Mostrando postagens com marcador Luiza Romão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiza Romão. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de fevereiro de 2023

Luiza Romão: Na camiseta da garota estava escrito “Todo preso é um preso político”

____________________
quarenta por cento dos
presos são provisórios
quarenta por cento dos
presos são provisórios
trezentos tantos mil que
dentro apodrecem
sem processo culpa
jurisdição

parado-parado mãos pro alto
camburão

do capitão da rota ao capitão do mato
eu mato
sem ultimato
último corpo caído na avenida
cabral disparou caiu aqui bala perdida
percorre quinhentos anos de história

O QUE É A GUERRA DO
PARAGUAI
COMPARADO À
GUERRAS ÀS DROGAS

condena mata explora
porque plantar não pode
mas implantar
(que paródia)

a justiça vendada
os direitos vendidos
rende os meninos
rende
rende muito
enche o bolso a carteira o helicóptero
de pasta
em pasta
chega até em ministério
qual o mistério
preso o rafael solto o aécio

é final mais batido
que enredo de novela
pra alguns dá-lhe terra
pra outros cova ou cela

sério
não tem remédio
muito menos restauro
pra quem fabrica labirintos
e inventa minotauros

____________________
Antifa — [10 poetas & 30 poemas] coleção SLAM, Organização de Emerson Alcalde e Prefácio de Cynthia Agra de Brito Neves, 2019, Autonomia Literária, São Paulo — SP; Luiza Romão, nascida em 1992, paulista de Ribeirão Preto, formada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo e pela Escola de Arte Dramática EAD ECA-USP e mestranda da FFLCH-USP, com pesquisa sobre o SLAM no Brasil, é atriz, diretora de teatro, poeta e slammer*; através de seus traços biográficos ficamos sabendo que a poeta “pesquisa as fricções entre a palavra e o cinema, dirigindo e atuando nos projetos Revide (em 2016) e Sangria (em 2017); suas obras: Koketel Motolove (2014), Sangria, edição bilíngue português-espanhol (2017), Também guardamos pedras aqui (poesia, 2021); a poeta participa e é referência nos SLAMs da Guilhermina, apresentações poético-performáticas realizadas na ZL em sampa, junto à estação do metrô Guilhermina Esperança; foi laureada com o Prêmio Jabuti para poesia, versão 2022, pela obra Também guardamos pedras aqui.

* Nota do aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: algumas referências sobre SLAM — a) uma palavra inglesa que significa “batida”, to slam = bater, uma expressão cujo significado se assemelha ao som de uma “batida” de porta ou janela, “algo próximo do nosso ‘pá!’ em língua portuguesa”, é o que nos diz Cynthia Agra de Brito Neves, prefaciadora deste Antifa; b) nos anos oitenta do último século passado, consta que, surgido inicialmente em Chicago — EUA, virou sinônimo de poesia falada; c) a poetry-slam, assim conhecida, também chamada “batalha das letras”, é uma competição de poesia falada que traz questões da atualidade para debate; d) no Brasil, o movimento SLAM veio à tona em 2008; e) slammers: poetas do SLAM, participantes ativos do SLAM.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Luiza Romão: Fascismo self-service


____________________
vocês que almoçam ao meu
lado
talvez não saibam
mas a alguns metros daqui
uma garota teve uma
suástica riscada na nuca

e dias atrás
um capoeirista foi morto a facadas
talvez saibam
e por isso
fingem satisfação
enquanto comem o canapé de damasco
eu
tenho comido pouco
invejo a destreza com que
manejam os talheres
e limpam a faca no guardanapo de pano
de que adianta descrever a violência
se tudo parece irrisório
se o anúncio da morte não causa calafrios
ou um fio de preocupação
vocês que almoçam ao meu lado
falam de corrupção e futuros melhores
enquanto o ar
pouco a pouco
se corrompe
eu
tenho respirado com dificuldade
talvez não esteja mais aqui
quando pedirem o cafezinho
e distraidamente passarem o cartão
“débito, por favor”
é preciso ter estômago

VOCÊS QUE ALMOÇAM AO MEU
LADO
TALVEZ NÃO SAIBAM
MAS O SANGUE QUE SUJA SEUS
PRATOS
NÃO É SÓ O DO BOI

____________________
Antifa — [10 poetas & 30 poemas] coleção SLAM, Organização de Emerson Alcalde e Prefácio de Cynthia Agra de Brito Neves, 2019, Autonomia Literária, São Paulo — SP; Luiza Romão, nascida em 1992, paulista de Ribeirão Preto, formada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo e pela Escola de Arte Dramática EAD ECA-USP e mestranda da FFLCH-USP, com pesquisa sobre o SLAM no Brasil, é atriz, diretora de teatro, poeta e slammer*; através de seus traços biográficos ficamos sabendo que a poeta “pesquisa as fricções entre a palavra e o cinema, dirigindo e atuando nos projetos Revide (em 2016) e Sangria (em 2017); suas obras: Koketel Motolove (2014), Sangria, edição bilíngue português-espanhol (2017), Também guardamos pedras aqui (poesia, 2021); a poeta participa e é referência nos SLAMs da Guilhermina, apresentações poético-performáticas realizadas na ZL em sampa, junto à estação do metrô Guilhermina  Esperança; foi laureada com o Prêmio Jabuti para poesia, versão 2022, pela obra Também guardamos pedras aqui.

* Nota do aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: algumas referências sobre SLAM — a) uma palavra inglesa que significa “batida”, to slam = bater, uma expressão cujo significado se assemelha ao som de uma “batida” de porta ou janela, “algo próximo do nosso ‘pá!’ em língua portuguesa”, é o que nos diz Cynthia Agra de Brito Neves, prefaciadora deste Antifab) nos anos oitenta do último século passado, consta que, surgido inicialmente em Chicago — EUA, virou sinônimo de poesia falada; c) a poetry-slam, assim conhecida, também chamada “batalha das letras”, é uma competição de poesia falada que traz questões da atualidade para debate; d) no Brasil, o movimento SLAM veio à tona em 2008; e) slammers: poetas do SLAM, participantes ativos do SLAM.