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Conto 4:
A tipinha de dois anos que passou a
tarde com a avó:
— Pai, pai.
— Sim, filhinha.
— Xópi... compra... cartão...
A mesma pessoinha voltando da outra avó:
— Pai, pai.
— O que, filhinha?
— O Senhor é convosco.
Conto 9:
A menina ao pai divorciado:
— Pai. Me diga, pai.
— Sim, filhinha.
— Você já tem namorada?
— Não. Ainda não.
— Sabe, pai...
— O que é?
— ...a minha mãe está livre.
Conto 25:
O casal brigado, de costas. Longo
silêncio. De repente o velho:
— Sua diaba. Pára de ficar
ouvindo o meu pensamento!
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Pico na Veia, Editora Record, Rio de
Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano,
formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR — Universidade Federal
do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata
ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente
renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964),
O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969),
A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002),
além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte,
por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor;
o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948,
fora do eixo cultural Rio — São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem
a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos
e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de
Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos — como "O caso do
vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais
de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti
e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados
em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria
da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas
nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com
contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana,
dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme
de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta
Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela
sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa — Portugal),
o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra),
ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.