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Que julgas, ó ministro da justiça?
Por que fazes das leis arbítrio errado?
Cuidas que dás sentença sem pecado,
sendo que algum respeito mais te atiça,
para obrar os enganos da justiça?
Bem que teu peito vive confiado,
o entendimento tens todo arrastado
por amor, ou por ódio, ou por cobiça.
Se tens amor, julgaste o que te manda;
se tens ódio, no inferno tens o pleito,
se tens cobiça, é bárbara e execranda.
Oh, miséria fatal de todo o feito!
Que não basta o direito da demanda,
se o julgador te nega esse direito...
Humor e Humorismo
— Poesias e Versos e Paródias de Poemas Famosos — Antologia, Organização de Idel
Becker, 1961, Editora Brasiliense, São Paulo — SP; Manoel Botelho de Oliveira (1636
— 1711), baiano de Salvador, formado em Direito na Universidade de Coimbra — Portugal
e, de volta ao Brasil, exerceu advocacia, dedicou-se à política e foi poeta barroco;
Manoel Botelho escreveu versos na forma de sonetos, madrigais, décimas, redondilhas,
romances, oitavas e silvas; tendo sido cultor da poesia de Góngora, é tido como
o maior representante do culteranismo gongórico no Brasil; bibliografia: Música
do Parnasso (apresentado em quatro línguas: português, espanhol, italiano e latim,
1705); o poeta, como aqui se vê, versejou em quatro línguas.





