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Em que pese a nossa revolta...
mas que somos nós!
mas que somos nós!
Terror dos olhos que se voltam para dentro,
impotência das mãos presas à vida.
Jamais aceitaremos essa lei terrível!
Mas que somos nós!
Mas que somos nós!
Pobre cousa agora sorridente
nesse descanso que não queria,
já sem problemas,
sem perspectivas,
já sem gritos para dizer do inconformismo,
barro que torna ao barro
em que pese a nossa revolta!
Como uma estufa se constrói um cérebro
e dentro desabrocha um pensamento,
flor de requinte
e se afinam as células sensíveis,
os olhos vêem mais longe
e fundo,
os ouvidos ouvem melhor,
distinguem Bach, Noel Rosa,
as narinas se adelgaçam
o tato se faz ligeiro
abre-se o coração em simpatia,
mas a morte está de atalaia
e eis que tudo se afoga em um pouco de sangue...
E que se creia em Deus!
E que se creia em Deus!
Mas Deus chama os melhores
em que pese a nossa revolta...
Ele se cerca dos mais puros
dos mais fortes e perspicazes,
Ele quer tropas aguerridas
de lúcidas almas que lhe possam ouvir
e entender os desígnios inescrutáveis.
Sim Deus chama os melhores
porque os criou para si próprio
frágeis mudas para o jardim celeste.
Ele os arranca desta terra negra e suja
nessa hora exata em que começam a florescer...
Ah! que somos nós!
apenas recipientes.
potes de faiança ou porcelana
e se vinga a semente plantada.
Ele colhe a flor
e transplanta a muda
em que pese a nossa revolta.
Jamais aceitaremos essa lei terrível,
essa lei inumana,
e que só justifica a metafísica.
Jamais a aceitaremos.
nós que somos de carne, ossos, sangue e vísceras,
nós que somos fraquezas e imperfeições,
solidão, angústias, esperanças malogradas.
Jamais aceitaremos o destino subalterno
de instrumentos de sua vontade.
Mas que somos nós!
Mas que somos nós!
Em que pese a nossa revolta...
mas que somos nós!
mas que somos nós!
Terror dos olhos que se voltam para dentro,
impotência das mãos presas à vida.
Jamais aceitaremos essa lei terrível!
Mas que somos nós!
Mas que somos nós!
Pobre cousa agora sorridente
nesse descanso que não queria,
já sem problemas,
sem perspectivas,
já sem gritos para dizer do inconformismo,
barro que torna ao barro
em que pese a nossa revolta!
Como uma estufa se constrói um cérebro
e dentro desabrocha um pensamento,
flor de requinte
e se afinam as células sensíveis,
os olhos vêem mais longe
e fundo,
os ouvidos ouvem melhor,
distinguem Bach, Noel Rosa,
as narinas se adelgaçam
o tato se faz ligeiro
abre-se o coração em simpatia,
mas a morte está de atalaia
e eis que tudo se afoga em um pouco de sangue...
E que se creia em Deus!
E que se creia em Deus!
Mas Deus chama os melhores
em que pese a nossa revolta...
Ele se cerca dos mais puros
dos mais fortes e perspicazes,
Ele quer tropas aguerridas
de lúcidas almas que lhe possam ouvir
e entender os desígnios inescrutáveis.
Sim Deus chama os melhores
porque os criou para si próprio
frágeis mudas para o jardim celeste.
Ele os arranca desta terra negra e suja
nessa hora exata em que começam a florescer...
Ah! que somos nós!
apenas recipientes.
potes de faiança ou porcelana
e se vinga a semente plantada.
Ele colhe a flor
e transplanta a muda
em que pese a nossa revolta.
Jamais aceitaremos essa lei terrível,
essa lei inumana,
e que só justifica a metafísica.
Jamais a aceitaremos.
nós que somos de carne, ossos, sangue e vísceras,
nós que somos fraquezas e imperfeições,
solidão, angústias, esperanças malogradas.
Jamais aceitaremos o destino subalterno
de instrumentos de sua vontade.
Mas que somos nós!
Mas que somos nós!
Poema do Trigésimo Dia — 1950
— Edição fora de
comércio.

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Poetas Paulistas da Semana de Arte Moderna — Apresentação, Seleção e Notas Biobibliográficas de Mário da Silva Brito, 1972, Livraria Martins Editora, São Paulo — SP; Sérgio Milliet da Costa e Silva (1898 — 1966), paulista e paulistano, tendo feito seus estudos iniciais na capital paulista, cursou Ciências Econômicas e Sociais na Escola do Comércio de Genebra e na Universidade de Berna (Suiça), foi escritor, crítico de arte, sociólogo, professor, tradutor, pintor e poeta; na Europa, colaborou com a revista Le Carmel, escreveu e publicou Par le Sentier (poesia, 1917) e Le Départ Sur la Pluie (poesia, 1919); de retorno ao Brasil, participou da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, aderindo ao Modernismo e tornando-se defensor e incentivador das nova idéias sobre arte e literatura divulgadas pelo grupo modernista; de volta à Europa, em Paris, passou a acompanhar o desenvolvimento das novas teorias a respeito da arte e colaborou com as revistas brasileiras Klaxon, Terra Roxa, Ariel e Revista do Brasil, todas de viés modernista; divulgou seus poemas na revista Lumiére, vertendo-os para o francês; no retorno definitivo ao Brasil, radicando-se em São Paulo, ajudou a criar a revista Cultura — juntamente com Oswald de Andrade e Afonso Schmidt —, ocupou funções públicas, atuou como professor na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, colaborou com artigos versando sobre arte e literatura para o jornal O Estado de São Paulo e deu início a um período de intensa produção na área de crítica de arte; colaborou também na revista Clima e nos jornais O Tempo, A Manhã e Folha da Manhã; participante ativo na área cultural e artística, ocupando diversas funções nas instituições do gênero, dirigiu a Biblioteca Municipal de São Paulo, foi um dos articuladores da criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo — MAM-SP, ajudou na fundação e dirigiu a Associação Brasileira de Críticos de Arte — ABCA...; sua bibliografia: L’oeil de Boeuf (1923), Poemas Análogos (1927), Pintores e Pintura (1940), O Sal da Heresia (1941), Fora de Forma (1942), A Marginalidade da Pintura Moderna (1942), Oh! Valsa Latejante (1943), A Pintura Norte-Americana (1943), Pintura Quase Sempre (1944), Diário Crítico (antologia em 10 volumes, pulicados de 1944 a 1959), Poesias (1946), Poema do Trigésimo Dia (1950), Panorama da Moderna Poesia Brasileira (crítica literária, 1952).
Poetas Paulistas da Semana de Arte Moderna — Apresentação, Seleção e Notas Biobibliográficas de Mário da Silva Brito, 1972, Livraria Martins Editora, São Paulo — SP; Sérgio Milliet da Costa e Silva (1898 — 1966), paulista e paulistano, tendo feito seus estudos iniciais na capital paulista, cursou Ciências Econômicas e Sociais na Escola do Comércio de Genebra e na Universidade de Berna (Suiça), foi escritor, crítico de arte, sociólogo, professor, tradutor, pintor e poeta; na Europa, colaborou com a revista Le Carmel, escreveu e publicou Par le Sentier (poesia, 1917) e Le Départ Sur la Pluie (poesia, 1919); de retorno ao Brasil, participou da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, aderindo ao Modernismo e tornando-se defensor e incentivador das nova idéias sobre arte e literatura divulgadas pelo grupo modernista; de volta à Europa, em Paris, passou a acompanhar o desenvolvimento das novas teorias a respeito da arte e colaborou com as revistas brasileiras Klaxon, Terra Roxa, Ariel e Revista do Brasil, todas de viés modernista; divulgou seus poemas na revista Lumiére, vertendo-os para o francês; no retorno definitivo ao Brasil, radicando-se em São Paulo, ajudou a criar a revista Cultura — juntamente com Oswald de Andrade e Afonso Schmidt —, ocupou funções públicas, atuou como professor na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, colaborou com artigos versando sobre arte e literatura para o jornal O Estado de São Paulo e deu início a um período de intensa produção na área de crítica de arte; colaborou também na revista Clima e nos jornais O Tempo, A Manhã e Folha da Manhã; participante ativo na área cultural e artística, ocupando diversas funções nas instituições do gênero, dirigiu a Biblioteca Municipal de São Paulo, foi um dos articuladores da criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo — MAM-SP, ajudou na fundação e dirigiu a Associação Brasileira de Críticos de Arte — ABCA...; sua bibliografia: L’oeil de Boeuf (1923), Poemas Análogos (1927), Pintores e Pintura (1940), O Sal da Heresia (1941), Fora de Forma (1942), A Marginalidade da Pintura Moderna (1942), Oh! Valsa Latejante (1943), A Pintura Norte-Americana (1943), Pintura Quase Sempre (1944), Diário Crítico (antologia em 10 volumes, pulicados de 1944 a 1959), Poesias (1946), Poema do Trigésimo Dia (1950), Panorama da Moderna Poesia Brasileira (crítica literária, 1952).
