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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Hermes Fontes: Estrela d'alva

 
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Vem por aí o Dia... Ó loura Estrela d'Alva,
escudeira do Sol, cuja vanguarda assumes!
Ao teu beijo estelar, a alma se nos ressalva,
e se ofusca a “lanterna azul” dos vaga-lumes...

Pela planície do Ar, que a Noite, em fuga, escalva,
vão-se os astros... Só tu sorris, e te presumes
uma salva geral de palmas, uma salva
de pétalas, de sons, de cores, de perfumes...

Estrela d’Alva, noiva e irmã dos sonhadores!
Taça, onde os olhos vão beber, contra as moléstias,
remédios imortais e purificadores...

Cercam-te, régia noiva, etéreas brumas... veste-as;
véu nupcial que te envia a Terra, expansa em flores,
Pela escada de luz das tuas louras réstias...

MCMIV.
(Apoteoses, pág. 28, 2ª Edição, 1915,
Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro,)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), sergipano de Buquim, órfão de mãe ainda criança, aos nove anos seguiu rumo ao Rio de Janeiro, levado pelas mãos de Martinho Garcez [à época senador federal], seu protetor, cursou a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro [hoje Faculdade de Direito da UERJ-RJ], bacharelou-se, não exerceu a profissão, foi poeta, compositor, jornalista, crítico literário, caricaturista e funcionário público trabalhou nos Correios e Telégrafos e foi oficial de gabinete do ministro da Viação ; tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904), também foi colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, Kosmos, Revista Souza Cruz, entre outros periódicos de sua época; como caricaturista, Hermes Fontes atuou no jornal O Bibliógrafo e também no Tagarela e Brasil Moderno; obras poéticas: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922), A Fonte da Mata (1930) ...; sua poesia é de estética simbolista; Hermes Fontes “compôs a letra das músicas Luar de Paquetá e À Beira-Mar com música de Freire Junior gravadas por Vicente Celestino e Orlando Silva”, entre outras composições e gravações; na divulgação de seus textos, Hermes Fontes ainda fez uso dos pseudônimos Léo-zito, Leléo, Léo-Fábio, P. Q. Nino, H. F., F. H., Rems, Rins e Roms; o poeta, num processo de depressão, suicidou-se na véspera do Natal de 1930.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Hermes Fontes: A primeira pedra

 
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Corpo que se encontrou abandonado de alma,
corpo que se não pôde à ação do ar decompor,
uma pedra é uma vaga imóvel... É uma calma
recordação do mar de que foi leito a estrada,
uma vaga do mar dos Tempos, retardada,
que por aí ficou sem sentidos, parada,
adormecida por um íntimo torpor.

É a Impassibilidade esculturada. Dorme.
Secou-lhe o sangue, e não consegue apodrecer.
Vive? É possível. Morre? É provável. Conforme
a Vida e a Morte... A pedra é um ponto de partida.
É o princípio da Morte, é o princípio da Vida...
É um gesto contrariado, é uma força contida,
É o Ser que adormeceu em caminho do Ser...

(Gênese, pág. 34, 1913 [Tipografia
W. Martins & C., Rio de Janeiro.])

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), sergipano de Buquim, órfão de mãe ainda criança, aos nove anos seguiu rumo ao Rio de Janeiro, levado pelas mãos de Martinho Garcez [à época senador federal], seu protetor, cursou a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro [hoje Faculdade de Direito da UERJ-RJ], bacharelou-se, não exerceu a profissão, foi poeta, compositor, jornalista, crítico literário, caricaturista e funcionário público trabalhou nos Correios e Telégrafos e foi oficial de gabinete do ministro da Viação ; tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904), também foi colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, Kosmos, Revista Souza Cruz, entre outros periódicos de sua época; como caricaturista, Hermes Fontes atuou no jornal O Bibliógrafo e também no Tagarela e Brasil Moderno; obras poéticas: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922), A Fonte da Mata (1930) ...; sua poesia é de estética simbolista; Hermes Fontes “compôs a letra das músicas Luar de Paquetá e À Beira-Mar com música de Freire Junior gravadas por Vicente Celestino e Orlando Silva”, entre outras composições e gravações; na divulgação de seus textos, Hermes Fontes ainda fez uso dos pseudônimos Léo-zito, Leléo, Léo-Fábio, P. Q. Nino, H. F., F. H., Rems, Rins e Roms; o poeta, num processo de depressão, suicidou-se na véspera do Natal de 1930.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Hermes Fontes: Perfeição

 
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Tanto esforço perdido em ser perfeito!
Em ser superno, tanto esforço vão!
Sonho efêmero; acordo e, junto ao leito,
a mesma inércia, a mesma escuridão.

Vejo, através das sombras, um defeito
em cada cousa, e as cousas todas são,
para os meus olhos rútilos de eleito,
prodígios de impureza e imperfeição!

Fico-me, noite a dentro, insone e mudo,
pensando em ti, que dormes, esquecida
do teu amargurado sonhador…

Ah, Mas, se ao menos, imperfeito é tudo,
salve-se, às mil imperfeições da vida,
a humilde perfeição do meu amor!

(Ciclo de Perfeição — 1914)

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Antologia Nacional — coleção de enxertos dos principais escritores [prosadores e poetas] da língua portuguesa do 20º ao 13º século: Seleção, Apresentação e Prefácio da 1ª edição por Fausto Barreto e Carlos de Laet, Prefácio da 25ª edição por Prof. M. Daltro Santos, Introdução gramatical por Fausto Barreto, 36ª edição, 1959, Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro — RJ; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), sergipano de Buquim, órfão de mãe ainda criança, aos nove anos seguiu rumo ao Rio de Janeiro, levado pelas mãos de Martinho Garcez [à época senador federal], seu protetor, cursou a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro [hoje Faculdade de Direito da UERJ-RJ], bacharelou-se, não exerceu a profissão, foi poeta, compositor, jornalista, crítico literário, caricaturista e funcionário público — trabalhou nos Correios e Telégrafos e foi oficial de gabinete do ministro da Viação —; tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904), também foi colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, Kosmos, Revista Souza Cruz, entre outros periódicos de sua época; como caricaturista, Hermes Fontes atuou no jornal O Bibliógrafo e também no Tagarela e Brasil Moderno; obras poéticas: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922), A Fonte da Mata (1930) ...; sua poesia é de estética simbolista; Hermes Fontes “compôs a letra das músicas Luar de Paquetá e À Beira-Mar com música de Freire Junior gravadas por Vicente Celestino e Orlando Silva”, entre outras composições e gravações; na divulgação de seus textos, Hermes Fontes ainda fez uso dos pseudônimos Léo-zito, Leléo, Léo-Fábio, P. Q. Nino, H. F., F. H., Rems, Rins e Roms; o poeta, num processo de depressão, suicidou-se na véspera do Natal de 1930.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Hermes Fontes: Suave amargor

 
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Sofrer é o menos, minha suave Amiga;
todos têm sua cruz ou seu cajado
cruz de dor, ou cajado de dever...

Este é sereno; aquele se afadiga:
um, só pelo desejo contrariado,
outro, por esperar, sem nunca obter.

Tudo muda, dirás... Mas, certamente,
não muda a luz: vem sempre do Nascente
para o mesmo calvário de Sol-Pôr!

Sofrer é o menos... A dificuldade
é sofrer sem protesto e sem rancor;
é morrer sem tristeza e sem saudade:

Morrer, de olhos em Deus, devagarinho,
ciciando uma palavra de carinho
aos que vivem sem fé e sem amor...

(A Fonte da Mata — 1930, nas Poesias
Escolhidas [1944], pp. 350-351)

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Antologia Nacional — coleção de enxertos dos principais escritores [prosadores e poetas] da língua portuguesa do 20º ao 13º século: Seleção, Apresentação e Prefácio da 1ª edição por Fausto Barreto e Carlos de Laet, Prefácio da 25ª edição por Prof. M. Daltro Santos, Introdução gramatical por Fausto Barreto, 36ª edição, 1959, Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro — RJ; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), sergipano de Buquim, órfão de mãe ainda criança, aos nove anos seguiu rumo ao Rio de Janeiro, levado pelas mãos de Martinho Garcez [à época senador federal], seu protetor, cursou a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro [hoje Faculdade de Direito da UERJ-RJ], bacharelou-se, não exerceu a profissão, foi poeta, compositor, jornalista, crítico literário, caricaturista e funcionário público trabalhou nos Correios e Telégrafos e foi oficial de gabinete do ministro da Viação ; tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904), também foi colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, Kosmos, Revista Souza Cruz, entre outros periódicos de sua época; como caricaturista, Hermes Fontes atuou no jornal O Bibliógrafo e também no Tagarela e Brasil Moderno; obras poéticas: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922), A Fonte da Mata (1930) ...; sua poesia é de estética simbolista; Hermes Fontes “compôs a letra das músicas Luar de Paquetá e À Beira-Mar com música de Freire Junior gravadas por Vicente Celestino e Orlando Silva”, entre outras composições e gravações; na divulgação de seus textos, Hermes Fontes ainda fez uso dos pseudônimos Léo-zito, Leléo, Léo-Fábio, P. Q. Nino, H. F., F. H., Rems, Rins e Roms; o poeta, num processo de depressão, suicidou-se na véspera do Natal de 1930.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Hermes Fontes: Transviver

 
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Eu, decerto, a esqueci... Meu sonho, entanto,
jamais a esquecerá. Ela é o motivo
das horas que revivo e em que transvivo
pela imaginação o extinto encanto.

Escolho um astro no Estelário: e, enquanto
o astro esplende nos céus, eu penso, e vivo
nesse longo silêncio evocativo
do pensamento, as coisas que descanto.

Algum dia, quem sabe? hei de revê-la,
não para perturbá-la, ou possuí-la,
que é um crime perturbar a luz da estrela.

Mas, para, vendo-a, ver, um só momento,
o contraste de sua luz tranquila
com a chama inquieta do meu sofrimento...

(A Fonte da Mata — 1930)

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), sergipano de Buquim, órfão de mãe ainda criança, aos nove anos seguiu rumo ao Rio de Janeiro, levado pelas mãos de Martinho Garcez [à época senador federal], seu protetor, cursou a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro [hoje Faculdade de Direito da UERJ-RJ], bacharelou-se, não exerceu a profissão, foi poeta, compositor, jornalista, crítico literário, caricaturista e funcionário público trabalhou nos Correios e foi oficial de gabinete do ministro da Viação ; tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904), também foi colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, Kosmos, Revista Souza Cruz, entre outros periódicos de sua época; Hermes Fontes ainda foi caricaturista do jornal O Bibliógrafo; obras poéticas: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922), A Fonte da Mata (1930) ...; o poeta, num processo de depressão, suicidou-se na véspera do Natal de 1930; sua poesia é de estética simbolista; teve poemas musicados e cantados por Vicente Celestino.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Hermes Fontes: Arquejo

 
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Comoção de Minha Alma iluminada...
Maturidade esplêndida do Amor...
... Para quê? É-me inútil a escalada
e já descri de ser o vencedor...

Desfeito o altar, por que manter a escada?
Meu destino é de chamas e esplendor,
mas olho em derredor, não vejo nada,
senão a minha Sombra e a minha Dor!

A minha Dor — essa imortal ruína;
a minha Sombra — essa espiã divina,
e a minha Solidão, em torno a mim:

e esta desilusão, e esta saudade,
e esta mentira de celebridade,
e este cansaço de esperar o fim...

[Arquejo, publicado [em 1922?!] oito anos antes de
sua morte e que, estranhamente, já era um prenúncio
terrível de seu fim tão trágico. cfe. Vasco de Castro
Lima, neste O Mundo Maravilhoso do Soneto]

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), sergipano de Buquim, órfão de mãe ainda criança, aos nove anos seguiu rumo ao Rio de Janeiro, levado pelas mãos de Martinho Garcez [à época senador federal], seu protetor, cursou a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro [hoje Faculdade de Direito da UERJ-RJ], bacharelou-se, não exerceu a profissão, foi poeta, compositor, jornalista, crítico literário, caricaturista e funcionário público trabalhou nos Correios e foi oficial de gabinete do ministro da Viação ; tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904), também foi colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, Kosmos, Revista Souza Cruz, entre outros periódicos de sua época; Hermes Fontes também foi caricaturista do jornal O Bibliógrafo; obras poéticas: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922), A Fonte da Mata (1930) ...; o poeta, num processo de depressão, suicidou-se na véspera do Natal de 1930; sua poesia é de estética simbolista; teve poemas musicados e cantados por Vicente Celestino.

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Hermes Fontes: Solenemente

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Juro por tudo quanto é jura... Juro
Por mim... por ti... por nós... por Jesus Cristo
Que hei de esquecer-te!... Vê-me, estou seguro
Contra o teu sólio, a cuja queda assisto.

E, visto que duvidas tanto, visto
Que ris do que, solene, te asseguro,
Juro mais: pelo ser em que consisto!
Por meu passado! pelo meu futuro!

Juro pela Mãe Virgem concebida!
Pelas venturas de que vou no encalço!
Por minha vida!... pela tua vida...

Juro por tudo que mais amo e exalço!
E, depois de uma jura tão comprida,
Juro... juro que estou... jurando falso...

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), nascido em Buquim SE, bacharel pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, mas não exerceu a profissão, foi poeta, compositor, jornalista, caricaturista e funcionário público trabalhou nos Correios e foi oficial de gabinete do ministro da Viação , tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904) e colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, entre outros periódicos de sua época; o poeta também foi caricaturista do jornal O Bibliógrafo; obra poética: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922), A Fonte da Mata (1930) ...; o poeta, num processo de depressão, suicidou-se na véspera do Natal de 1930; sua poesia é de estética simbolista.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Hermes Fontes: Buena-dicha


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Olhou-me a buena-dicha; olhou-me e disse:
 Amarás. Brilharás e sofrerás.
Eu ia, então, na minha meninice
Inquieta, à cerca de vintênio atrás.

E, se tal por sabê-lo, eu antevisse
O predestino esplêndido e mendaz,
Quis amar, quis brilhar, quis que a velhice
Não me recriminasse de ações más.

Para brilhar, busquei a glória na arte.
Para amar, procurei o bem no afeto.
Para sofrer, levei a cruz e o andor.

Mas, a glória mentiu. Por sua parte,
Mentiu-me o amor, tudo mentiu, exceto
A doce mãe dos imortais a dor!

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), nascido em Buquim SE, bacharel pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, mas não exerceu a profissão, foi poeta, compositor, jornalista, caricaturista e funcionário público trabalhou nos Correios e foi oficial de gabinete do ministro da Viação , tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904) e colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, entre outros periódicos de sua época; o poeta também foi caricaturista do jornal O Bibliógrafo; obra poética: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922), A Fonte da Mata (1930) ...; o poeta, num processo de depressão, suicidou-se na véspera do Natal de 1930; sua poesia é de estética simbolista.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Hermes Fontes: A fonte da mata

Resultado de imagem para Poesia Brasileira para a Infância Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito
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Depois de longa ausência e penosa distância,
vi a fonte da mata,
de cuja água bebi, na minha infância.

E que melancolia
nessa emoção, tão grata!

Ver  constância das coisas, na inconstância...
ver que a Poesia é uma segunda infância,
e que toda a Poesia...

vem da fonte da mata...

Resultado de imagem para hermes fontes
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Poesia Brasileira para a Infância (diversos autores), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), nascido em Buquim SE, bacharel pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, caricaturista e funcionário público, tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904) e colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, entre outros periódicos de sua época; obra poética: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922) entre outros títulos; o poeta, num processo de depressão, suicidou-se na véspera do Natal de 1930.

sábado, 24 de agosto de 2019

Hermes Fontes: Flor de chama

60 poetas trágicos | Amazon.com.br
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Hastil branco a florir em luz e flama, esguio
lírio seco, que o vento aniquilar promete
há uma vela a esvair-se... E isso, deve-o ao pavio,
que é a sua alma, que é o eixo, a arder, do espermacete.

Mal o pavio esplende, ei-la que se derrete:
Chama parece estar tiritando de frio...
É uma criatura humana, alanceada das sete
dores da Virgem-mãe, lacrimejando, a frio...

É um ser anímico esse objeto inanimado:
arde o pavio, e, entanto, o que se esvai é a cera...
dói a alma, e o corpo é que se faz mortificado...

É uma agonia humana... Um suor febril escorre...
E, tal o humano ser desmaiara e morrera,
a vela luz... reluz... vai desmaiando... morre.

Gênese — 1913.

Resultado de imagem para hermes fontes
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60 Poetas Trágicos — Organização, seleção, nota de apresentação e traços biobibliográficos de Sergio Faraco, 2016, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), nascido em Buquim SE, bacharel pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, caricaturista e funcionário público, tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904) e colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, entre outros periódicos de sua época; obra poética: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922) entre outros títulos; o poeta, num processo de depressão, suicidou-se na véspera do Natal de 1930.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Hermes Fontes: Justiça

Resultado de imagem para Ouve meu grito antologia de poesia operária 1894 1923
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[inédito]

Progredir, melhorar... esgota-se a ampulheta,
palpita o regular cronômetro. O aeroplano
 abelha solta da colmeia do Planeta
sobrepaira a charrua, é a nau, no oceano.

É a civilização. A fórmula obsoleta
cede aos novos ideais do pensamento humano.
Mas o homem... inda arrasta a secular grilheta:
é o mesmo réu, é o mesmo algoz... Pobre tirano!

Há séculos ardendo em sede de justiça,
Um vê que essa justiça é a velha farsa que arma
a Audácia contra a força inconsciente e submissa!

E o mundo ascende! Mas os dias se consomem
e a Humanidade sofre! E ninguém dá o alarma,
vendo o Homem ludibriado entre as mentiras do Homem!

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Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), nascido em Buquim SE, bacharel pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, foi poeta, jornalista, caricaturista e funcionário público, tendo sido um dos fundadores do jornal Estréia (1904) e colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, entre outros periódicos de sua época; obra poética: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922) entre outros títulos.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Hermes Fontes: Cigarra

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É uma existência à parte a que leva a bizarra
alma do estivo inseto, a zinir, serra a serra,
além de que dos mais se distingue e desgarra
por esses suaves sons nostálgicos que encerra.

Mal resplende o verão numa parte da terra,
ei-la: que coisas diz e que episódios narra!...
Canta aqui, canta ali, canta acolá... pousa... erra,
sibila, estala, ri e, a rir, morre a cigarra!

Nunca o tédio a indispõe, nunca a tristeza a acirra!...
Quando imerge na sua aprazível modorra,
sonha visões de luz, de incenso, de ouro e mirra...

Sua vida é uma orgia, a sua voz é um hurra!...
E há de zumbir e há de cantar, até que morra,
ao sol, que a incende, ao sol, que a abrasa, ao sol, que a esturra!...


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Livro dos Poemas — uma antologia de poetas brasileiros e portugueses, Organização e Notas de Sergio Faraco, 2009, L&PM Editores, Porto Alegre — RS; Hermes Floro Bartolomeu de Araújo Fontes (1888 1930), nascido em Buquim SE, bacharel pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, foi poeta, um dos fundadores do jornal Estréia (1904) e colaborador dos jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias, e das revistas Careta, Fon-Fon, Tagarela, Atlântida, entre outros periódicos de sua época; obra poética: Apoteoses (1908), Gênese (1913), Ciclo da Perfeição (1914), Mundo em Chamas (sob a impressão da primeira guerra mundial, 1914), Miragem do Deserto (1916), Epopéia da Vida (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922) entre outros.