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sábado, 16 de setembro de 2017

Menotti Del Picchia: O Espelho

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É um retângulo de luar esquecido no quarto
 que a lua não recolheu na sua pressa noturna.
Imitador como um plagiário
decalca servilmente a imagem que reflete.
Não tem memórias. Não guarda
na sua glacial retina indiferente
o brilho de um olhar e a flor de um gesto.
Entretanto
o corpo núbil dela deu-lhe estátuas
miraculosamente lindas!

Chuva de Pedra — 1925 — Novíssima
 Editora — São Paulo — págs. 2122

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Poetas Paulistas da Semana de Arte Moderna — Apresentação, Seleção e Notas Biobibliográficas de Mário da Silva Brito, 1972, Livraria Martins Editora, São Paulo SP; Paulo Menotti Del Picchia (1892 1988), paulista de Itapira, poeta, jornalista, romancista, contista, ensaísta, teatrólogo e historiador, empenhou-se em polêmicas na defesa da Semana De Arte Moderna, embora com uma poesia com poucos sinais de vanguardismo; em período tardio lança O Deus sem rosto (1968) onde estão contidos os mais modernistas de seus poemas; estreou na literatura com Poemas do Vício e da Virtude (1913), depois escreveu Juca Mulato (1917), Chuva de Pedra (1924), República dos Estados Unidos do Brasil (1928), Jesus (1933), Noturno (1970), entre tantos outros títulos; trabalhou nos jornais A Tribuna (de Santos), A Gazeta, Correio Paulistano, Diário de São Paulo e Diário da Noite; fundou a revista Papel e Tinta (com Oswald de Andrade) e o jornal Anhanguera (órgão informativo do movimento Bandeira, criado junto com Cassiano Ricardo e Cândido Mota Filho).

sábado, 25 de março de 2017

Menotti Del Picchia: Soneto! Mal de ti falem perversos . . .

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Soneto! Mal de ti falem perversos
que eu te amo e te ergo no ar como uma taça.
Canta dentro de ti a ave da graça
na gaiola dos teus quatorze versos.

Quantos sonhos de amor jazem imersos
em ti que és dor, temor, glória e desgraça?
Foste a expressão sentimental da raça
de um povo que viveu fazendo versos.

Teu lirismo é a nostálgica tristeza
dessa saudade atávica e fagueira
que no fundo da raça nos verteu

a primeira guitarra portuguesa
gemendo numa praia brasileira
naquela noite em que o Brasil nasceu...

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Os Sonetos (Antologia — Diversos autores), Coordenação Gráfica de Rogério Ramos e Capa e Ilustrações de Percy Deane, 1982, Edição especial para o Banco Lar Brasileiro S. A., LR Editores Ltda, São Paulo  SP; Paulo Menotti Del Picchia (1892 1988), paulista de Itapira, poeta,  jornalista, romancista, contista, ensaísta, teatrólogo e historiador, empenhou-se em polêmicas na defesa da Semana De Arte Moderna, embora com uma poesia com poucos sinais de vanguardismo; em período tardio lança O Deus sem rosto (1968) onde estão contidos os mais modernistas de seus poemas; estreou na literatura com Poemas do Vício e da Virtude (1913), depois escreveu Juca Mulato (1917), Chuva de Pedra (1924), República dos Estados Unidos do Brasil (1928), Jesus (1933), Noturno (1970), entre tantos outros títulos; trabalhou nos jornais A Tribuna (de Santos), A Gazeta, Correio Paulistano, Diário de São Paulo e Diário da Noite; fundou a revista Papel e Tinta (com Oswald de Andrade) e o jornal Anhanguera (órgão informativo do movimento Bandeira, criado junto com Cassiano Ricardo e Cândido Mota Filho).

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Menotti Del Picchia: Tangolomango

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O bicho Tangolomango
 peluda carne de sombra,
olhos de escuro e de medo 
rondou toda a minha infância.

Como era? Não sei. Só era
um arrepio em meu corpo
pois na treva era só treva
e na luz ficava nada.

Mas para lutar com ele
nas noites de frio e susto
do céu descia um arcanjo
e me cobria de plumas.

Varava o túnel da noite,
chegava de madrugada:
lascas de sol nos canteiros,
canto de luz nos meus olhos!

E assim rolei pela vida
revezando de outro jeito
o bicho Tangolomango
com meu Arcanjo de prata.

(Revista Brasileira de Poesia, n° 4
 —  fevereiro de 1949, pág. 27)

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Poetas Paulistas da Semana de Arte Moderna — Apresentação, Seleção e Notas Biobibliográficas de Mário da Silva Brito, 1972, Livraria Martins Editora, São Paulo — SP; Paulo Menotti Del Picchia (1892 1988), paulista de Itapira, poeta, jornalista, romancista, contista, ensaísta, teatrólogo e historiador, empenhou-se em polêmicas na defesa da Semana De Arte Moderna, embora com uma poesia com poucos sinais de vanguardismo; em período tardio lança O Deus sem rosto (1968) onde estão contidos os mais modernistas de seus poemas; estreou na literatura com Poemas do Vício e da Virtude (1913), depois escreveu Juca Mulato (1917), Chuva de Pedra (1924), República dos Estados Unidos do Brasil (1928), Jesus (1933), Noturno (1970), entre tantos outros títulos; trabalhou nos jornais A Tribuna (de Santos), A Gazeta, Correio PaulistanoDiário de São Paulo e Diário da Noite; fundou a revista Papel e Tinta (com Oswald de Andrade) e o jornal Anhanguera (órgão informativo do movimento Bandeira, criado junto com Cassiano Ricardo e Cândido Mota Filho).

terça-feira, 3 de março de 2015

Menotti Del Picchia: Poesia é Ouro

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Onde está a poesia?

Na imaginação do garimpeiro
ainda oculta na pepita lasca de luz na quina da pedra bruta.

Ouro é ouro
mineral na terra, puro. Fundido
não degradado no amálgama embora sofisticado
em molde e moda
no brinco barroco na cintilação do dente
no céu de esmalte de uma boca jovem
concha aberta num sorriso.

Poesia é ouro
carregada de história no cunho da moeda antiga
mística na âmbula, sagrada no romance
do anel nupcial amor alegria sofrimento vida.

Não importa forma ou fôrma não importa o lugar
não importa
se jovem é o ourives ou velho o garimpeiro.

O que vale é a incontaminada essência.

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Antologia de Poetas Brasileiros — Seleção e Coordenação de Mariazinha Congílio, Prefácio de José Fernando Tavares, 1a. edição, 2000, Universitária Editora Ltda., Lisboa — Portugal; Paulo Menotti Del Picchia (1892 1988), paulista e paulistano, poeta, jornalista, romancista, contista, ensaísta, teatrólogo e historiador, empenhou-se em polêmicas na defesa da Semana De Arte Moderna, embora com uma poesia com poucos sinais de vanguardismo; em período tardio lança O Deus sem rosto (1968) onde estão contidos os mais modernistas de seus poemas; estreou na literatura com Poemas do Vício e da Virtude (1913), depois escreveu Juca Mulato (1917), Chuva de Pedra (1924), República dos Estados Unidos do Brasil (1928), Jesus (1933), Noturno (1970), entre tantos outros títulos; trabalhou nos jornais A Tribuna (de Santos), A Gazeta, Correio Paulistano, Diário de São Paulo e Diário da Noite; fundou a revista Papel e Tinta (com Oswald de Andrade) e o jornal Anhanguera (orgão informativo do movimento Bandeira, criado junto com Cassiano Ricardo e Cândido Mota Filho).

domingo, 18 de janeiro de 2015

Menotti Del Picchia: Os Mortos

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É inútil que cubram de terra os corpos.

Eles saem do chão 
não como fantasmas
mas vivos.

Sentam-se às nossas mesas
comem soturnos nossa sopa misturada com lágrimas.

Sabemos que não são imortais
e que essa sobrevivência tem prazo.

Um dia, porém

quando?

(dessa data nem nos damos conta)

evaporam-se...

Somos nós que matamos nossos mortos
e os enterramos em nós mesmos.

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Antologia de Poetas Brasileiros — Seleção e Coordenação de Mariazinha Congílio, Prefácio de José Fernando Tavares, 1a. edição, 2000, Universitária Editora Ltda., Lisboa — Portugal; Paulo Menotti Del Picchia (1892 1988), paulista e paulistano, poeta, jornalista, romancista, contista, ensaísta, teatrólogo e historiador, empenhou-se em polêmicas na defesa da Semana De Arte Moderna, embora com uma poesia com poucos sinais de vanguardismo; em período tardio lança O Deus sem rosto (1968) onde estão contidos os mais modernistas de seus poemas; estreou na literatura com Poemas do Vício e da Virtude (1913), depois escreveu Juca Mulato (1917), Chuva de Pedra (1924), República dos Estados Unidos do Brasil (1928), Jesus (1933), Noturno (1970), entre tantos outros títulos; trabalhou nos jornais A Tribuna (de Santos), A Gazeta, Correio Paulistano, Diário de São Paulo e Diário da Noite; fundou a revista Papel e Tinta (com Oswald de Andrade) e o jornal Anhanguera (órgão informativo do movimento Bandeira, criado junto com Cassiano Ricardo e Cândido Mota Filho).

sábado, 4 de outubro de 2014

Menotti Del Picchia: Banzo

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E por que deixou na areia do Congo
a aldeia de palmas;
e porque seus ídolos negros
não fazem mais feitiços;
e porque o homem branco o enganou com missangas
e atulhou o porão do navio negreiro
com seu desespero covarde;
e porque não vê mais de ânfora ao ombro
a imagem do conga nas águas do Kuango,
ele fica na porta da senzala
de mão no queixo e cachimbo na boca,
varado de angústia,
olhando o horizonte,
calado, dormente,
pensando,
sofrendo,
chorando.
morrendo.

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Antologia da Literatura Mundial — Antologia de Poetas Brasileiros, Seleção e Notas de Afonso Telles Alves, Quarta edição, 1961, Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Paulo Menotti Del Picchia (1892 1988), paulista e paulistano, poeta, jornalista, romancista, contista, ensaísta, teatrólogo e historiador, empenhou-se em polêmicas na defesa da Semana De Arte Moderna, embora com uma poesia com poucos sinais de vanguardismo; em período tardio lança O Deus sem rosto (1968) onde estão contidos os mais modernistas de seus poemas; estreou na literatura com Poemas do Vício e da Virtude (1913), depois escreveu Juca Mulato (1917), Chuva de Pedra (1924), República dos Estados Unidos do Brasil (1928), Jesus (1933), Noturno (1970), entre tantos outros títulos; trabalhou nos jornais A Tribuna (de Santos), A Gazeta, Correio Paulistano, Diário de São Paulo e Diário da Noite; fundou a revista Papel e Tinta (com Oswald de Andrade) e o jornal Anhanguera (órgão informativo do movimento Bandeira, criado junto com Cassiano Ricardo e Cândido Mota Filho).

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Menotti Del Picchia: Mensagem

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É inútil meu cântico.

Os homens não têm ouvido

para a linguagem das pedras.

Meu mundo é história.

Meus irmãos viraram estátuas.

Os velhos poemas
são hieróglifos que os bárbaros
decifrarão com instrumentos eletrônicos.

No fim se convencerão
que ontem e hoje serão sempre a mesma coisa
e, espantados,
verão que também nós tínhamos
beleza e esperança.
O Deus sem rosto (1968)

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Roteiro da Poesia Brasileira  Modernismo, Seleção e Prefácio de Walnice Nogueira Galvão, Direção de Edla Van Steen, Editora Global, 2008, São Paulo SP; Menotti Del Picchia (1892 1988), paulista e paulistano, poeta e jornalista, empenhou-se em polêmicas na defesa da Semana De Arte Moderna, embora com uma poesia com poucos sinais de vanguardismo; em período tardio lança O Deus sem rosto (1968) onde estão contidos os mais modernistas de seus poemas; além deste, escreveu Juca Mulato (1917), Chuva de Pedra (1924), República dos Estados Unidos do Brasil (1928), Jesus (1933), Noturno (1970), entre tantos outros títulos; trabalhou nos jornais A Tribuna (de Santos), A Gazeta, Correio Paulistano, Diário de São Paulo e Diário da Noite; fundou a revista Papel e Tinta (com Oswald de Andrade) e o jornal Anhanguera (órgão informativo do movimento Bandeira criado junto com Cassiano Ricardo e Cândido Mota Filho).