deuses no exílio, 1853), Letzte Gedichte (Últimos Versos, publicação póstuma, 1869), entre outros títulos.