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sexta-feira, 24 de abril de 2026

joaquim da silva: nanocontos 15, 28, 37, 52, 55 & 63

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15.
noite vinda
multidão de pirilampos reagem em cadeia
começam a piscar
sombras se vão

28.
recolheu-se
peso da idade lhe ia às costas
caramujo era caramujo ficou
tinha uma casa ao menos

37.
idoso caipira já não se acocorava
garimpou tripeça no antiquário
descartou divã

52.
escritor de autoajuda não enganava ninguém:
escrevia e lucrava muito

55.
grave erro não foi desdenhar futuro
querer voltar ao passado foi sua brutal falha

63.
quis rever o ferroviário Sales e seu gramofone
na Turma 29 do Bacelar buscou retrato na parede

[são paulo, jan/fev/mar de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

joaquim da silva: nanocontos 17, 18, 19, 20, 21 & 25

 
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17.
obsessivo observador de plantão
não olha pro próprio umbigo:
convive com uma hérnia que salta aos olhos
[gsf – sp, 09/2024]

18.
humorista não quis mais brincar com o humor
levava tudo a sério
perdeu a graça

19.
tantã não agia como biruta de aeroporto:
cata-vento em giro contrário viraria suástica

20.
vivia nas nuvens atrás de códigos-fonte
teórico de TI fuçava bannon musk
pentágono & cia

21.
morava no gúgol
cuca fundida arfante usava IA
esboçava minitextos sem inteligência criativa
respirava

25.
perseguia o passado
viciado em nomear tudo chamou isso saudade

[são paulo, fevereiro de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

joaquim da silva: nanocontos 6, 7, 8, 9 & 10

 
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6.
oriundo das trevas olimbo quis viver na sombra aluz lhe ofuscava
notempo quem sabe um dia se acostumasse à claridade
apesquisa porém foi peremptória: viver para olimbo nunca foi utopia

7.
agulha já havia encontrado
faltava o camelo escondido no monte de feno

8.
médico de plantão verte antídoto em mercado doentio
avia placebo pra males sem remédio

9.
assou castanhas na brasa
usou camaleão pra pinçá-las do fogo
ronron andava fugido

10.
em tom amarelo tomatinho quis virar vermelho consumiu muito adubo e foi devorado por ativista ecovegano

[são paulo, janeiro de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

joaquim da silva: nanocontos 1, 2, 3, 4 & 5

 
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1.
preguiçoso queria escrever
treinou nos aforismos apreciou façanha se sentiu um bamba

2.
fez imersão nos livros
pra retomar fôlego emergiu com textículo grudado no vão da unha

3.
nónagarganta achava difícil engolir
papou farelo de palavras

4.
avesso a rococós
curtoegrosso coseu texto em linha reta e o disse a conta-gotas

5.
pingo é letra e ponto final

[são paulo, janeiro de 2026]
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joaquim da silva, p. da silva e outros silva, além de genésio dos santos, são uma só pessoa e um só nanocontista.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Dalton Trevisan: Sábado


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          Hoje é sábado; não, eu é que estou sábado. Organizo o domingo assim a cozinheira o seu bolo de nozes: aparo o cabelo, engraxo o sapato, escolho a gravata de bolinha. Pouca gente na rua, os plátanos enfeitam-se da conversa de pardais.
          Meninas já brincam, vestidinho branco no portão. Debruçando no livro de capa preta diz o escriturário, com o lápis no ar: não te gastes, amanhã é domingo. Os cães conspiram na esquina: se amanhã é domingo, tem osso de galinha.
          Solteirona descansa o cotovelo na janela: ai, tomara não chova domingo. Um gordo antegoza o domingo no prato fundo de macarrão. A amada não veio, João? Amanhã domingo estará na missa.
          Alma de artista, domingo você rabisca o retrato da menina, fita azul no cabelo, mãe e filha chateadas. Noivo, a sambiquira é com vinho na casa da sogra. Dor de dente? Que dia desgraçado: o dentista não atende domingo.
          Se você morre no sábado mais depressa esquecido.
          Eis o domingo e, como todo domingo, um dia perdido amanhã é segunda-feira.

(O conto Sábado, publicado originalmente em
Mistérios de Curitiba — 1968, foi revisto pelo autor
para a edição deste Quem tem medo de vampiro?)

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Quem tem medo de vampiro? — contos, Dalton Trevisan, 2013, 1ª edição, Editora Ática, São Paulo — SP; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; suas obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

domingo, 22 de setembro de 2024

genésio dos santos: homens de plantão

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o acumulador de dinheiros de plantão
não vê outra razão pra se conduzir na vida:
chafurda na sua arte e manha

*

o pastor de rebanhos de plantão
não faz novas profecias nem reinventa milagres:
inseguro do futuro vai com deus mesmo

*

de quepe no seu turno e coturno
o chefe militar de plantão edita duras ordens:
se bazucas não tiver não há quem dele discorde

*

verte antídotos em mercado doentio
o médico de plantão:
avia placebos pra males sem remédio

*

no velho circo sem lona nem público
cisma e olha pro céu o palhaço de plantão:
não ri da própria desgraça nem da de ninguém

*

com escola em ruína o professor de plantão
atém-se ao seu sacerdócio:
há alunos de sobra e metodologia incerta

*

sob aplausos da seleta e extasiada platéia
o prestidigitador de plantão vive sua ilusão:
desentorta garfos e tira coelhos da cartola

*

no trem em máquina lenta puxando seus vagões
o foguista de plantão bota fogo na fornalha:
pingado de suor acorda embaixo da cama

*

o construtor de algoritmos de plantão
destaca no empenho do seu engenho:
se tudo der errado foge pra plutão

*

o obsessivo observador de plantão
não olha pro próprio umbigo:
convive com uma hérnia que salta aos olhos

sp, setembro/2024
[este prosaema iniciado no último abril
por oragora é dado por concluído]

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, foi alfabetizado pela cartilha do tatu — de saturnina de almeida fagundes e escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta e cronista, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para o jornal o espelho — sp, folha bancária, participou do jornal brinque (do coletivo cultural do seeb-sp, 1983 1985) e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro e assim se mantém, a despeito dos algoritmos zuquerbergueanos e que tais ... 

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Dalton Trevisan: Candinho se apresenta para a mulher de João: . . .


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[conto 134]

          Candinho se apresenta para a mulher de João:
           Minha senhora, venho me queixar do seu marido, que me roubou o Edu. Cuidei como de um filho, hoje estou velho. Ninguém por mim senão ele. Seu marido, moço e bonito, pode ter todos os homens e mulheres. Só peço que me deixe o único amor.
          Ao chegar o marido, ela exige explicação.
           É verdade ele diz.
           Então escolha. Eu ou esse aí.
           Já escolhi.
          Mesma hora João sai de casa, abandonando a mulher e os dois filhos.
          João e Edu ficam anos juntos. Um dia, mais uma vez, os dois brigam e João o expulsa de casa. Em desespero, Edu se queixa à mãe de João:
           Madame, sou um perdido e um desgraçado. Só a senhora pode me salvar. Conto com a sua piedade e o seu socorro. O João quer me abandonar. Já de cabelo branco, não sei ganhar a vida. Aprendi apenas a agradá-lo, que me acostumou com o melhor. Quando enjoa de mim, saio pela rua atrás de moço bonito para ele. Agora me expulsa por amor de outro, instalado no meu quarto. Como hei de viver, sem uma pensão? Se ele não me acode, só me resta morrer.
          Procurado pela velhinha, João nem pisca:
           Esse aí? Fala de morte. Só que não morre.
          Ah, é? Dia seguinte, Edu abre o gás, toma veneno, corta o pulso. Enquanto agoniza, escreve ao pérfido João o último bilhete. Com sangue desenha trêmulo ADEUS sobre o coração varado sem dó pelo teu punhal gotejante de mel.
          João rasga-o em pedacinhos:
           Morreu, a Dudu Louca? Bem feito. Muito feliz com o meu novo amor.

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Pico na Veia: Dalton Trevisan, 2002, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; suas obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

sexta-feira, 27 de maio de 2022

Dalton Trevisan: picos na veia [nanocontos IV]

 
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Conto 132:

O marido para o melhor amigo e amante da mulher:
Nunca se case, meu velho. Olha pra mim. Já viu alguém mais infeliz?
E o amante, ressabiado: Epa, será que ele sabe?

Conto 141:

A mulher do velho poeta:
 Em vez de ganhar dinheiro, você fica aí sentado cantando o mesmo versinho!

Conto 147:

Melhora muito o convívio de Sócrates e Xantipa assim que um deles bebe cicuta.

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Dalton Trevisan: picos na veia [nanocontos III]

 
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Conto 37:
 
Na farmácia, a mocinha com o bebê no colo, apagando a voz:
 Uma caixa de pílula e um batom bem vermelho.
 
Conto 85:
 
A mulher para a mocinha:
 Mas ele te bate?
 Não. Isso, não.
 Então? Está reclamando do quê?
 
Conto 135:
 
O velhote, bem tristonho:
Ainda fica duro, o carinha. Só que não trava.
 
Conto 201:
 
O solitário, abrindo a porta da casa deserta:
 Ei, minha gente, cheguei!
Juntos alegremente respondem o irmão caruncho e a irmã baratinha.

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

quarta-feira, 30 de março de 2022

Dalton Trevisan: picos na veia [nanocontos II]

 
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Conto 21:

Assim o cãozinho quer pegar no chão a sombra do vôo rasante do pássaro, você persegue no tempo a lembrança em fuga dos teus mortos queridos.

Conto 36:

O menino para a mãe:
 A vovó buliu no meu pintinho. Ela diz pra não contar.
Essa não, meu Deus, pensa a nora, iluminada. O grande segredo do filho dela. Porque ele é assim... tão...

Conto 42:

 Ai, querido, você não deve me censurar. Eu não volto sempre para você? E sempre mais experiente, mais segura de mim. Não fossem os outros, me diga, saberia eu comparar? Cada um deles só me faz reconhecer que você é o grande, o único, o eterno amor de minha vida.

Conto 123:

No balcão da lanchonete, o senhor de terno e gravata, duramente:
 Uma cerveja preta e dois sonhos.

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

quinta-feira, 17 de março de 2022

Dalton Trevisan: picos na veia [nanocontos V]

 
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Conto 73

          Dia das Mães: quantos crimes literários, ai, mãe, são cometidos em teu nome!

Conto 105

          O pai, aos gritos:
          Não me responda. Cala a boca, piá!
          Ele responde, sim: um silêncio só de palavrões.

Conto 162

          Meu marido me chamou de lazarenta. Ah, é? Tomo 40 comprimidos e um copo de vinho doce.
           . . .
           Corto o punho esquerdo.
           . . .
           Enfio na cabeça um saco plástico.
           Pô, e daí?
           Ele me deixa no pronto-socorro e vai embora.

Conto 166

          Ontem, na festinha do primeiro ano de nosso filho, a mulher estava muito calada. Fria, distante. Ficamos sós e perguntei o que era. Sabe o que respondeu?
           . . .
           Está apaixonada por outro, que aceita o meu filho. E daqui a três dias ela vai me deixar.

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Dalton Trevisan: picos na veia [nanocontos I]

 
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Conto 4:

A tipinha de dois anos que passou a tarde com a avó:
 Pai, pai.
 Sim, filhinha.
 Xópi... compra... cartão...
A mesma pessoinha voltando da outra avó:
 Pai, pai.
 O que, filhinha?
 O Senhor é convosco.

Conto 9:

A menina ao pai divorciado:
 Pai. Me diga, pai.
 Sim, filhinha.
 Você já tem namorada?
 Não. Ainda não.
 Sabe, pai...
 O que é?
 ...a minha mãe está livre.

Conto 25:

O casal brigado, de costas. Longo silêncio. De repente o velho:
 Sua diaba. Pára de ficar ouvindo o meu pensamento!

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Pico na Veia, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ, 2002; Dalton Jérson Trevisan, nascido em 1925, paranaense e curitibano, formou-se pela Faculdade de Direito do Paraná (atual UFPR Universidade Federal do Paraná), foi advogado, jornalista e é escritor e contista; obras: Sonata ao Luar (contos, 1945) e Sete Anos de Pastor (1948), ambos posteriormente renegados pelo autor, Novelas Nada Exemplares (1959), Cemitério de Elefantes (1964), O Vampiro de Curitiba (1965), Desastres de Amor (1968), A Guerra Conjugal (1969), A Trombeta do Anjo Vingador (1977), A Polaquinha (romance, 1985), Pico na Veia (2002), além de mais uma vintena de obras; Pico na Veia é composto, em sua maior parte, por microcontos (minicontos ou nanocontos), uma das especialidades do escritor; o eterno curitibano Dalton Trevisan editou entre abril de 1946 e dezembro de 1948, fora do eixo cultural Rio São Paulo, a Joaquim — revista mensal de arte em homenagem a todos os joaquins do Brasil, porta-voz de uma geração de escritores, críticos e poetas nacionais e que reunia ensaios assinados por Antonio Candido, Mário de Andrade e Otto Maria Carpeaux, poemas até então inéditos como "O caso do vestido" de Carlos Drummond de Andrade, além de trazer traduções originais de Joyce, Proust, Kafka, Sartre, Gide e ilustrações de artistas como Poty, Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres; em 2002, os vinte e um números da Joaquim foram reeditados em edição fac-similar pela Imprensa Oficial do Paraná, patrocinados pela Secretaria da Justiça e da Cidadania do Governo do Paraná; o contista teve obras publicadas nos idiomas alemão, espanhol, francês, inglês, holandês, polonês, e participou com contos em antologias alemãs, argentinas, americanas, polonesas, sueca, venezuelana, dinamarquesa e portuguesa; seu livro A Guerra Conjugal serviu de base para o filme de mesmo nome, com histórias e diálogos do autor, e com roteiro e direção do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, em 1975; Dalton Trevisan foi várias vezes premiado pela sua atividade literária: o Prêmio Camões (Instituto Camões, Lisboa Portugal), o Prêmio Machado de Assis (Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra), ambos em 2012, diversos prêmios Jabuti de Literatura e outros.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

huxleyano ramalho da silva: intratável gado novo

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era uma vez um dementhistriônico desgoverno teocrático-militar que pretendia conduzir seu gado rumo ao futuro: espalhava medo e ódio no rebanho e propagandeava que o dia do estouro da manada estava próximo.

sp, 14.04.2021
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huxleyano ramalho da silva, p. da silva, la boétie da silva, e outros vários silva que subscrevem neste blogue, são um só zigoto.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

genésio dos santos: escritor desiludido

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escrevia para crianças,
mas seus leitores
eram adultos não-crescidos.



sp, janeiro de 2019

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genésio dos santos ferreira, nascido em 1952, paulista de itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da estrada de ferro sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra são paulo no início da década de setenta do século e milênio passados, é um bicho urbano adaptado, até dia destes foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou número um (poesias, 1978) e cinco poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais o espelho — sp, folha bancária e pilotou o devezenquandário na moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do sindicato dos bancários de são paulo; é aprendiz de blogueiro.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Laboratório: Oficina literária

                    

                                        Deram-se as mãos, dois a dois, por sugestão do palestrante oficineiro. Iniciava-se assim a  produção de um conto. A outra mão, a que carregava a caneta, passou a tecer rabiscos no bloco de anotações.

Minha foto
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Genésio dos Santos, poeta não tão ativo e aprendiz de blogueiro, cometeu este minitexto em exercício para a produção de minicontos durante oficina literária comandada pelo escritor João Carrascoza no espaço Itaú Cultural em Sampa neste novembro de 2014.