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[traduzido
por Renata Cordeiro]
Minha
alma é esse lago em que o sol, que declina
Numa
tarde outoniça e linda, onde, expirando:
A onda
pouco freme, e nem a asa argentina,
Nem o
longínquo remo o agita, resvalando.
Tudo
descansa em paz, e o cristal transparente,
À noite,
ao esfriar no vento enregelado,
Sem
rugas, eco, sem lamentações plangentes,
Parece
espelho feito aos pálidos enfados.
Mas não
sentis. Senhora, em tal tranquilidade,
No fluxo
de cristal pelo próprio esquecido,
Nessa
calma extensão de plena fixidade,
Seu gozo
em vos ficar aos pés emudecido,
Em
refletir em paz a bem-amada margem,
Em
pintá-la mais pura, e sem se entremeter,
Em nada
em si perder da divinal imagem
Daquela
cujo rastro está sempre a colher?
| Charles Augustin Sainte-Beuve |
Mon âme est ce lac
même . . .
Mon âme est ce lac même où le soleil qui penche,
Par un beau soir d'automne, envoie un feu mourant:
Le flot frissonne à peine, et pas une aile blanche,
Pas une rame au loin n'y joue en l'effleurant.
Tout dort, tout est tranquille, et le cristal limpide,
En se refroidissant à l'air glacé des nuits,
Sans écho, sans soupir, sans un pli qui le ride,
Semble un miroir tout fait pour les pâles ennuis.
Mais ne sentez-vous pas, Madame, à
son silence,
A ses flots transparents de lui-même oubliés,
A sa calme étendue où rien ne se balance,
Le bonheur qu'il éprouve à se taire à vos pieds,
À réfléchir en paix de bien-aimé
rivage,
A le peindre plus pur en ne s'y mêlant pas,
À ne rien perdre en soi de la divine image
De Celle dont sans bruit il recueille les pas?
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Pequena Antologia
de Poemas Franceses: De François Villon a Fernando Pessoa — Concepção, Seleção,
Tradução e Notas de Renata Maria Parreira Cordeiro, 2002, Landy Livraria Editora
e Distribuidora Ltda., São Paulo — SP; Charles Augustin Sainte-Beuve (1804
— 1869), nascido em Boulogne-Sur-Mer — França, foi poeta, romancista e crítico literário;
escreveu e publicou Vie, poésies et pensées de Joseph Delorme (Vida, poesias e pensamentos
de Joseph Delorme, 1829), Les Consolations (Consolações, poesias, 1830), Volupté
(Volúpia, romance, 1835), Pensées d'août (Pensamentos de agosto, poesias, 1837),
Critiques et portraits littéraires (Críticas e
retratos literários, 1839), Portraits de femmes (Retratos de mulheres, crítica,
1844), Portraits contemporains (Retratos contemporâneos, crítica, 1846), Port-Royal
(1859) e outros títulos.
