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Ao mó culéga Machado d’Assis
"Guiando um vonde,
g’mia inquieto maturnâiro
— Ah! Si eu fosse u fiscale aqui dessa meléca...
De prazeire, nain sai... tumaba uma quiméca..."
Mas u fiscale ulhando u vurro du dinheiro
du chefe du iscritório:
— "Imbejo-te, parçâiro,
Se eu fosse como tu, câ farra! Câ panquéca!
Cumia tanto, qui rivintaba a cuéca!"
Mas u chefe a fitaire a pança de bendâiro
du supirintendente: —
"Eu não ser mais maióre,
não têre o que tu tains! Não têre u teu dinhâiro!..."
I u supirintendente a limpare o suóre:
— "Iscrêbo como um
vurro! É a noute! É u dia intâiro!
Entra sóle, sai sóle! Não há coisa pióre!
Ah! Câim déra qui eu fosse um simples maturnâiro!"
* Nota deste Verso e
Conversa: Para efeito de comparação, este atrevido aprendiz de blogueiro
transcreve o soneto que deu origem à paródia: Círculo vicioso: Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume: / "Quem
me dera que fosse aquela loura estrela, / que arde no eterno azul, como uma
eterna vela!" / Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme: // — "Pudesse eu copiar o transparente lume, / que,
da grega coluna à gótica janela, / contemplou, suspirosa, a fronte amada e
bela!" / Mas a lua, fitando o sol, com azedume: // — "Mísera! tivesse eu aquela enorme, aquela / claridade
imortal, que toda a luz resume!" / Mas o sol, inclinando a rútila capela:
// — "Pesa-me esta brilhante auréola de
nume... / Enfara-me esta azul e desmedida umbela... / Por que não nasci um
simples vagalume?...” (Machado de Assis)
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Humor e Humorismo — Poesias e Versos e Paródias de Poemas
Famosos — Antologia, Organização de Idel Becker, 1961, Editora Brasiliense, São
Paulo — SP; Furnandes Albaralhão, pseudônimo de Horácio Mendes Campos (1902 — 1964),
fluminense e carioca, foi poeta satírico e de paródias, escritor, libretista de
teatro de revistas, violonista e compositor; publicou o livro de humor Caldo Berde
(1ª edição impressa em 1930), no qual apresenta sátiras, paródias de sonetos famosos
e pensamentos com linguagem macarrônica, bem à moda do pré-modernista Juó Bananére;
Horácio Campos foi um dos muitos colaboradores quase ignorados de uma das várias
fases de A Manha, jornal humorístico e satírico do Barão de Itararé — o Aporelly;
ao autor de Caldo Berde coube cuidar, com muita arte, do suplemento lusitano de
A Manha, escrevendo paródias de poetas portugueses e brasileiros e composições de
sua inteira inspiração; trechos de seu livro foram republicados na revista A Pomba
(década de 60).


