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[traduzido por Aleksandar Jovanović]
Saístes da cidade durante o
anoitecer para morrer olhos
E ficastes completamente sós.
Sequer soubestes como o silêncio
aprecia ferir os desconhecidos com um fuzil invisível
E durante longo tempo estivestes
dobrados à toa sobre a terra
Como um arco quebrado:
Ingenuamente desejastes apanhar
justo aquela gota de tempo
Em que a grama intocada esticou-se
um milímetro novo.
Partistes durante o anoitecer:
Nem soubestes
Que os ombros vos doem de telhados
invisíveis
que as mãos vos estão pesadas de
amores não totalmente naturais
Pensastes que algo ocorre na
audição
E esquecestes que arrastastes atrás
de vós as paredes de uma rua bastante costumeira
Partiste durante o anoitecer:
Caminhastes com vagar
E somente então pudestes perceber
que aquele não era o vosso passo embora os pés fossem completamente vossos.
Andastes devagar:
Agora bem mais devagar
Como se nem mesmo andásseis.
Parastes
E parecia-vos que caminharíeis
adiante com um passo que não era o vosso passo.
Saístes da cidade durante o
anoitecer para morrer olhos
E agora estais deitados no gramado
Embora saibais que desejáveis
apenas sentar-vos.
Ao lado de vosso ouvido
Um fio de grama cresceu um
milímetro com fragor razoável
— Vós nada ouvistes.
No ar dois pássaros executam com as
asas uma simples arte
— Vós nada vistes.
Partistes durante o anoitecer
E do gramado agora em segredo abris
os olhos
E tendes a impressão de que alguém
faz pontaria sobre vós de um fuzil invisível.
Balada o Predvečerju
Pošli ste izvan grada u predvečerje da umirite oči
I ostali ste sasvim sami.
Niste ni znali kako tišina voli nepoznate da rani iz
nevidljive puške.
I dugo ste uzalud bili svigeni prema zemlji
kao polomljen luk:
Hteli ste naivno da uhvatite baš onu kap vremena
Kad se nedirnuta travka popela u vis za novi milimetar.
Pošli ste u predvečerje:
Niste ni znali
Da vas ramena bole od nevidljivih krovova
Da su vam ruke teške od ne sasvim prirodnih ljubavi
Pomislili ste da vam se u sluhu nešto dogadja
A zaboravili ste da ste sa sobom povukli zidove jedne jako
navikle ulice.
Pošli ste u predvečerje:
Išli ste polako
I tek ste odjedanput shvatili da to nije vaš korak iako
su noge sasvim vaše.
Išli ste polako:
Samo sad još laganije
Skoro kao da ne idete.
Stali ste
a učinilo vam se kao da i dalje idete korakom koji nije
vaš
korak.
Pošli ste izvan grada u predvečerje da umirite oči
I sada ležite u travi
Iako znate da ste hteli samo da sednete.
Pored vašeg uha
Jedna travka je prilično sumno porasla za milimetar
— Vi ništa niste čuli
U vazduhu su dve ptice obeležile krilima skromnu umetnost
— Vi ništa niste videli.
Pošli ste u predvečerje
I sada iz trave krišom otvarate oči
I čini vam se da vas još uvek neko nišani iz nevidljive
puške.
* Nota do atrevidíssimo aprendiz
de blogueiro deste Verso e Conversa: O organizador e tradutor Aleksandar Jovanović,
no Prefácio deste Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia), nos relata o abaixo
transcrito:
“O presente volume apresenta alguns dos poetas mais expressivos da Literatura Iugoslava contemporânea, escrita em servo-croata. Mas, para que a compreensão do leitor seja mais clara, é preciso ressaltar que se trata de poetas da Literatura da Sérvia. Portanto, este livro não é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava. Tampouco é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava escrita em servo-croata. É uma parte dela.Para que uma antologia de Literatura Iugoslava fosse integral, seria preciso nela incluir não somente obras de escritores da Croácia, mas também da Bósnia-Herzegovina e do Montenegro (redigidos todos em servo-croata), e, ainda, obras de escritores da Eslovênia (escritos em esloveno) e da Literatura da Macedônia (escritos em macedônio). Não é, como sublinhamos, uma visão integral, mas é o primeiro esforço para que os leitores da língua portuguesa possam ter acesso a ela.”
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Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia)
— [36 poetas], texto A Poesia Contemporânea da Sérvia — suas raízes e seus significados,
por Jovan Pejčić, edição bilíngue, Prefácio, Tradução e Notas de Aleksandar Jovanović,
1987, Editora Meca São Paulo — SP; Stevan Raičković (1928 — 2007), sérvio de Norésnitzi
(uma aldeia na Sérvia Oriental), após concluir o ensino médio, estudou Línguas e
Literaturas Iugoslavas na Faculdade de Filosofia de Belgrado, foi poeta, escritor
de literatura infantil, ensaísta, editor e tradutor; escreveu seus primeiros versos
aos quatorze anos durante a segunda guerra, em 1942, em Kruševac, numa Sérvia então
ocupada pelas tropas alemãs nazistas; desde 1945 e por dez anos, Stevan Raičković
foi “associado” de redação literária da Rádio Belgrado; seu primeiro livro de poemas,
Detinjstva
(Infância, canções), veio à luz em 1950; como editor da editora Prosveta,
foi responsável pela publicação de obras poéticas de autores russos — Anna Akhmatova,
Marina Tsvetaeva e Boris Pasternak, dentre outros, além de autores da poesia russa
moderna, na canção “Sete Poetas Russos” e em Rimas Eslavas (antologia); suas obras:
Infância (canções, Detinjstva, 1950), Canção do silêncio (Pesma tišine, 1952), Grande Quintal
(literatura infantil, Veliko dvorište, 1955), Família
sob o sol (literatura infantil, Družina pod suncem, 1960), Canção
de ninar pétrea (Kamena Uspavanka, 1963), Versos (Stihovi, 1964), O barco que passa
pelo rio (Prolazi rekom ladja, 1967), Krajcara e outras canções (literatura infantil, Krajcara
i druge pesme, 1971), Pequenos contos de fadas (literatura infantil, Male bajke,
1974), Memórias casuais (Slučajni memoari, 1978) etc.; traduziu os sonetos
de Shakespeare e os Dez Sonetos de Amor de Francesco Petrarca; foi eleito membro
da Academia Sérvia de Ciências e Artes; a poesia de Raičković recebeu edições nos
idiomas russo, polonês, tcheco, eslovaco, húngaro, búlgaro, ruteno, albanês, esloveno
e macedônio; recebeu premiações por suas obras.