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Livre!
enfim! Infradeus que desperta-se e se move,
Eu
revelo! eu desfaço o que eu próprio já fiz.
Tenho lã
contra o frio e telha quando chove!
Domo a
Terra e serei seu mestre, eu, aprendiz!
Que céus
me impedirão que eu mesmo me renove
Se eu sou
meu bom pastor e meu melhor juiz?
Sou três
multiplicado, o convergente nove,
O oculto
missionário e o previsto Amadis.
Sei abrir
meu caminho e desviar águas turvas...
Muro as
alas centrais: desenho novas curvas;
Destruo
altares vãos: ergo outro Templo e um deus!
Tenho a
chave dos sóis, sou regente da Chama;
Faço da
Via Látea a minha alta oriflama...
Que as
estrelas do céu são todas versos meus.
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José Oiticica:
Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva
Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite
e Oiticica (1882 — 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió
— AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro;
cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou
do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também
não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo,
foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como
poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois,
partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que,
por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama
da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo
Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou
textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do
jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915),
Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do
Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de
Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas
(1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos,
1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros
títulos.
