Mostrando postagens com marcador Anarquismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Anarquismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de abril de 2026

José Oiticica: Liberdade

 
____________________
Livre! enfim! Infradeus que desperta-se e se move,
Eu revelo! eu desfaço o que eu próprio já fiz.
Tenho lã contra o frio e telha quando chove!
Domo a Terra e serei seu mestre, eu, aprendiz!

Que céus me impedirão que eu mesmo me renove
Se eu sou meu bom pastor e meu melhor juiz?
Sou três multiplicado, o convergente nove,
O oculto missionário e o previsto Amadis.

Sei abrir meu caminho e desviar águas turvas...
Muro as alas centrais: desenho novas curvas;
Destruo altares vãos: ergo outro Templo e um deus!

Tenho a chave dos sóis, sou regente da Chama;
Faço da Via Látea a minha alta oriflama...
Que as estrelas do céu são todas versos meus.

____________________
José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Lirio Resende: Exortação a Primeiro de Maio

____________________
O trabalho não é festa,
Enquanto no mundo resta
Uma exploração que empesta,
O bem-estar, a paz geral!
Protestai, trabalhadores;
Fazei rufar os tambores
E marchai contra os horrores
Do maldito capital!

Explorados e premidos
Afinai vossos sentidos
Deixem de ser iludidos!
Há uma nova Luz, olhai!
Quem só quer emancipar,
Deve agir, tem de lutar,
Quer em Terra, quer em Mar,
Vossas forças congregai!

Avante, segui à luta,
Pois que a burguesia estulta,
Vai dirigindo a labuta
No mais torpe barbarismo!...
E se nosso esforço é falho,
Tombaremos no trabalho,
Sem repouso ou agasalho,
Despenhados num abismo!

Vamos todos à conquista,
Do novo sol que se avista,
E muitas léguas não dista,
Do elmo dos altos dos montes!
É o fanal da Liberdade,
Apontando à Humanidade,
Da futura sociedade
Os fraternos horizontes!

Primeiro de Maio é dia
De luta, não de alegria,
Pois que lembra a tirania
Contra os modernos pioneiros!
Dia também de descanso
Para darmos um balanço,
Pois nossos passos no avanço,
Vão prosseguindo ligeiros!

Neste Primeiro de Maio
Redobremos sem desmaio,
Nossa firmeza, e num raio
Mostremos não vacilar!
Que impere o nosso direito!
E tudo que diz respeito,
Para alcançarmos o preito,
Da Liberdade e o Bem-Estar!

(A Razão, 1º/5/1919, p. 9.)

____________________
Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; sobre Lirio de Rezende, poeta, livreiro e militante anarquista, pouco se sabe; Edgar Rodrigues, em Rebeldias 2, faz o registro de mais de uma centena de “pedreiros da anarquia”, “colaboradores na imprensa ácrata, e só em A Voz do Trabalhador (1908-1915), órgão da Confederação Operária Brasileira, 48 militantes (homens e mulheres) anarquistas escreviam em suas páginas. Nos anos 1910 e 1920 muitos operários já tinham vencido a falta de instrução das escolas oficiais e adquirido conhecimento invejável nos sindicatos, nos centros de cultura e nas escolas de teatro social, eram formados na universidade da vida. Escreviam poesias revolucionárias, romances, obras de idéias avançadas, de história, dirigiam jornais como se jornalistas profissionais fossem. [...], Lírio de Rezende, entre outros.”; já Angela Maria Roberti Martins, doutora em História Social pela PUC-SP, no texto O gênero na composição poética anarquista nos relata que Lírio de Rezende, poeta-militante, foi autor do livreto de poesias Mundo Agonizante (1920), cuja edição teve a responsabilidade do grupo idealista ‘Paladinos do Porvir’ que “esclarecia que o preço cobrado pelo folheto destinava-se a cobrir o custo do trabalho gráfico e que a publicação do opúsculo servia para garantir a “propaganda exclusivamente libertária”; neste texto (O gênero na composição...) há o relato de que Lírio de Rezende “desde muito jovem ingressou no movimento anarquista e que na idade adulta teria exercido a atividade de livreiro; por sua vez, em Memória Anarquista do Centro Galego do Rio de Janeiro (1903-1922), o autor Mílton Lopes, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, nos conta que, de fato, na Rua da Constituição, antiga Rua dos Ciganos nº 14, “funcionou a livraria de Lírio de Rezende [...], a primeira especializada em literatura anarquista”; o poeta-militante teve seus poemas publicados especialmente pela imprensa operária e anarquista (periódicos Liberdade, Voz Cosmopolita, A Razão, todos do Rio de Janeiro, Renovação, entre outros...).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

José Oiticica: O Pranto

 
____________________
Depois do meu sorriso de rancor,
Mirei de novo o mundo hirto e mecânico,
E vi quanto era múltiplo e inferior
O ergo dos sóis e o meu substrato orgânico.

O lodo, o verme, a sânie, o ódio, o estertor,
A poeira inerte, os trismos do meu pânico,
Tudo era dor, e a Vida a maior dor...
Se há Deus, o Deus que existe, é um deus tirânico!

E, vendo o iníquo em tudo e em nada o bem,
Chorei de pena ante o Destino unívoco,
E ele me disse:  “Eleva-te ao desdém!”

Meditei nessa frase elementar...
E compreendi quanto há de engano e equívoco
No efêmero consolo de chorar.

____________________
José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Teixeira Bastos: Cena noturna

Resultado de imagem para Ouve meu grito antologia de poesia operária 1894 1923
____________________
Por alta noite um padre numa esquina,
De uma viela imunda, velha e esguia,
Envolvido em alcoólica neblina,
E esperando talvez a luz do dia.

De espaços a fulgidia campina
Olhava distraído, mas, não via
Sequer um palmo só ante a retina
E às pedras da calçada assim dizia:

Há muito que morreu o Padre Eterno,
E que são letra morta os Evangelhos!
Espessa noite reina lá nos céus!

O Verdadeiro Cristo e o Falerno,
Ou o Porto guardado em tonéis velhos;
E tu, ouro brilhante, és o meu Deus.

Teixeira Bastos

(jornal A Vanguarda, 2/9/1911, p. 1 — Rio de Janeiro)

____________________
Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ — Proed SR. 2e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; Francisco José Teixeira Bastos (1857 1901), português e lisboeta, formado pelo Curso Superior de Letras [atual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa], foi poeta, jornalista, publicista e ensaísta que, nos últimos vinte e cinco anos do século XIX, adquiriu reconhecimento, sendo considerado um dos indutores da teoria positivista de Augusto Comte em Portugal; ladeado por Teófilo Braga, Teixeira Bastos editou vários periódicos de crítica literária: dirigiu a revista Era Nova, a Revista de Estudos Livres, o jornal O Positivismo, e colaborou nos periódicos O Século, Renascença, A Mulher, O Pantheon, Galeria republicana, Livre Exame, entre outros; suas obras: Rumores vulcânicos (poesia, 1879), Luís de Camões e a Nacionalidade Portuguesa (ensaio, 1880), Ensaios sobre a Evolução da Humanidade (ensaios, 1882), Vibrações do Século (poesia, 1882), Princípios da Filosofia Positiva (ensaio, 1883), Teófilo Braga e a sua Obra (ensaio, 1892), A crise: estudo sobre a situação política, financeira, econômica e moral da nação (ensaio, 1894), Poetas brasileiros (crítica literária, 1895) ...; foi sócio-eleito da Academia Real das Ciências de Lisboa.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

José Oiticica: O Rei

 
____________________
Deixei as mutações do irreal, precário,
Pela real construção, a minha, a só.
Em mim, achei missões de solitário
E vi quão pobre espírito foi Job.

Essas irisações do sempre vário
Desviam-nos do Reino, do sem pó!
Mas, se minha renúncia foi calvário,
Do meu muito penar não tenham dó.

Talhei ampla vereda no sem rumo!
Tudo agora é Consciência e sua lei,
Sou alguém que percebe Ascenso e aprumo!

Tenho algo do que outrora, Adão, tentei:
A sensação do Mais, do só, do Sumo,
De andar pelo Universo, como rei!...

____________________
José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

José Oiticica: O Modelo

 
____________________
Se querem que outros creiam, crê primeiro,
Faz-te Boa Nova e acende-a em ti.
Só terás gestos e aura de pioneiro
Se tua alma for surto e frenesi.

Quem deseja arrastar ao seu outeiro
Tribos sem deus precisa ser David,
Ter uma harpa, ter juntas de guerreiro,
Saber cantar e combater por si.

Sê mais tu, mas alguém, sê punho rude,
O sem par, o sozinho, o último, o Herói,
O que põe no melhor toda a virtude.

Torna-te exemplo… o exemplo é que constrói
Finge até que o teu sonho não te ilude
E que a tua amargura não te dói.

____________________
José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Teixeira Bastos: O Sol da Nova Idéia

 
____________________
As imagens dos célicos devassos
Em negro pó desfeitas o ar semeiam;
Levadas para o vento revolteiam
As crenças divinas em estilhaços.

Os deuses já morreram nos espaços
Os altivos e os templos bamboleiam;
Os tronos d’ouro estalavam ou baqueiam
e fogem dos reis trêmulos dos paços.

Dos credos sem sentido as densas brumas
Se dissolvem na noite, quais espumas
Na areia da praia que reluz!

O mundo velho dorme em longa treva
Entanto ao longe vejo que se eleva
O Sol da nova ideia a branca luz!

(Publicado em “A Voz Operária”, Campinas, 05/10/1919.)
(Documentação: A Poesia Anarquista, por Yara Aun Khoury —
Depto. de História da FCS/PUC-SP [Rev. Bras. de Hist. —
S. Paulo, v.8 nº 15, pp. 215-247, set.1987/fev.1988])

____________________
Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História Nº 15 — Órgão da ANPUH — Associação Nacional dos Professores Universitários de História, Volume 8, setembro de 1987 / fevereiro de 1988, [várias autorias, Editora Marco Zero — São Paulo — SP; Francisco José Teixeira Bastos (1857 1901), português e lisboeta, formado pelo Curso Superior de Letras [atual Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa], foi poeta, jornalista, publicista e ensaísta que, nos últimos vinte e cinco anos do século XIX, adquiriu reconhecimento, sendo considerado um dos indutores da teoria positivista de Augusto Comte em Portugal; ladeado por Teófilo Braga, Teixeira Bastos editou vários periódicos de crítica literária: dirigiu a revista Era Nova, a Revista de Estudos Livres, o jornal O Positivismo, e colaborou nos periódicos O Século, Renascença, A Mulher, O Pantheon, Galeria republicana, Livre Exame, entre outros; suas obras: Rumores vulcânicos (poesia, 1879), Luís de Camões e a Nacionalidade Portuguesa (ensaio, 1880), Ensaios sobre a Evolução da Humanidade (ensaios, 1882), Vibrações do Século (poesia, 1882), Princípios da Filosofia Positiva (ensaio, 1883), Teófilo Braga e a sua Obra (ensaio, 1892), A crise: estudo sobre a situação política, financeira, econômica e moral da nação (ensaio, 1894), Poetas brasileiros (crítica literária, 1895) ...; foi sócio-eleito da Academia Real das Ciências de Lisboa.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

José Oiticica: A Escada de Jacob

 
____________________
Eu vi, na Treva, a escada de Jacob...
E, na minha intuição de peregrino,
Percebi eu, o Adão, barro divino,
As excelências todas do meu pó.

Hei de ir, pelos degraus do meu destino.
Do múltiplo à consciência una do Só.
Dentro da ganga dorme o diamantino
E eu sei como desdar o último nó.

Sei como, no meu chão pedregulhento,
Ser anjo e acender asas, ser meu rei,
Dominar com bridões meu pensamento.

Talhar meu bem, meu mal, a minha lei,
E fazer, deste meu deslumbramento,
A vida de esplendor que viverei.


* Nota do blogue Verso e Conversa: referente à ‘escada de Jacó’, tema do soneto oiticicano, o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página transcreve, abaixo, trecho do texto de Maria Aparecida Munhoz de Omena, autora do José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia:
          “No livro denominado Gênesis, há a história de Jacó: filho de Isaac e Rebeca e irmão gêmeo de Esaú. Este, como filho mais velho, tinha o direito de receber a benção e toda a herança do pai, mas seu irmão, Jacó, com a ajuda da mãe, engana o pai cego e recebe em lugar do primogênito a bênção tão esperada. Descoberta a farsa, Jacó foge para Barsabéia e no caminho tem um sonho com uma escada que funciona como elo entre o Céu e a Terra, pois, por meio dela, os anjos sobem e descem, estabelecendo contato entre os dois mundos; na parte superior, a figura de Deus está presente (BÍBLIA Sagrada, [Gênesis], 27, 19, 28, 1, 1966).
          Logo, a escada funciona como uma ponte entre os dois planos. Na passagem bíblica, Deus diz a Jacó que dará a ele e a toda sua descendência a terra onde viverão com prosperidade. No poema, por outro lado, o eu lírico vê, “na Treva, a escada de Jacob...”. O vocábulo Treva está escrito com inicial maiúscula, oferecendo um significado a mais do que simplesmente escuridão; é possível se pensar em Treva também como símbolo de falta de conhecimento, de ignorância, de referência ao inferno.
____________________
José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Lirio de Rezende: Últimos momentos de Nero

 
____________________
Maldito seja o dia em que eu nasci
Maldito o ebúrneo leite que mamei
Maldita a vida inútil que passei
E malditas as mágoas que sofri

Maldita seja a paz que idealizei
Mais os lauréis do gênio que expandi
Maldita seja a lei que proclamei
E todo bem que aos nobres concedi.

Maldito seja o trono, a humanidade
Maldito o amor, o gozo, a liberdade
Que não passam de meras ilusões

Maldita seja a Madre-Natureza
Que permite o momento de fraqueza
Em que morre o maior dos corações

(Voz Cosmopolita, 1/2/1923, p. 2.)

____________________
Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; sobre Lirio de Rezende, poeta, livreiro e militante anarquista, pouco se sabe; Edgar Rodrigues, em Rebeldias 2, faz o registro de mais de uma centena de “pedreiros da anarquia”, “colaboradores na imprensa ácrata, e só em A Voz do Trabalhador (1908-1915), órgão da Confederação Operária Brasileira, 48 militantes (homens e mulheres) anarquistas escreviam em suas páginas. Nos anos 1910 e 1920 muitos operários já tinham vencido a falta de instrução das escolas oficiais e adquirido conhecimento invejável nos sindicatos, nos centros de cultura e nas escolas de teatro social, eram formados na universidade da vida. Escreviam poesias revolucionárias, romances, obras de idéias avançadas, de história, dirigiam jornais como se jornalistas profissionais fossem. [...], Lírio de Rezende, entre outros.”; já Angela Maria Roberti Martins, doutora em História Social pela PUC-SP, no texto O gênero na composição poética anarquista nos relata que Lírio de Rezende, poeta-militante, foi autor do livreto de poesias Mundo Agonizante (1920), cuja edição teve a responsabilidade do grupo idealista ‘Paladinos do Porvir’ que “esclarecia que o preço cobrado pelo folheto destinava-se a cobrir o custo do trabalho gráfico e que a publicação do opúsculo servia para garantir a “propaganda exclusivamente libertária”; neste texto (O gênero na composição...) há o relato de que Lírio de Rezende “desde muito jovem ingressou no movimento anarquista e que na idade adulta teria exercido a atividade de livreiro; por sua vez, em Memória Anarquista do Centro Galego do Rio de Janeiro (1903-1922), o autor Mílton Lopes, da Federação Anarquista do Rio de Janeiro, nos conta que, de fato, na Rua da Constituição, antiga Rua dos Ciganos nº 14, “funcionou a livraria de Lírio de Rezende [...], a primeira especializada em literatura anarquista”; o poeta-militante teve seus poemas publicados especialmente pela imprensa operária e anarquista (periódicos Liberdade, Voz Cosmopolita, A Razão, todos do Rio de Janeiro, Renovação, entre outros...).

domingo, 25 de maio de 2025

José Oiticica: A Ave

 
____________________
Eu era a ave saudosa, de asas rijas,
Engaiolada por oculta mão...
Eu, eterno! eu, viajor! “Não! não te aflijas,
Pássaro, hás de deixar teu alçapão!”

E eu fitava a alta linha das cornijas
Onde quisera ter meu ninho, em vão!
“Para possuíres tudo, não exijas;
Cumpre, sem desejar, tua missão.”

Sendo minha missão cantar, eu, a Ave,
Cantei, ao céu mortal e à luz sem cor,
A canção de Solweg  eterna e grave! 

Cantei! E um dia as asas do Voador
Saíram da prisão sem mais entrave...
Cantar é o talismã do Cantador.

____________________
José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor, poeta, militante e ativista do anarquismo; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, da revista A Vida e do jornal Na Barricada; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

sábado, 22 de abril de 2023

José Oiticica: As Sete Portas


____________________
Numa noite sem timbre, de horas mortas
A noite do meu Sono mais sem lume
Eu vi, nas transfixões do meu negrume,
Os fechos de marfim das sete portas.

“Qual é, de vós, a porta do meu nume?”
Clamei, e um grifo azul, de unhas retortas,
Respondeu-me: “Quem és que assim te importas
Com a tua estrada? pensa em ir ao Cume.

Bate e abrir-te-ei!” E eu, com a maciez do susto,
Bati na quarta porta a porta de ouro
E ela abriu-se, rangendo, a muito custo.

E entrei... entrei para este Após medonho
Onde só vejo lá no Sorvedouro,
Um resplendor qualquer que eu chamo Sonho.

____________________
José Oiticica: Da anarquia à anarcopoesia — Maria Aparecida Munhoz de Omena, Apresentação de Diva Cardoso de Camargo, 2010, Annablume Editora, São Paulo — SP; José Rodrigues Leite e Oiticica (1882 1957), mineiro de Oliveira, fez seus primeiros estudos em Maceió AL, e daí para o Rio de Janeiro, ingressou na Politécnica e desistiu de ser engenheiro; cursou Direito na Faculdade de Recife e no Rio, mas, bacharel, nunca se utilizou do diploma; frequentou o primeiro ano da Faculdade de Medicina no Rio, e também não concluiu; dedicando-se ao magistério e à filologia, foi professor, filólogo, foneticista, jornalista, escritor e poeta; como poeta, fez parte do grupo que, em sua época, "deu conteúdo social à arte, pois, partidário do anarquismo, seus versos refletem bem as idéias que esposou e que, por mais de uma vez, levaram-no à cadeia" relata Fernando Góes em Panorama da Poesia Brasileira, Volume V; fundou os jornais Spartacus (co-fundador, Astrogildo Pereira, 1919), 5 de Julho (jornal clandestino, 1929) e Ação Direta (1929); divulgou textos políticos, poéticos e em prosa, e colaborou com a imprensa operária libertária, através de A Lanterna, Spartacus, A Plebe, Livre Pensador, e da revista A Vida; suas obras: Sonetos, primeira série (1911), Ode ao Sol (1915), Estudos de Fonologia (1916), Sonetos, segunda série (1919), Princípios e Fins do Programa Comunista-Anarquista (1919), A Trama dum Grande Crime (1922), Manual de Estilo (1923), Azalan! (peça teatral, 1924), Do Método de Estudo das Línguas Sul-Americanas (1930), A Doutrina Anarquista ao Alcance de Todos (1945), Fonte Perene (sonetos, 1954), Roteiro de Fonética Fisiológica, Técnica do Verso e Dicção (1955) e outros títulos.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Adalberto Viana: Cântico Segundo

____________________
(A Anarquia)

Quando este amor fecundo e sem vaidade,
Fizer banir da Terra a hipocrisia,
Derrubando essa lei de iniqüidade
E o reinado feroz da burguesia.

Quando o povo não sofra de apatia
Quando existir de fato a sã verdade;
E forem Deus, Estado e Fidalguia
Anulados a bem da humanidade:

E quando se inaugure sobre a Terra
O programa genial da guerra à guerra
E unidos todos como irmãos leais;

Então no mundo existirá, perfeito
Um regime comum de mais respeito,
Para a junção de todos os mortais!

(jornal Liberdade, 2ª quinzena/5/1912, p. 2.)
____________________
Ouve meu grito — Antologia de poesia operária (1894 — 1923), Pesquisa e Organização de Bernardo Kocher (também com texto-Apresentação) e Eulalia Lahmeyer Lobo (também com Introdução), 1987, UFRJ—Proed SR.2 e Editora Marco Zero, São Paulo — SP; Adalberto Viana, ou Adalberto Vianna, foi poeta, barbeiro e militante anarquista; nos relata Milton Lopes, no Emecê — Boletim do Núcleo de Pesquisa Marques da Costa — Ano III, nº 10. Novembro de 2008:
     ‘... Adalberto Viana, barbeiro de profissão, juntamente com onze colegas, redigiu e assinou dois documentos publicados no jornal anarquista Spartacus em sua edição de 18 de outubro de 1919. Eram eles as Bases de Acordo e o Regulamento de Organização do que o jornal intitulava “Um Ensaio de Livre Organização do Trabalho”, que consistia na fundação de um salão para que aqueles profissionais, vítimas das perseguições dos patrões em função de recente greve da categoria pudessem trabalhar. No entanto, o Salão Liberdade, como foi designado por seus 12 fundadores, possuía características diferentes de todos os outros estabelecimentos do gênero. Segundo suas Bases de Acordo, todos os seus 12 fundadores e sócios fariam parte de seu conselho de administração, que se reuniria semanalmente para tratar de todas as questões referentes ao salão. O mesmo conselho, integrado por todos os participantes do Salão, elegeria um administrador, um tesoureiro e um escriturário (que deveriam todos ser trabalhadores do salão) cujas funções poderiam ser revogadas a qualquer momento. O administrador deveria prestar contas duas vezes por mês e toda féria diária entregue ao tesoureiro e depois de contada e conferida juntada à féria bruta, de onde sairia o retorno financeiro para os associados e para o próprio Salão. No Salão Liberdade, que se localizaria na rua José Maurício atual República do Líbano, 41) todo associado poderia retirar até 50 mil réis além do que havia produzido, sendo o dinheiro que sobrasse reinvestido no salão. Começando a trabalhar às 8 horas da manhã, os integrantes do Salão se comprometiam a pagar a seus componentes de acordo com o memorial de seu sindicato, a União dos Oficiais de Barbeiro, assim como a cumprir quaisquer resoluções daquele sindicato. Ressalvava-se que “em nenhum caso o Salão poderá pertencer a quem pretenda explorar com ordenados a outros barbeiros; isto é, a quem se proponha a ser patrão”.
     Os princípios autogestionários e de apoio mútuo que orientavam a criação do Salão Liberdade eram produto direto da maneira como os barbeiros anarquistas tiveram que se organizar para sobreviver durante a greve da categoria em 1919. A 02 de agosto de 1919 o Spartacus em sua coluna Ação Proletária noticiava a eclosão da greve dos barbeiros no dia anterior, cansados da exploração patronal, lutando por um salário razoável, participação proporcional nos lucros e abolição completa da gorjeta. “Como se vê — comentava o jornal — as pretensões dos oficiais barbeiros não se limitam a melhorias de ordem econômica, pois a abolição da humilhante gorjeta tem uma significação altamente moral”. No número seguinte o jornal comentava que os barbeiros grevistas estavam exercendo seu ofício nas sedes das associações operárias, tendo como fregueses os trabalhadores e, desta forma, também boicotando as barbearias que permaneciam abertas, furando a greve. ...’;
Edgar Rodrigues escreve em Os pedreiros da anarquia [VERVE: Revista Semestral do NU-SOL Núcleo de Sociabilidade Libertária/Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais, PUC-SP. Nº 7 (maio 2005)]:
     “... Conheci e soube de operários barbeiros, Amílcar dos Santos, Adalberto Viana (bom poeta libertário), Daniel Montalvão, Zacarias de Lima, e empregados do comércio: Adelino Tavares de Pinho, Antônio Duarte Candeias, Atílio Pessagno, Aquilino Massena, F.G. Sousa Passos (autor de vários opúsculos e deixou uma excelente obra inédita, O Sentido Artístico do Anarquismo). ...”;
Iara Aun Khoury, historiadora, expõe no Texto/Documento A Poesia Anarquista, em Sociedade & Cultura — Revista Brasileira de História São Paulo, volume 8, Nº 15, setembro de 1987/fevereiro de 1988 volume 8:
     “... É agradável deparar com poesias de libertários famosos como Gigi Damiani, Neno Vasco, José Oiticica; [ . . . ]; é desafiante perceber Adalberto Viana, Albino Bastos, Raymundo Reis, Andrade Cadete exercendo atividades variadas e se pronunciando sobre assuntos diversificados, como expressão de uma única militância; ...”.