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quinta-feira, 1 de maio de 2025

Vicente Huidobro: Arte poética

 
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[traduzido por Thiago de Mello]

Que o verso seja como chave
Que abra mil portas.
Uma folha cai; algo passa voando;
Quando os olhos vejam seja criado,
E fique estremecida a alma do ouvinte

Inventa mundos novos e cuida de tua palavra;
O adjetivo quando não dá vida, mata.
Estamos no céu dos nervos.
O músculo se pendura
Como lembrança nos museus.
Mas nem por isso menos força temos:
O vigor verdadeiro
Reside na cabeça

[ . . . ]

(de El espejo de agua — 1916)

Vicente Huidobro

Arte poética

Que el verso sea como una llave
Que abra mil puertas.
Una hoja cae; algo pasa volando;
Cuanto miren los ojos creado sea,
Y el alma del oyente quede temblando.

Inventa mundos nuevos y cuida tu palabra;
El adjetivo, cuando no da vida, mata.
Estamos en el ciclo de los nervios.
El músculo cuelga,
Como recuerdo, en los museos;
Mas no por eso tenemos menos fuerza:
El vigor verdadeiro
Reside en la cabeza.

[Por qué cantáis la rosa, ¡oh Poetas!
Hacedla florecer en el poema;

Sólo para nosotros
Viven todas las cosas bajo el Sol.

El Poeta es un pequeño Dios.]

(El espejo de agua — 1916)
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Poetas da América de Canto Castelhano [várias autorias]: Introdução, Seleção, Tradução e Notas de Thiago de Mello, e Apresentação de Roberto Fernández Retamar, 1ª edição, 2011, Global Editora, São Paulo — SP; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; suas obras: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y pasando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje en paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939) e tantos outros títulos; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Vicente Huidobro: Fragmento de Altaçor

 

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[traduzido por Augusto de Campos]

no horitanha da montazonte
uma andolina sobre a mandorinha
despregada a manhã da luninda
acode acode a pleno trote

já vem já vem a mandodorinha
já vem já vem a andorlina
já acode ode ode a andolinda
já acode a andovinda
já acode a andofinda
a andofina
a andovia
olhos abertos a andofria
com tesouras cortando
              a bruma a andorafia

a andocéu
a andomel
a bela andoaoléu
e a noite recolhe suas unhas
           como o leopardo

ela acode a ardorela
que tem um ninho em cada um
                      de dois calores
como eu o tenho
                  nos quatro horizontes
já acode a andogela
e as ondas se levantam
                  sobre a ponta dos pés
já acode a andobela
e o rosto da montanha
                    estremece de espanto
ela vem a andovela
e o vento se faz parávola
                     de sílfides em orgia

enchem-se de notas
                     os fios telefônicos
e o poente dorme
                     com o rosto escondido
e a árvore com o pulso inflamado

mas o céu prefere o roudonol
seu filho mimado o rourrenol
sua flor de alegria o rouminol
sua pele de lágrima o roufanol
sua garganta de noite o roussolnol
o roulanol
o roussinol

e todo o espaço se faz mole
        em sua língua de tralali lilô
tralilô lalí
engole as estrelas para o toalete
todas as pequenas e mesmo a estrela mór
trarirí rarô
todos os belos planetas
        que amadurecem nas planeteiras
mas eu não compro estrelas
                              na noiteria
nem ondas novas
                   no ar marinho
trararô rirê

Vicente Huidobro

Fragment d’Altazor *

á l’horitagne de la montazon
une hironline sur sa mandodelle
décrochée le matin de la lunaille
approche approche à tout galop

déja vient vient la mandodelle
déja vient vient l’hirondoline
déja s’approche oche oche l’hironbelle
déja s’approche l’hironselle
déja s’approche l’hironfréle
l’hirongréle
l’hironduelle
avec les yeux ouverts l’hirongéle
avec ses ciseaux coupant
                    la brume l’hironaile

l’hironciel
l’hironmiel
la belle hironréele
et la nuit rentre ses ongles
          comme le léopard

elle approche l’hirontélle
qui a un nid dans chacune
                            de deux chaleurs
tel que moi je l’ai
                  dans les quatre horizons
déja s’approche l’hironfréle
et les vagues se dressent
                    sur la pointe de leurs pieds
déja s’approche l’hironbelle
et la tête de la montagne
                    sent un étourdissement
elle vient l’hironruelle
et le vent s’est fait parobole
                    des sylphides en orgie

se remplissent de notes
                     les fils téléphoniques
et la couchant s’endort
                     avec la tête cachée
et l’arbre avec le pouls enfiévré

mais le ciel préfère le rodognol
son enfant gâté le rorégnol
sa fleur de joie le romignol
sa peau de larme le rofagnol
sa gorge de nuit le rossolgnol
le rolagnol
le rossignol

et tout l’espace tiédit
        dans sa langue de tralali lilo
tralilo lali
avale les étoiles por la toilette
toutes les petites et même l’étoilon
trariri raro
toutes les belles planètes
        qui mûrissent dans les planetiers
mais je n’achète pas les étoiles
                                  dans la nuitrerie
ni des vagues nouvelles
                       dans la mererie
trararo riré

* Nota do tradutor Augusto de Campos: Versão em francês do próprio [Vicente] Huidobro (1930). O poema Altazor traz a data inicial de 1919.
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o anticrítico — augusto de campos [poemas do autor e poemas bilíngue, de vários poetas], Texto-apresentação “Antes do Anti”, Traduções e Nota informativa de Augusto de Campos, 1986, 1ª reimpressão, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; suas obras: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y pasando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje en paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939) e tantos outros títulos; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Vicente Huidobro: Monumento ao mar

 
____________________
[traduzido por Thiago de Mello]

Paz sobre a constelação cantante das águas
Entrechoques como os ombros da multidão
Paz no amor às ondas de boa vontade
Paz sobre a lápide dos naufrágios
Paz sobre os tambores do orgulho e as pupilas tenebrosas
E como eu sou o tradutor das ondas
Paz também sobre mim

[ . . . ]

Este é o mar
O mar com as suas próprias ondas
Com os seus próprios sentidos
O mar tratando de romper suas cadeias
E querendo imitar a eternidade
Querendo ser pulmão ou neblina de pássaros penando
Ou o jardim dos astros que afastamos
Ou que acaso nos arrastam
Quando voam de repente todas as pombas da lua
E se faz mais escuro que as encruzilhadas da morte
O mar entra na carroça da noite
E se afasta até o mistério das paragens profundas
E apenas se escutam o ruído das rodas
E a asa dos astros que penam no céu

Este é o mar
Saudando de longe a eternidade
Saudando os astros esquecidos
E as estrelas conhecidas
Este é o mar que desperta como o pranto de outra criança
O mar abrindo os olhos querendo o sol com suas pequenas mãos
trêmulas
O mar empurrando as ondas
Suas ondas que embaralham os destinos
Levanta-te e saúda o mar dos homens

[ . . . ]

Porém sou vagabundo e tenho medo de que me escutes
Tenho medo das tuas vinganças
Esquece minhas maldições e cantemos juntos essa noite
Te faz homem, te digo, como eu às vezes me faço mar
Esquece os presságios funestos
Esquece a explosão dos meus prados
As mãos aqui te estendo como flores
Façamos as pazes, te digo,
Tu és o mais poderoso
Que eu aperte as tuas mãos nas minhas
E seja feita paz entre nós dois.

[ . . . ]

Vicente Huidobro

Monumento al mar

Paz sobre la constelación cantante de las aguas
Entrechocadas como los hombros de la multitud
Paz en el mar a las olas de buena voluntad
Paz sobre la lápida de los naufragios
Paz sobre los tambores del orgullo y las pupilas tenebrosas
Y si yo soy el traductor de las olas
Paz también sobre mí.

[ . . . ]

Este es el mar
El mar con sus olas propias
Con sus propios sentidos
El mar tratando de romper sus cadenas
Queriendo imitar la eternidad
Queriendo ser pulmón o neblina de pájaros en pena
O el jardín de los astros que pesan en el cielo
Sobre las tinieblas que arrastramos
O que acaso nos arrastran
Cuando vuelan de repente todas las palomas de la luna
Y se hace más oscuro que las encrucijadas de la muerte

El mar entra en la carroza de la noche
Y se aleja hacia el misterio de sus parajes profundos
Se oye apenas el ruido de las ruedas
Y el ala de los astros que penan en el cielo
Este es el mar
Saludando allá lejos la eternidad
Saludando a los astros olvidados
Y a las estrellas conocidas.

Este es el mar que se despierta como el llanto de un niño
El mar abriendo los ojos y buscando el sol con sus pequeñas manos
temblorosas
El mar empujando las olas
Sus olas que barajan los destinos

Levántate y saluda el amor de los hombres

[ . . . ]

Pero soy vagabundo y tengo miedo que me oigas
Tengo miedo de tus venganzas
Olvida mis maldiciones y cantemos juntos esta noche
Hazte hombre te digo como yo a veces me hago mar
Olvida los presagios funestos
Olvida la explosión de mis praderas
Yo te tiendo las manos como flores
Hagamos las paces te digo
Tú eres el más poderoso
Que yo estreche tus manos en las mías
Y sea la paz entre nosotros

[ . . . ]

(Últimos Poemas — 1948, póstumo)
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Poetas da América de Canto Castelhano [várias autorias]: Introdução, Seleção, Tradução e Notas de Thiago de Mello, e Apresentação de Roberto Fernández Retamar, 1ª edição, 2011, Global Editora, São Paulo — SP; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; suas obras: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y pasando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje en paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939) e tantos outros títulos; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Vicente Huidobro: . . . Sou eu Altazor Altazor Preso na jaula de meu destino . . . [Altazor, Canto I, excerto]

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____________________
[traduzido por Helena Ferreira]

( . . . )

Sou eu Altazor
Altazor
Preso na jaula do meu destino
Em vão me aferro aos horrores da evasão possível
Uma flor tranca o caminho
E se levanta como a estátua das chamas
A evasão impossível
Marcho com minhas ânsias mais débil
Que um exército sem luz em meio a emboscadas
Abri os olhos no século
Em que morria o cristianismo
Retorcido em sua cruz agonizante
Já vai dar o último suspiro
E amanhã que poremos no lugar vazio?
Poremos uma alba ou um crepúsculo
E acaso há que pôr algo?

( . . . )

Há somente seis meses
Deixei a equatorial recém-cortada
No túmulo guerreiro do paciente escravo
Coroa de piedade sobre a estupidez do homem.
Sou eu que estou falando neste ano de 1919
É inverno
A Europa já sepultou todos os seus mortos
E um milhão de lágrimas fazem uma só cruz de neve
Olhai estas estepes que sacodem as mãos
Milhões de operários entenderam por fim
E levantam ao céu seus pendões de aurora
Vinde vinde vos esperamos porque sois a esperança
A única esperança
A última esperança

( . . . )

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Vicente Huidobro

( . . . )


Soy yo Altazor
Altazor
Encerrado en la jaula de su destino
En vano me aferro a los barrotes de la evasión posible
Una flor cierra el camino
Y se levanta como la estatua de las llamas
La evasión imposible
Más débil marcho con mis ansias
Que un ejército sin luz en medio de emboscadas
Abrí los ojos en el siglo
En que moría el cristianismo
Retorcido en su cruz agonizante
Ya va a dar el último suspiro
¿Y mañana qué pondremos en el sitio vacío?
Pondremos un alba o un crepúsculo
¿Y hay que poner algo acaso?

(. . .)

Hace seis meses solamente
Dejé la ecuatorial recién cortada
En la tumba guerrera del esclavo paciente
Corona de piedad sobre la estupidez humana.
Soy yo que estoy hablando en este año de 1919
Es el invierno
Ya la Europa enterró todos sus muertos
Y un millar de lágrimas hacen una sola cruz de nieve
Mirad esas estepas que sacuden las manos
Millones de obreros han comprendido al fin
Y levantan al cielo sus banderas de aurora
Venid venid os esperamos porque sois la esperanza
La única esperanza
La última esperanza

( . . . )
____________________
Vicente Huidobro & Manuel Bandeira, Ensaios de Carlos Nejar e Juan Antonio Massone, Revisão, Tradução e Versão de Helena Ferreira, 2007, Academia Chilena de la Lengua e Academia Brasileira de Letras, Imprinta Express, Rio de Janeiro — RJ; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y passando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje en paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939) etc.; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.

sábado, 9 de novembro de 2019

Vicente Huidobro: Sou eu Altazor o duplo de mim mesmo . . . [Canto I, excerto]

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____________________
[traduzido por Helena Ferreira]

( . . . )

Sou eu Altazor o duplo de mim mesmo
O que se vê trabalhar e ri do outro frente a frente
O que caiu das alturas de sua estrela
E viajou vinte e cinco anos
Pendurado no pára-quedas de seus próprios preconceitos
Sou eu Altazor o da ânsia infinita
Da fome eterna e desalentada
Carne lavrada por arados de angústia
Como poderei dormir enquanto haja dentro terras desconhecidas?
Problemas
Mistérios pensos no meu peito
Estou só
A distância que vai de corpo a corpo
É tão grande como a que há de alma a alma
     Só
          Só
Estou só parado na ponta do ano que agoniza
O universo se quebra em ondas aos meus pés
Os planetas rodam em volta de minha cabeça
E me despenteiam ao passar com o vento que deslocam
Sem dar uma resposta que encha os abismos
Nem sentir este desejo fabuloso que busca
      na fauna do céu
Um ser materno onde adormecer o coração
Um leito à sombra do torvelinho de enigmas
Uma mão que acarinhe o latejar da febre
Deus diluído no nada e no todo
Deus tudo e nada
Deus nas palavras e nos gestos
Deus mental
Deus alento
Deus jovem Deus velho
Deus apodrecido
         longe e perto
deus mesclado ao meu tormento

( . . . )

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( . . . )

Soy yo Altazor el doble de mí mismo
El que se mira obrar y se ríe del otro frente a frente
El que cayó de las alturas de su estrella
Y viajó veinticinco años
Colgado al paracaídas de sus propios prejuicios
Soy yo Altazor el del ansia infinita
Del hambre eterno y descorazonado
Carne labrada por arados de angustia
¿Cómo podrá dormir mientras haya adentro tierras desconocidas?
Problemas
Misterios que se cuelgan a mi pecho
Estoy solo
La distancia que va de cuerpo a cuerpo
Es tan grande como la que hay de alma a alma
Solo
    Solo
         Solo
Estoy solo parado en la punta del año que agoniza
El universo se rompe en olas a mis pies
Los planetas giran en torno a mi cabeza
Y me despeinan al pasar con el viento que desplazan
Sin dar un respuesta que llene los abismos
Ni sentir este anhelo fabuloso que busca en la fauna del cielo
Un ser materno donde se duerma el corazón
Un lecho a la sombra del torbellino de enigmas
Una mano que acaricie los latidos de la fiebre.
Dios diluido en la nada y el todo
Dios todo y nada
Dios en las palabras y en los gestos
Dios mental
Dios aliento
Dios joven Dios viejo
Dios pútrido
        lejano y cerca
Dios amasado a mi congoja

( . . . )
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Vicente Huidobro & Manuel Bandeira, Ensaios de Carlos Nejar e Juan Antonio Massone, Revisão, Tradução e Versão de Helena Ferreira, 2007, Academia Chilena de la Lengua e Academia Brasileira de Letras, Imprinta Express, Rio de Janeiro — RJ; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y passando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje en paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939) etc.; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Vicente Huidobro: Até quando sangrarem a vida & outros poemas

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[traduzido por Helena Ferreira]

De ver e palpar

O iceberg sereno como um imperador
Segue sua sina
Obedece cegamente às linhas de sua mão

Sombra

A sombra é um fragmento que se afasta
No rumo de outras praias

Em minha memória um rouxinol se queixa
Rouxinol das batalhas
Que gorgeia sobre todas as balas

Até quando sangrarem a vida

A mesma lua ferida
Apenas tem uma asa
O coração fez seu ninho
No meio do vazio
Entretanto
Na margem do mundo florescem cravinas

E A PRIMAVERA VEM SOBRE AS ANDORINHAS

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Vicente Huidobro

De ver y palpar

El iceberg sereno como un emperador
Sigue su destino
Obedece ciegamente a las líneas de su mano.

Sombra

La sombra es un pedazo que se aleja
Camino de otras playas

En mi memoria un ruiseñor se queja
Ruiseñor de las batallas
Que canta sobre todas las balas

Hasta quando sangrarán la vida

La misma luna herida
No tiene sino una ala
El corazón hizo su nido
En medio del vacio
Sin embargo
Al bonde del mundo florecen las encinas

Y LA PRIMAVERA VIENE SOBRE LAS GOLONDRINAS
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Vicente Huidobro & Manuel Bandeira, Ensaios de Carlos Nejar e Juan Antonio Massone, Revisão, Tradução e Versão de Helena Ferreira, 2007, Academia Chilena de la Lengua e Academia Brasileira de Letras, Imprinta Express, Rio de Janeiro  RJ; Vicente García Huidobro Fernández (1893 1948), chileno de Santiago do Chile, foi poeta e escritor de vanguarda estética; o poeta passou boa parte de sua vida na Europa, transitando entre a França e a Espanha e foi um dos promotores da poesia de vanguarda na América Latina; teve participação ativa nas revistas Sic e Nord-Sud, ao lado de Apollinaire e de outros; foi o mentor do que passou a se chamar criacionismo poético, e que consistia em buscar a inovação na poesia como uma necessidade e uma obsessão, um paroxismo na procura do novo, um bilinguismo textual; bibliografia: Ecos del Alma (1911), La gruta del silencio e Canciones en la noche (ambos em 1913), Pasando y passando e Las pagodas ocultas (ambos em 1914), Adán e El espejo de agua (ambos em 1916), Horizon carré (1917), Poemas árticos, Ecuatorial, Tour Eiffel e Hallali (todos em 1918), Manifestes (1925), Mio Cid Campeador (1929), Altazor o el viaje en paracaídas (1931), Sátiro, o El poder de las palabras (1939) etc.; Huidobro escreveu algumas de suas obras em francês; em diferentes períodos, colaborou com as revistas de arte Dada (Espanha), Nord-Sud e L’Esprit Noveau (França), Vanity Fair (Estados Unidos) e dirigiu, em conjunto com Tristan Tzara, o caderno literário da revista Feuielle Volante; também participou como fundador e/ou co-fundador das revistas Musa Joven e Azul (Chile), entre outras atividades; escreveu roteiro para o filme cubista Cagliostro, fez crítica de cinema na imprensa argentina, foi conferencista e deu palestras sobre poesia; durante a 2ª Guerra, alistou-se nas tropas aliadas, participou como correspondente de guerra na França, transmitiu crônicas do campo de batalha para A Voz da América; foi militante do partido comunista chileno.