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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Francisco Inácio Peixoto: Exercício erótico & Noturno

 
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Exercício erótico

Triângulo isósceles que se inscrevesse no ventre
coxim de pelos ruivos
ou negros ou fulvos
ora seda desfiada ora cerda ou lã
ou espessa crina crespa em campo escuro
que ansiosa mão afaga procurando
a oculta amêndoa
 vértice de dura bissetriz que irá feri-la
dividindo em dois o deleitável monte.

Noturno

Nada vem da rua,
só a névoa da lua
frouxa luz de acetileno
(seu único recato).
Dormes
e o sono deixa em mármore
o corpo nu.
Dormes.
No púbis
agora quieta
tarântula

(Erótica, poemas, com desenhos
de Aldary Toledo — 1981)

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Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias de Portugal e da Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Francisco Inácio Peixoto: Ciúme

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Um inglês cor de ocre
De olhos cor de bílis
De calças tipo esporte
Na hora em que avistamos
O Rio de Janeiro
Arregalou muito os olhos
Parou bestificado
Tirou uma bolsa preta
Uma codaque autográfica
E codacou com ela
Pra desculpar a sua admiração
A baía da Guanabara todinha
Sem faltar nem o Pão de Açúcar.

Eu sabia que quando ele voltasse pra Inglaterra
Havia de mostrar pros ingleses amigos dele
THE MOST BEAUTIFUL BAY IN THE WORLD...
Mas eu não queria isso não
E se eu fosse mais forte
Metia era o braço nele
E azulava com a codaque
PRO FUNDO DO MAR!

(Meia-Pataca — 1928)

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Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias de Portugal e da Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Ronald de Carvalho: O filho pródigo

 
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Volta! ainda é tempo! Branca, no horizonte,
tua aldeia sorri sobre a colina.
Cumpra-se nesses vales tua sina,
seja teu mundo esse tranqüilo monte.

Seja teu mundo essa encurvada ponte
que sobre o rio, trêmula, se inclina,
e esse trecho do céu que te ilumina
a larga, franca e pensativa fronte.

A vida aí fora, em ondas tumultua.
Ouve teu rude coração. Recua!
Volta aos humildes, mas felizes tetos!

Que as estrelas terão mais calmos brilhos
para velar o sono de teus filhos,
e a terra sorrirá para teus netos!

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Ronald de Carvalho (1893 1935), carioca, formado em Direito pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro (atual Direito UFRJ), foi jornalista, escritor, poeta, crítico e diplomata; um dos expoentes do Modernismo no Brasil, participou da Semana de Arte Moderna de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo; no Rio de Janeiro, colaborou com os periódicos Diário de Notícias, O Jornal, e com as revistas Alma Nova e Atlântida; anteriormente, em Portugal, fora um dos fundadores da revista literária Orpheu (Lisboa, 1915), contribuindo para a introdução do Modernismo naquele país; em 1933, regressando ao Brasil, foi secretário do presidente Getúlio Vargas; escreveu e publicou Luz Gloriosa (poesias, 1913), Pequena História da Literatura Brasileira (1919), Poemas e Sonetos (1919), Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922), Espelho de Ariel (1923), Toda a América e Jogos Pueris (poesias, ambos em 1926), Estudos Brasileiros (três séries, 1924 1931) e outros títulos; foi agraciado duas vezes por prêmios da Academia Brasileira de Letras pelas obras Pequena História da Literatura Brasileira e Poemas e Sonetos (publicados e premiados em 1919); morreu em acidente automobilístico no Rio de Janeiro; na ocasião, era Chefe da Casa Civil da Presidência da República no governo de Getúlio Vargas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Paulo Bomfim: Atiro aos vossos pés a mocidade . . . [soneto]

 
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Atiro aos vossos pés a mocidade
e a vida que me destes sem saber.
Senhora, se por vós posso morrer,
a morte me será felicidade.

Coloco ao vosso lado esta saudade
que a distância, entre nós, me faz sofrer.
Senhora, só por vós quero viver
o instante que será de eternidade.

Se a vida, noivo encanto, inda oferece
ao meu olhar atônito, fitando,
o dia inesperado que amanhece,

reponho em vosso peito esta alegria,
pois é do vosso olhar que vem raiando
o encantamento desse novo dia.

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Paulo Lébeis Bomfim (1926 2019), paulista e paulistano, foi jornalista, poeta e diretor de rádio e TV; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo (coluna Luz e Sombra), colaborou também com o Diário de Notícias (Notas Paulistas), do Rio; sua obra de estréia, Antônio Triste (poemas, com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada no ano seguinte com o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; foi diretor da Fundação Cásper Líbero, produzindo para rádio e televisão, e participando nos programas Universidade na TV, no Canal 2, Crônica da Cidade e Mappin Movietone, no Canal 4 e Hora do Livro e Gazeta é Notícia, na TV Gazeta; escreveu e publicou Transfiguração (1951), Relógio de  sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), Colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino — livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004), Cancioneiro (2007) e outros títulos; teve obras traduzidas para os idiomas alemão, francês, inglês, italiano e espanhol [castelhano]; teve poemas musicados por Camargo Guarnieri, Dinorah de Carvalho, Oswaldo Lacerda e mais compositores; em 1982, recebeu o Troféu Juca Pato, de intelectual do ano, concedido pela UBE União Brasileira de Escritores.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Henrique de Resende: Senzala

 
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A Mario de Andrade

Senzala da fazenda dos meus avós...
Vão-se desmoronando pouco a pouco
as tuas paredes de pau-a-pique e os teus telhados seculares.

Mas ainda és, no teu desmoronamento,
a lembrança angustiosa das atrocidades dos meus avós.

Senzala da fazenda...
As tuas ruínas ainda estão impregnadas do sangue machucado
dos negros que gemeram nos teus troncos,
sob o chicote ameaçador dos homens brancos feitores da fazenda.

Mas tudo isso há de desaparecer um dia.

As tuas paredes de pau-a-pique e os teus telhados seculares,
ruínas ainda impregnadas do sangue e do suor dos escravos
lembram os gemidos que se perderam pelos teus cubículos de tabique;
e as lágrimas que rolaram pelo teu chão de terra socada;
e o relho de três tranças dos algozes feitores da fazenda;
e os gritos lancinantes que vararam o horror das tuas trevas;
e a mancha apagada que ficou na braúna dos teus troncos.

Mas bendito seja Deus! as tuas ruínas desaparecerão um dia
na bruma longínqua da história dos tempos.

E então se apagará também, esse dia, na minha memória
a lembrança angustiosa das atrocidades dos meus avós...

(Revista Verde, ano.1, nº 4, p. 20, dezembro de 1927.)
(Poemas Cronológicos — 1928)

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Verde (Revistas do Modernismo 1922 — 1929), edição fac-similar, Prefácio / Ensaio de Júlio Castañon Guimarães e Organização de Pedro Puntoni e Samuel Titan Jr., 2014 — Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo — SP; Enrique de Rezende ou Henrique de Resende ou Henrique Vieira de Resende (1899 1973), mineiro e cataguasense, fez seus estudos iniciais na Fazenda do Rochedo, Cataguases, cursou o Colégio Anglo-Brasileiro [Rio de Janeiro], estudou Matemática em Ouro Preto MG, formou-se engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Juiz de Fora [hoje Faculdade de Engenharia da UFJF Universidade Federal de Juiz de Fora MG], exerceu o ofício de engenheiro, foi escritor e poeta; [H]Enrique de Rezende fez parte da geração modernista mineira, participando ativamente da criação da modernistíssima revista Verde (19271929), editada em Cataguases, tendo sido um dos signatários do Manifesto do Grupo Verde, o qual deu origem à verdejante revista; suas obras: Turris Eburnea (poemas simbolistas, 1923), Poemas Cronológicos (com Rosário Fusco e Ascânio Lopes, 1928), Cofre de Charão (poemas, 1933), Retrato de Alphonsus de Guimaraens (ensaio, 1938), Rosa dos Ventos (coletânea: poemas escolhidos + 16 trabalhos originais, 1957), A Derradeira Colheita (reunião de sua obra poética, 1964), Pequena história sentimental de Cataguases (ensaio histórico, 1969), Estórias e memórias (crônicas memorialísticas, 1971), Obras Completas, ...; foi eleito membro da Academia Mineira de Letras em 1966.

domingo, 23 de novembro de 2025

Henrique de Resende: O Canto da Terra Verde

 
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Leva de negros.

Fuzila o sol tinindo nas cacundas nuas.

No ar o lampejo metálico das enxadas e das picaretas.

(A quando e quando
estrala a dinamite, estrondando e rebom-
                                  bando no seio bruto
                                    da pedreira bruta.)

E as estradas de rodagem, a custo, lentamente,
                                                     se entrelaçam,
como um cordame de veias,
no corpo adusto
da terra inóspita.

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Verde (Revistas do Modernismo 1922 — 1929), edição fac-similar, Prefácio / Ensaio de Júlio Castañon Guimarães e Organização de Pedro Puntoni e Samuel Titan Jr., 2014 — Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo — SP; Enrique de Rezende ou Henrique de Resende ou Henrique Vieira de Resende (1899 1973), mineiro e cataguasense, fez seus estudos iniciais na Fazenda do Rochedo, Cataguases, cursou o Colégio Anglo-Brasileiro [Rio de Janeiro], estudou Matemática em Ouro Preto MG, formou-se engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Juiz de Fora [hoje Faculdade de Engenharia da UFJF Universidade Federal de Juiz de Fora MG], exerceu o ofício de engenheiro, foi escritor e poeta; [H]Enrique de Rezende fez parte da geração modernista mineira, participando ativamente da criação da modernistíssima revista Verde (19271929), editada em Cataguases, tendo sido um dos signatários do Manifesto do Grupo Verde, o qual deu origem à verdejante revista; suas obras: Turris Eburnea (poemas simbolistas, 1923), Poemas Cronológicos (com Rosário Fusco e Ascânio Lopes, 1928), Cofre de Charão (poemas, 1933), Retrato de Alphonsus de Guimaraens (ensaio, 1938), Rosa dos Ventos (coletânea: poemas escolhidos + 16 trabalhos originais, 1957), A Derradeira Colheita (reunião de sua obra poética, 1964), Pequena história sentimental de Cataguases (ensaio histórico, 1969), Estórias e memórias (crônicas memorialísticas, 1971), Obras Completas, ...; foi eleito membro da Academia Mineira de Letras em 1966.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Emílio Moura: Formas que em vão persigo: se é que alguma . . . [soneto]

 
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Formas que em vão persigo: se é que alguma
coisa ainda sois, mostrai-a ao pensamento.
Quando mais me procuro, mais me invento,
perco-me todo, esfaço-me na bruma.

Nem um raio de luz neste momento.
Que aconteceu, que a sombra se avoluma?
Porque tudo se perde como a espuma?
Porque a vida se esvai como um lamento?

Formas que em vão procuro: ardo em meu sonho,
quero fixar-vos. Luto. Que medonho
pânico em tudo! Que clamor profundo

sobe da treva! Que estertor imenso!
Por que tudo agoniza quando penso?
A solidão sem fim de antes do mundo!

(O Instante e o Eterno — 1953)

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Emílio Guimarães Moura (1902 1971), mineiro de Dores do Indaiá, formado em Direito pela Faculdade de Direito da UFMG, foi jornalista, poeta, escritor e professor universitário; trabalhou como redator de cadernos literários dos periódicos Diário de Minas, Estado de Minas e A Tribuna de Minas Gerais e lecionou na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais (FACEUFMG), da qual foi um dos fundadores e também diretor; junto com Carlos Drummond de Andrade e outros, integrou o grupo que editou A Revista, primeiro órgão literário modernista mineiro; suas obras: Ingenuidade (1931), Canto da hora amarga (1936), Cancioneiro (1945), O espelho e a musa (1949), O instante e o eterno (1953), A casa (1961), 50 poemas escolhidos pelo autor (1961), Itinerário Poético (1969); recebeu o Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro pela obra Itinerário Poético, coletânea de todos os seus livros; Emílio Moura também exerceu as funções de Secretário do Tribunal de Contas e Diretor da Imprensa Oficial, ambos em Belo Horizonte MG.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Ascânio Lopes: Natal do tuberculoso & Minha morte

 
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Natal do tuberculoso

Eu pensei que Papai Noel passasse por aqui
e pus na janela do quarto
meus sapatos inúteis de doente que não mais andará.
Depois rezei. Uma oração feita por mim,
entrecortada pelo arfar do peito e pela tosse rouca.
Pedi uma morte mansa suave
o coração parando, sem aflição, sem dor.
Lá fora os sinos da Missa do Galo
acompanhando minha morte lenta.
E aqui dentro ninguém... o silêncio... o descanso... o mistério...
Mas Papai Noel passou sem nada me dar.
Achou decerto enormes meus sapatos...

— o —

Minha morte

Meus amigos dirão as palavras da amizade.
Meus inimigos dirão as palavras do perdão.
E os indiferentes continuarão indiferentes.
E ela que distante reza baixo por mim,
ela que dirá?

Sua boca dirá nada, mas seus olhos dirão tudo...

(Ascânio Lopes: Vida e poesia, de Delson Gonçalves Ferreira,
1967, Difusão Pan-Americana do Livro, Belo Horizonte — MG)

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Ascânio, o poeta da Verde, coleção Cataguases Cartazes, Organização, Seleção e Notas de Joaquim Branco, texto[orelha do livro] por Ronaldo Werneck, 1998, Edições Totem, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 — 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; suas obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (na parceria de Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde, e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Paulo Bomfim: Os dias mortos

 
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Os dias mortos, sim, onde enterrá-los?
Que solo se abrirá para acolhê-los
em seus pés indecisos, seus cabelos,
seu galope de sôfregos cavalos!

Os dias mortos, sim, onde guardá-los?
Em que ossário reter seus pesadelos,
seu tecido rompido de novelos,
seus fios graves, relva além dos valos?

Tempo desintegrado, tempo solto,
fátuo fogo de febre e de fuligem,
canteiro de sereia em mar revolto.

Em nossa carne, sim, em nossos portos,
quando o fim regressar à própria origem,
repousarão também os dias mortos!

(Poemas escolhidos — 1974)

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Paulo Lébeis Bomfim (1926 2019), paulista e paulistano, foi jornalista, poeta e diretor de rádio e TV; desde criança escrevia seus versos e iniciou-se no jornalismo, em 1945, no Correio Paulistano e, logo após, no Diário de São Paulo (coluna Luz e Sombra), colaborou também com o Diário de Notícias (coluna Notas Paulistas), do Rio; sua obra de estréia, Antônio Triste (poemas, com Ilustrações de Tarsila do Amaral e Prefácio de Guilherme de Almeida, 1946), foi agraciada no ano seguinte com o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras; foi diretor da Fundação Cásper Líbero, produzindo para rádio e televisão, e participando nos programas Universidade na TV, no Canal 2, Crônica da Cidade e Mappin Movietone, no Canal 4 e Hora do Livro e Gazeta é Notícia, na TV Gazeta; escreveu e publicou Transfiguração (1951), Relógio de  sol (1952), Cantiga do desencontro e Poema do silêncio (ambos em 1954), Sinfonia branca (1955), Armorial (1956), Poema da descoberta (1958), Sonetos (1959), Colecionador de minutos (1960), Sonetos da vida e da morte (1963), Tempo reverso (1964), Canções (1966), Aquele menino — livro de memórias (2000), Tecido de lembranças, crônicas e memórias (2004), Cancioneiro (2007) e outros títulos; teve obras traduzidas para os idiomas alemão, francês, inglês, italiano e espanhol [castelhano]; teve poemas musicados por Camargo Guarnieri, Dinorah de Carvalho, Oswaldo Lacerda e mais compositores; em 1982, recebeu o Troféu Juca Pato, de intelectual do ano, concedido pela UBE União Brasileira de Escritores.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Ronald de Carvalho: Avatar

 
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Antes, a alma que tenho andou perdida.
Por que mundos rolou, que mão sutil
pôs tão nobre fulgor, e estranha vida,
nesse bocado de ouro e barro vil?

Decerto, árvore foi: verde jazida
de ninhos, sob o céu de espuma e anil,
e foi grito de horror, na ave ferida,
e, na canção de amor, sonho febril!

Foi desespero, sofrimento mudo,
ódio, esperança que tortura e inferna;
e, depois de exsurgir, triste, de tudo,

veio para chorar dentro em meu ser,
a amarga maldição de ser eterna,
e a dor de renascer, quando eu morrer!

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Ronald de Carvalho (1893 1935), carioca, formado em Direito pela Faculdade Livre de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro (atual Direito UFRJ), foi jornalista, escritor, poeta, crítico, diplomata e político; um dos expoentes do Modernismo no Brasil, participou da Semana de Arte Moderna de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo; no Rio de Janeiro, colaborou com os periódicos Diário de Notícias, O Jornal, e com as revistas Alma Nova e Atlântida; anteriormente, em Portugal, fora um dos fundadores da revista literária Orpheu (Lisboa, 1915), contribuindo para a introdução do Modernismo naquele país; em 1933, regressando ao Brasil, foi secretário do presidente Getúlio Vargas; escreveu e publicou Luz Gloriosa (poesias, 1913), Pequena História da Literatura Brasileira (1919), Poemas e Sonetos (1919), Epigramas Irônicos e Sentimentais (1922), Espelho de Ariel (1923), Toda a América e Jogos Pueris (poesias, ambos em 1926), Estudos Brasileiros (três séries, 1924 1931) e outros títulos; foi agraciado duas vezes por prêmios da Academia Brasileira de Letras, pelas obras Pequena História da Literatura Brasileira e Poemas e Sonetos (publicados e premiados em 1919); morreu em acidente automobilístico no Rio de Janeiro; na ocasião, era Chefe da Casa Civil da Presidência da República no governo de Getúlio Vargas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Augusto Frederico Schmidt: Ouço uma fonte

 
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Ouço uma fonte
É uma fonte noturna
Jorrando.
É uma fonte perdida
No frio.

É uma fonte invisível.
É um soluço incessante,
Molhado, cantando.

É uma voz lívida.
É uma voz caindo
Na noite densa
E áspera.

É uma voz que não chama.
É uma voz nua.
É uma voz fria.
É uma voz sozinha.

É a mesma voz.
É a mesma queixa.
É a mesma angústia,
Sempre inconsolável.

É uma fonte invisível,
Ferindo o silêncio,
Gelada jorrando,
Perdida na noite.
É a vida caindo
No tempo!

(Fonte Invisível — 1949)

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Seleta em Prosa e Verso de Augusto Frederico Schmidt, Organização, estudo e notas do Professor Sílvio Elia, 1975, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ; Augusto Frederico Schmidt (1906 1965), carioca, fez seus estudos no Colégio Champs-Soleil (Lausanne Suiça), nos colégios São José, São Bento e Liceu Francês (todos do Rio de Janeiro) e no Colégio Americano Granbery, de Juiz de Fora MG, foi poeta, editor e livreiro, além de empresário de sucesso; teve seus primeiros textos divulgados n'O Beira Mar, um jornalzinho de Copacabana, e na revista Souza Cruz; depois, colaborou assiduamente na imprensa diária (jornais Correio da Manhã e O Globo, entre outros periódicos); em 1928, escreveu e publicou seus primeiros poemas, Canto do Brasileiro e, logo após, vieram os três Cantos do Liberto; suas obras: Navio Perdido (livro considerado de estréia, 1929), Pássaro Cego (1930), Desaparição da Amada (1931), Canto da Noite (1934), Estrela Solitária (1940), Mar Desconhecido (1942), O Galo Branco (prosa: memórias, diários, confissões, 1948 e 2ª edição, 1957); Fonte Invisível (1949), Os Reis (1953), Poesias Completas (1956), Caminho do Frio (1964) e outros títulos em verso e prosa; como editor e livreiro, dono da Livraria Schmidt Editora, lançou autores de maior relevância na época: Graciliano Ramos, Gilberto Freyre, Jorge Amado, José Geraldo Vieira, Lúcio Cardoso e outros; em São Paulo, participou do Movimento Modernista.

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Guilhermino Cesar: Serviria o que serve, para o servente? . . .

 
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[Animal do Tarde]

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Serviria, o que serve, para o servente?
O uniforme de ferro se forja para o sargento?
A flor de Angustura se põe no ventre?
A xícara de pez se toma como sorvete?

Onde puseste a manhã, ó sábio de Catuípe
enrolado na folha de bananeira?
Como foi acontecer o mar de Cuspe?
Onde se meteu o tigre maltês, um gato
estampado no pano da bandeira?

Pensa em Calígula, pensa em Anaximandro,
no guerreiro-poeta comendo tâmaras
e matando pulgas; pensa no elixir em que não se pensa
para o estômago azedo do infalível computador.
Um estouro.

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Sistema do Imperfeito & Outros Poemas — Guilhermino César, 1977, Editora Globo, Porto Alegre — RS; Guilhermino César da Silva (1908 1993), mineiro nascido em Pinheiros, atual Pinhotiba, distrito de Eugenópolis, aprendeu as primeiras letras com Zizinha Negreiros, professora particular, estudou no Grupo Escolar Astolfo Dutra e no Ginásio Municipal de Cataguases, iniciou o curso de Medicina, desistiu, formou-se em Direito, foi escritor, crítico literário, administrador público, jornalista, professor, historiador e poeta; escreveu seus primeiros versos aos oito anos de idade, fez parte da geração modernista mineira e participou ativamente, inclusive na fundação, da modernistíssima revista Verde (19271929), editada em Cataguases MG; o poeta foi um dos signatários do Manifesto do Grupo Verde cataguasense, que deu origem à verdejante revista; na década de 1940 mudou-se para Porto Alegre RS e deu continuidade às atividades no magistério, à política e à cultura; suas obras: além de sua atuação na Verde, Guilhermino escreveu e publicou Meia-Pataca (em parceria com Francisco Inácio Peixoto, 1928), Sul (romance, 1939), História da Literatura do Rio Grande do Sul: 1737 — 1902 (1956), Ladrão de Cavalo (1964), Lira Coimbrã e Portulano de Lisboa (poesia, ambos em 1965), O embuçado de Erval — mito e poesia de Pedro Canga (1968), Arte de matar (1969), Qorpo-Santo: relações naturais e outras comédias (1969), Primeiros cronistas do Rio Grande do Sul: 1605 — 1801 (1969), Sistema do Imperfeito & Outros Poemas (1977), Banhados (1986), Cantos do canto chorado (poesia, 1990) e outros títulos; no jornalismo, dirigiu o jornalzinho Mercúrio, da Associação dos Empregados no Comércio de Cataguases, na década de 20, atuou, desde a fundação, na já mencionada Verde, foi um dos fundadores da revista Leite Criôlo (em Belo Horizonte, 1929), secretariou os jornais A Tribuna e O Diário, ambos também de BH, além de ter colaborado em outros periódicos; no magistério, foi professor-fundador e depois diretor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Minas Gerais, e ali lecionou Literatura Brasileira e História Moderna, professor, também de Literatura Brasileira, na Faculdade de Filosofia da UFRGS e na Universidade de Coimbra Portugal; assumiu funções públicas em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Ascenso Ferreira: A cavalhada

 
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Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Fitas e fitas…

                 Roxas,
                        verdes,
                                brancas,
                                        azuis,

Alegria nervosa de bandeirinhas trêmulas!
Bandeirinhas de papel bulindo no vento!…
Foguetes do ar…

"De ordem do Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai começar!"

Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Fitas e fitas…

                 Roxas,
                        verdes,
                                brancas,
                                        azuis…

Lá vem Papa-Légua em toda carreira
e vem com os arreios luzindo no sol!
Danou-se! Vai tirar a argolinha!
Pra quem será?

Lá vem Pé-de-Vento!
Lá vem Tira-Teima!
Lá vem Fura-Mundo!
Lá vem Sarará!

Passou lambendo!
Se tivesse cabelo tirava!…
Andou beirando!…
Tirou!!!

Música, seu mestre!

Foguetes, moleque!
Palmas, negrada!
Tiraram a argolinha!
Foi Sarará!

Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Fitas e fitas…

                 Roxas,
                        verdes,
                                brancas,
                                        azuis…

Viva a cavalhada!
Vivoôôô!!!
“De ordem do Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai terminar!”


* Nota da edição — Vocabulário:
Cavalhada — Desfile a cavalo, corrida de cavaleiros, jogo de canas, jogo de argolinhas ou de manilha (**). O autor assistiu em Bebedouro, arredores de Maceió, Alagoas, janeiro de 1952, a uma cavalhada. “Os cavaleiros, sempre em número par, vestem branco, e os prêmios simbólicos são faixas de fazendas vistosas, na maioria azuis e encarnadas, cores que dividem as duas alas. Cada ala tem o seu maquinador, reminiscência do “mantenedor” clássico. O maquinador da direita é do cordão encarnado, e denomina-se Roldão obrigatoriamente, e o da esquerda, do azul, Oliveiros. Depois da corrida de argolinhas, os cavaleiros em ordem foram render graças diante da Capela, etc.”.
(**) Do “Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo.
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Poesia Brasileira para a Infância (diversas autorias), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira (1895 1965), pernambucano de Palmares, Zona da Mata, foi funcionário público, poeta, letrista-compositor, declamador e cantador dos próprios versos; em 1911, publicou seu primeiro poema ‘Flor fenecida’ no jornal A Notícia, de Palmares e, depois, colaborou com o Diário de Pernambuco e outros jornais; participou do Movimento Modernista de Pernambuco; suas obras: Catimbó (1927), Cana Caiana (1939), Xenhenhém (1951), Poemas 1922 — 1951 (1951), O Maracatu (publicação póstuma, 1986) ...; como letrista, teve poemas musicados por Heitor Villa Lobos (O Trem de Alagoas), Alceu Valença (Vou danado pra Catende, refrão de ‘O trem de Alagoas’), Hekel Tavares (Chove chuva!), Capiba (Onde o sol descamba) e outros compositores.