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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Paulo Leminski: gaiola vazia* & outros textos

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gaiola vazia

morreu o periquito
a gaiola vazia
esconde um grito

 o 

nadando num mar de gente
deixei lá atrás
meu passo à frente

 o 

deus

eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos

quem sou eu para falar com deus?
ele que cuide dos seus assuntos
eu cuido dos meus

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* Nota: O impertinente aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa teve o atrevimento de intitular alguns dos textos leminskianos.
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Paulo Leminski — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Apresentação de Fred Góes e Álvaro Marins, 2013, 6ª reimpressão, Global Editora, São Paulo — SP; Paulo Leminski Filho (1944 1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983), Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino — 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Paulo Leminski: o novo & outros poemas

LIVRO PAULO LEMINSKI
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o novo

o novo
não me choca mais
nada de  novo
sob o sol

apenas o mesmo
ovo de sempre
choca o mesmo novo


nesta pedra

aqui

nesta pedra

alguém sentou
olhando o mar

o mar
não parou
pra ser olhado

foi mar
pra tudo quanto é lado

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Paulo Leminski — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Apresentação de Fred Góes e Álvaro Marins, 2013, 6ª reimpressão, Global Editora, São Paulo — SP; Paulo Leminski Filho (1944 1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983), Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino — 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Paulo Leminski: de som a som

LIVRO PAULO LEMINSKI
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de som a som
ensino o silêncio
a ser sibilino

de sino a sino
o silêncio ao som
ensino


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Paulo Leminski — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Apresentação de Fred Góes e Álvaro Marins, 2013, 6ª reimpressão, Global Editora, São Paulo — SP; Paulo Leminski Filho (1944 —  1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983),  Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos  (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente  (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics  (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close  (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino  —  1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Paulo Leminski: ímpar ou ímpar

LIVRO PAULO LEMINSKI
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     Pouco rimo tanto com faz.
Rimo logo ando com quando,
     mirando menos com mais.
Rimo, rimas, miras, rimos,
     como se todos rimássemos,
como se todos nós ríssemos,
     se amar(rimar) fosse fácil.

     Vida, coisa pra ser dita,
como é fita este fado que me mata.
     Mal o digo, já meu siso se conflita
com a cisma que, infinita, me dilata.

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Paulo Leminski — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Apresentação de Fred Góes e Álvaro Marins, 2013, 6ª reimpressão, Global Editora, São Paulo — SP; Paulo Leminski Filho (1944  1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983),  Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos  (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics  (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close  (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino — 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Paulo Leminski: o bicho alfabeto

LIVRO PAULO LEMINSKI
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     o bicho alfabeto
tem vinte e três patas 
     ou quase 

     por onde ele passa 
nascem palavras 
     e frases 

     com frases 
se fazem asas 
     palavras 
o vento leve 

     o bicho alfabeto 
passa 
     fica o que não se escreve 

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Paulo Leminski — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Apresentação de Fred Góes e Álvaro Marins, 2013, 6ª reimpressão, Global Editora, São Paulo — SP; Paulo Leminski Filho (1944  1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983),  Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos  (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics  (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close  (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Paulo Leminski: lápide 1, haicais e que tais

LIVRO PAULO LEMINSKI
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esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem

               

vazio agudo
ando meio
cheio de tudo

*

tatami-o ou deite-o

de colchão em colchão
chego à conclusão
meu lar é no chão

                    *                

inverno
é tudo o que sinto
viver
é sucinto

               *

nu como um grego
ouço um músico negro
e me desagrego

 *


lápide 1

Aqui jaz um grande poeta.

Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.

*               

vida e morte
amor e dúvida
dor e sorte

quem for louco
que volte

     *        

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Paulo Leminski — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Apresentação de Fred Góes e Álvaro Marins, 2013, 6ª reimpressão, Global Editora, São Paulo — SP; Paulo Leminski Filho (1944  1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983), Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Paulo Leminski: O que passou, passou?

LIVRO PAULO LEMINSKI
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     Antigamente, se morria.
1907, digamos, aquilo sim
     é que era morrer.
Morria gente todo dia,
     e morria com muito prazer,
já que todo mundo sabia
     que o Juízo, afinal, viria
e todo o mundo ia renascer.
     Morria-se praticamente de tudo.
de doença, de parto, de tosse.
     E ainda se morria de amor,
como se amar morte fosse.
     Pra morrer, bastava um susto,
um lenço no vento, um suspiro e pronto
     lá se ia nosso defunto
para a terra dos pés juntos.
     Dia de anos, casamento, batizado,
morrer era um tipo de festa,
     uma das coisas da vida,
como ser ou não ser convidado.
     O escândalo era de praxe.
Mas os danos eram pequenos.
     Descansou. Partiu. Deus o tenha.
Sempre alguém tinha uma frase
     que deixava aquilo mais ou menos.
Tinha coisas que matavam na certa.
     Pepino com leite, vento encanado,
praga de velha e amor mal curado.
     Tinha coisas que tem que morrer,
tinha coisas que tem que matar.
     A honra, a terra e o sangue
mandou muita gente praquele lugar.
     Que mais podia um velho fazer,
nos idos de 1916,
     a não ser pegar pneumonia,
deixar tudo para os filhos
     e virar fotografia?
Ninguém vivia pra sempre.
     Afinal, a vida é um upa.
Não deu pra ir mais além.
     Mas ninguém tem culpa.
Quem mandou não ser devoto
     de Santo Inácio de Acapulco,
Menino Jesus de Praga?
     O diabo anda solto.
Aqui se faz, aqui se paga.
     Almoçou e fez a barba,
tomou banho e foi no vento.
     Não tem o que reclamar.
Agora, vamos ao testamento.
     Hoje, a morte está difícil.
Tem recursos, tem asilos, tem remédios.
     Agora, a morte tem limites.
E, em caso de necessidade,
     a ciência da eternidade
inventou a criônica.
     Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica.

La vie en close  1991

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Paulo Leminski — Coleção Melhores Poemas, Seleção e Apresentação de Fred Góes e Álvaro Marins, 2013, 6ª reimpressão, Global Editora, São Paulo — SP; Paulo Leminski Filho (1944  1989), paranaense de Curitiba, foi escritor, poeta, crítico literário, tradutor, professor, músico e letrista; como seminarista da Ordem dos Beneditinos, no Mosteiro de São Bento em São Paulo, iniciou seus estudos de latim e grego; como judoca faixa-preta, estudou o idioma japonês e tomou contato com a cultura e a poesia do Oriente; participante do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, conheceu o poeta Haroldo de Campos, de quem se tornou amigo e parceiro em várias obras; cursou Direito e desistiu, cursou Letras e desistiu várias vezes; foi professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares, professor de judô, atuou em publicidade; após estréia com seus textos, na revista Invenção, do poeta Décio Pignatari, colaborou em outros periódicos e revistas de vanguarda; teve textos musicados e fez parcerias com Caetano Veloso e outros músicos-compositores-letristas; traduziu obras de Petrônio, Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett, Yukio Mishima, conhecedor que era dos idiomas inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol; sua bibliografia: Matsuo Bashô (ensaio biográfico, 1983), Caprichos e Relaxos (poesia, 1983), Cruz e Sousa (ensaio biográfico, 1983),  Descartes com lentes (conto, 1983), Jesus a.C. (ensaio biográfico, 1983), Agora é que são elas (romance, 1984), Anseios crípticos  (1986), Leon Trotski: a paixão segundo a revolução (ensaio biográfico, 1986), Distraídos venceremos (poesias, 1987), Guerra dentro da gente  (1988), Catatau (prosa poética experimental, 1989), 40 Clics  (poesia, com fotografias de Jack Pires, 1990), La vie en close  (poesia, 1991), Uma carta uma brasa através: cartas a Régis Bonvincino 1976 a 1981 (1992), Metamorfoses: uma viagem pelo imaginário grego (1994), Winterverno (1994), O ex-estranho (1996) e outros; recebeu premiações por sua obra.