É má cacofonia "heróico brado",
que faz o nosso hino ser por cada
macaco no seu galho de piada
motivo, mito presto profanado.
Galhofo quando grafo "deputado",
um réu por cuja mãe a pátria brada
e cuja nota tem que amar melada
a puta que a recebe de ordenado.
Por ti gela meu pinto, e por ti são
meus bagos esmagados qual sardinha,
ó língua de tão baixo palavrão!
Dos cacos que cuspi, calou Caminha.
A mim toca, contudo, uma questão:
Se já Camões fez caca em "Alma minha"...
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Panacéia — Sonetos Colaterais, Nankin Editorial, 2000, São Paulo — SP; Glauco Mattoso é poeta, ficcionista, ensaísta e articulista em diversas mídias; Pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva (paulistano de 1951), o nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995); tem publicado uma extensa obra poética e outros textos: Jornal Dobrábil: 1977/1981 (compilados em um único volume, Iluminuras, 2001, São Paulo — SP), Revista Dedo Mingo (duas parcelas, completa o Jornal Dobrábil, 1982, São Paulo — SP), Memórias de um Pueteiro: As Melhores Gozações de Glauco Mattoso (poemas, Edições Trote, 1982, Rio de Janeiro — RJ), Línguas na Papa (poemas, Edições Pindaíba, 1982, São Paulo — SP), Centopéia: Sonetos Nojentos & Quejandos (Ciência do Acidente, 1999, São Paulo — SP), Paulisséia Ilhada: Sonetos Tópicos (Ciência do Acidente, 1999, São Paulo — SP), Geléia de Rococó: Sonetos Barrocos (Ciência do Acidente, 1999, São Paulo — SP), Melopéia: Sonetos Musicados (compact-disc, com diversos compositores e intérpretes, 2001, Rotten Records, São Paulo — SP), O que é: Poesia Marginal (ensaio, Editora Brasiliense, 1981, São Paulo — SP), O que é: Tortura (ensaio, Editora Brasiliense, 1984, São Paulo — SP), O Calvário dos Carecas: História do Trote Estudantil (ensaio, EMW Editores, 1985, São Paulo — SP) etc etc etc; Pedro José Ferreira da Silva, hoje bancário aposentado, foi funcionário do Banco do Brasil.