
[traduzido por Guilherme de
Almeida]
Pois bem, adeus. Nada
esqueceu?… Tem tudo já?
Não temos nada mais a dizer face a face.
Pode ir… Mas, não! Espere um pouco!
Como está chovendo!… Espere que isso passe.
Agasalhe-se bem! Está frio lá
fora.
Você devia pôr um “manteau” mais pesado.
Já tem tudo o que é seu? Nada me resta agora?
As suas cartas? O retrato?…
Já que a gente se vai separar,
olhe-me ainda um instante…
Mas sem chorar: seria idiota.
Como é horrível agora a lembrança remota
do que nós fomos numa vida antiga e linda!
Nossas vidas se confundiram
totalmente…
E agora cada qual retoma o seu caminho!
Nós vamos partir, cada qual mais sozinho,
Recomeçar, vagar por aí… Certamente,
sofreremos também… Mas há de
vir, depois
o esquecimento, a única cousa que perdoa.
E há de haver eu e haver você; seremos dois;
seremos isto: uma pessoa e outra pessoa.
Veja! Você já vai entrar no
meu passado!
Havemos de nos ver na rua, casualmente…
Eu hei de olhar e de ir, sem ter atravessado…
Você irá com vestidos novos, diferentes…
E viveremos nossas vidas paralelas…
E amigos contarão a você minha história…
E eu direi de você, que foi a minha glória,
a minha força e a minha fé: “Como vai ela?”
O nosso amor… era esta cousa
sem valor!…
No entanto, que loucura a dos primeiros dias!
Lembra-se bem? Que apoteose, que magia!…
Se nos amávamos!… E era isto o nosso amor!
Mesmo nós, até nós então,
quando dizemos
“eu te amo!” o que é que vale o que estamos dizendo?…
É humilhante, meu Deus!… Somos todos os mesmos?
Iguais aos outros, nós?… Mas, como está chovendo!
Você não sai com um tempo
assim… Fique comigo!
Fique! Vamos viver — não sei… — mais conformados…
Os nossos corações, embora bem mudados,
se reforçam talvez à luz do sonho antigo…
Vamos tentar. Ser bons, de
novo. Que remédio!
Podem falar: a gente tem seus hábitos… Então?
Não vá! Fique! E retome ao meu lado o seu tédio,
Eu retomo ao seu lado a minha solidão.
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| Paul Géraldy |
Finale
XXXII
Alors, adieu. Tu n’oublies
rien?… C’est bien. Va-t’en.
Nous n’avons plus rien à nous dire. Je te laisse.
Tu peux partir… Pourtant, attends encore, attends.
Il pleut… Attends que cela, cesse.
Couvre-toi bien surtout! Tu
sais qu’il fait très froid
dehors. C’est um manteau d’hiver qu’il fallait mettre…
Je t’ai bien tout rendu? Je n’ai plus rien à toi?
Tu as pris ton portrait, tes lettres?…
Allons! Regarde-moi, puisqu’on
va se quitter…
Mais prends garde! Ne pleurons pas! Ce serait bête.
Quel effort il faut faire, hein? dans nos pauvres têtes,
pour revoir les amants que nous avons été!
Nos deux viés s’étaient l’une
à l’autre données toutes,
pour toujours… Et voici que nous les reprenons!
Et nous allons partir, chacun avec son nom,
recommencer, errer, vivre ailleurs… Oh! sans doute,
nous souffrirons… pendant
quelque temps. Et puis, quoi!
l’oubli viendra, la seule chose qui pardonne.
Et il y aura toi, et il y aura moi,
et nous serons parmi les autres deux personnes.
Ainsi, déjà, tu vas entrer
dans mon passé!
Nous nous rencontrerons par hasard, dans les rues.
Je te regarderai de loin, sans traverser.
Tu passeras avec des robes inconnues.
Et puis nous resterons sans
nous voir de longs mois.
Et des amis te donneront de mes nouvelles.
Et je dirai de toi qui fus ma vie, de toi
qui fus ma force et ma douceur: “Comment va-t-elle?”
Notre
grand coeur, c’était cette petite chose!
Étions-nous
assez fous, pourtant, les premiers jours!
Tu te souviens, l’enchantement, l’apothéose?
S’aimait-on!… Et voilà: c’était ça, notre amour!
Ainsi nous, même nous, quand
nous disons “je t’aime”,
voilá donc la valeur que cela a! Mon Dieu!
Vrai, c’est humiliant. On est donc tous les mêmes?
Nous sommes donc pareils aux autres?… Comme il pleut!
Tu ne peux pas partir par ce
temps… Allons, reste!
Oui, reste, va! On tâchera de s’arranger.
On ne sait pas. Nos coeurs, quoiqu’ils aient bien changé,
se reprendront peut-être au charme des vieux gestes.
On fera son possible. On sera
bon. Et puis,
on a beau dire, au fond, on a des habitudes…
Assieds-toi, va! Reprends près de moi ton ennui
Moi près de toi je reprendrai ma solitude.
Toi et Moi — 1912
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Eu e Você — Paul Géraldy, Tradução
e Prólogo de Guilherme de Almeida, 1981, 17ª edição, Companhia Editora Nacional,
São Paulo — SP; Paul Géraldy (1885 — 1983), ou Paul Lefèvre-Géraldy, francês parisiense,
foi dramaturgo e poeta; bibliografia: Les petites âmes (poesia, 1908), Toi et Moi
(poesia, 1912), La Guerre, Madame! (narrativa, 1916), Les noces d’argent (comédia,
1917), Aimer (comédia, 1921), Les Grands Garçons (comédia, 1922), Robert et Marianne
(comédia, 1925), Christine (comédia, 1932), Le prélude (narrativa, 1938), Vestiges
(poesia, 1948), Vous et Moi (poesia, 1960), e outros textos em verso, narrativas
e dramaturgia (comédias).




